A jovem de 30 anos Yasmin Peixoto convive desde a infância com a sinostose radiocubital proximal, uma condição rara que limita os movimentos dos braços e impede que ela vire as palmas das mãos para cima. Nas redes sociais, ela passou a publicar as adaptações necessárias para carregar objetos e viralizou com relatos informativos e bem-humorados.
Receba as principais notícias direto no WhatsApp! Inscreva-se no canal do Terra
De acordo com a Sociedade Portuguesa de Ortopedia e Traumatologia, a sinostose radiocubital proximal é uma malformação congênita caracterizada pela fusão do rádio e do cúbito, o que compromete a rotação do antebraço. O diagnóstico costuma ocorrer na infância e os pacientes podem apresentar dificuldades em tarefas como usar talheres, realizar a higiene ou segurar objetos. Apesar das limitações, a condição nem sempre impede uma vida independente, especialmente com adaptação e acompanhamento adequado.
Yasmin explicou que, na infância, não compreendia totalmente a condição, sendo orientada pela mãe. Com o tempo, passou a perceber diferenças em relação a outras pessoas e buscou respostas médicas. "Quando eu já tinha uns 10 anos, comecei a me sentir diferente demais das outras pessoas e aí pedi pra voltar no médico pra ter certeza de que nada podia ser feito."
Ao Terra, Yasmin destacou os desafios e aprendizados que teve ao longo da vida. As maiores dificuldades surgiram em tarefas do cotidiano, como carregar objetos grandes. "Meu sofrimento se deu mais no lugar de me sentir inadequada", contou. Segundo ela, situações do cotidiano geravam a sensação de estar sendo observada.
A partir daí, ela teve de trabalhar aspectos emocionais para não ampliar a própria limitação e afirma que escolheu não se definir pela limitação. "Escolhi olhar para todas as outras coisas que eu era e podia ser."
"Eu amo me desafiar, sou muito curiosa e tenho uma paixão por aprender. Eu tinha meu jeito peculiar de segurar uma bandeija ou de manejar ferramentas e pincéis, mas era o meu charme, digamos assim. Sempre tentei me olhar com afeto e superar as dificuldades", afirmou.
Entre os maiores desafios, Yasmin destacou atividades básicas de autonomia, como higiene pessoal. "Minha mãe relata que precisou me encorajar a buscar um meio pra não depender sempre dela. Foi difícil, mas eu consegui". Com o tempo, essas adaptações se tornaram naturais, permitindo mais independência no dia a dia.
"Nunca peguei um trabalho e disse: 'Scho que não posso fazer isso por causa dos meus braços'", declarou. Segundo Yasmin, encontrar maneiras próprias de realizar tarefas --como segurar objetos ou usar ferramentas-- acabou se tornando parte de sua identidade.
Compartilhar sua experiência nas redes sociais contribuiu para a disseminação de informação sobre a condição. "Muitos foram descobrir o nome da condição por causa dos meus vídeos. Outros nunca tinham ido ao médico."