El Niño acende alerta para alta da dengue no verão; doença mata 9 vezes mais que acidentes de trânsito

Especialista estimam até 5,6 milhões de casos em 2027, com quase metade dos municípios avaliados em situação de alerta

1 nov 2026 - 05h00
Mosquito Aedes aegypti é transmissor da dengue
Mosquito Aedes aegypti é transmissor da dengue
Foto: Imagem ilustrativa/Pixabay

A combinação de calor e mais chuvas devido ao El Niño acende um alerta para o avanço da dengue no Brasil neste verão. O clima pode favorecer a reprodução do mosquito Aedes aegypti, transmissor da doença, e acelerar a circulação do vírus entre as pessoas. O risco de uma alta nos casos da doença faz com que especialistas recomendem intensificar as medidas de prevenção.

Segundo dados do InfoDengue, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), estimam que o Brasil pode ter entre 1,7 milhão e 5,6 milhões de casos prováveis de dengue em 2027, conforme a diretora médica da Takeda, dra. Vivian Lee. Em um cenário de super El Niño, as estimativas apontam aumento de aproximadamente 60% dos casos na Região Sudeste e de 20% na Região Sul.

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“O aumento da temperatura encurta o ciclo reprodutivo do mosquito (as larvas eclodem e viram adultos muito mais rápido) e acelera o período de incubação do vírus no próprio vetor, tornando a transmissão mais ágil e disseminada”, explica Vivian Lee, diretora médica da Takeda.

Dengue pode ser mais letal do que acidentes com veículos em rodovias, segundo campanha
Foto: Imagem ilustrativa/Pixabay

A Takeda realiza uma campanha de conscientização sobre a prevenção da dengue, com o objetivo de alertar a população. Segundo a campanha, a dengue causa nove vezes mais mortes do que acidentes de trânsito em rodovias, seis vezes mais óbitos do que acidentes com fogo e 44 vezes mais óbitos do que acidentes com engasgos. A ideia da campanha é mostrar que é possível prevenir a dengue e que há vacina disponível.

Criadouros dentro de casa

Segundo a especialista, o Levantamento Rápido de Índices para Aedes aegypti (LIRAa) indica que 49,2% dos municípios avaliados estão em situação de alerta ou risco. Vivian chama a atenção para o fato de que muitos focos estão dentro das residências.

Campanha alerta população para evitar a banalização da doença
Foto: Imagem ilustrativa/Pixabay

“Não se trata apenas de terrenos baldios ou áreas abandonadas. Pequenos pontos ignorados na rotina doméstica, como bandejas de água atrás da geladeira, coletores de ar-condicionado, calhas com folhas, ralos pouco acionados e pratos de vasos, são grandes motores da proliferação urbana”, afirma.

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A médica recomenda eliminar possíveis criadouros semanalmente, manter telas em portas e janelas e utilizar repelentes registrados pela Anvisa, sempre respeitando as indicações de idade descritas no rótulo. A prevenção deve ocorrer durante todo o ano, não apenas no verão.

Atenção aos sintomas e febre

Prevenção é foco de campanha contra a dengue
Foto: Imagem ilustrativa/Pixabay

A doença também exige atenção mesmo quando os primeiros sintomas parecem leves. De acordo com a médica, o período mais crítico costuma ocorrer entre o terceiro e o sétimo dia, justamente quando a febre começa a baixar.

“Manifestações como dor de barriga intensa e contínua, vômitos que não passam e impedem a hidratação, sangramentos no nariz ou gengiva, manchas roxas na pele, tontura forte, sensação de desmaio, sonolência excessiva ou falta de ar indicam um risco real de piora do quadro”, alerta. Diante desses sinais, a orientação é procurar atendimento médico imediatamente.

A especialista também destaca a importância da hidratação e recomenda evitar a automedicação, especialmente com AAS e anti-inflamatórios como ibuprofeno e diclofenaco, que podem aumentar o risco de sangramentos.

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Vacina no SUS para adolescentes

A vacinação é outra ferramenta de prevenção, mas não substitui o combate ao mosquito. No SUS, a Qdenga é oferecida gratuitamente a adolescentes de 10 a 14 anos. Na rede privada, a vacina é aprovada para pessoas de 4 a 60 anos. O esquema prevê duas doses, com intervalo de três meses.

Um estudo de vida real publicado na revista The Lancet, liderado por pesquisador da Fiocruz e da UFMS, avaliou quase 92 mil adolescentes vacinados em São Paulo. Os resultados apontaram efetividade de 87,9% contra hospitalizações e de 73,1% contra casos sintomáticos com as duas doses, segundo os dados apresentados por Vivian.

A vacina é contraindicada para gestantes, lactantes e pessoas com imunodeficiências graves. A indicação deve ser feita por um profissional de saúde em casos de doenças crônicas.

Para Rodrigo Martins, diretor da Unidade de Negócios de Especialidades e Vacinas da Takeda, um dos desafios é fazer com que a população deixe de tratar a doença como algo corriqueiro.

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“A dengue acabou sendo algo quase normalizado no cotidiano, com o qual convivemos e que é erroneamente vista como apenas sazonal”, afirma. Ele defende que a percepção do risco seja acompanhada de medidas concretas de proteção, como eliminar água parada, usar repelente e buscar a vacinação quando indicada.

Fonte: Portal Terra
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