Você está preparado para envelhecer? Veja o que fazer para chegar bem à terceira idade

Geriatra explica quais hábitos ajudam a preservar a autonomia, por que a segurança financeira não é suficiente e como começar a se preparar

31 out 2026 - 05h00
Mulher se olha em pequeno espelho
Mulher se olha em pequeno espelho
Foto: Reprodução / SHVETS Production via Pexels

Você já parou para pensar em como deseja chegar à velhice? Mais do que cuidar da saúde e guardar dinheiro para a aposentadoria, preparar-se para envelhecer exige atenção à saúde mental, às relações sociais e à capacidade de manter a autonomia ao longo da vida. E, segundo especialistas, nunca é tarde para começar.

Do ponto de vista biológico, não existe uma idade exata em que o corpo passa a ser considerado velho. Embora a legislação brasileira classifique como idosa a pessoa a partir dos 60 anos, o envelhecimento do organismo é um processo gradual, que começa muito antes dessa fase.

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Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o acúmulo de danos nas células e nos tecidos ao longo dos anos provoca mudanças nas capacidades físicas e mentais. Essas transformações, porém, não acontecem no mesmo ritmo para todos. Por isso, duas pessoas da mesma idade podem apresentar condições de saúde e níveis de autonomia bastante diferentes.

Quem não ligou a mínima para que a OMS fala é a empresária Regina Moreira, 63, que mora em Campinas (SP). As caminhadas na Lagoa do Taquaral, principal cartão postal da cidade, e a tentativa de manter os músculos em forma em uma academia somam-se a outros esforços, como a alimentação mais adequada para a idade dela. Mas bem que tem um pouco de ajuda da vida moderna --no caso, a tinta de cabelo. É a única "artificialidade" que ela cita.

"Não vem com essa de coisa artificial aqui não. Só a tinta, mas nem é porque tenho vergonha do cabelo branco. Achei que não combinou, só", brincou ao falar com o Terra. Essa "preocupação" tem um significado. "Hoje todas as mulheres sempre querem fazer procedimentos, querem corrigir os efeitos da idade com plástica, botox, sei lá o que mais. Mas eu não penso assim. Estou cuidado da 'base' do meu corpo", disse.

Empresária Regina Moreira, 63, moradora de Campinas (SP)
Foto: Arquivo pessoal

"Eu não tenho medo de envelhecer, não! Eu tenho uma vida que me deixa extremamente confortável para que eu possa buscar o que meu corpo precisa para o momento. Envelhecer é parte do processo da vida", acrescenta. Ela tem dois filhos que vivem fora do Estado, mas "não se mete na vida deles".

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Segundo o médico geriatra Marco Polo Dias Freitas, chefe do Serviço de Geriatria do Hospital Universitário de Brasília, da Universidade de Brasília (HUB-UnB), essa preparação deve começar muito antes dos 60 anos. Mas quem chega à terceira idade sem ter adotado hábitos saudáveis ainda pode fazer mudanças para melhorar a qualidade de vida.

"Envelhecer bem não significa apenas viver mais anos ou permanecer livre de doenças. Significa preservar, tanto quanto possível, a autonomia, a capacidade de fazer escolhas e a possibilidade de continuar aprendendo, contribuindo e construindo relações significativas", afirma o especialista ao Terra.

O que fazer aos 30, 40 ou 50 anos?

De acordo com Freitas, os hábitos adotados ao longo da vida contribuem para formar uma espécie de "capital de saúde", que reúne condições físicas, cognitivas e emocionais importantes para enfrentar as mudanças do envelhecimento.

O geriatra recomenda uma combinação de cuidados:

  • Atividade física: praticar exercícios aeróbicos, de fortalecimento muscular e de equilíbrio;
  • Alimentação: priorizar alimentos in natura ou minimamente processados e manter hidratação adequada às necessidades individuais;
  • Saúde: dormir adequadamente, não fumar, evitar o consumo nocivo de álcool e controlar doenças como hipertensão e diabetes;
  • Medicamentos: evitar a automedicação e o uso de suplementos sem indicação individualizada;
  • Vida social: cultivar amizades, fortalecer os vínculos familiares e participar de atividades comunitárias;
  • Saúde mental: aprender coisas novas, manter interesses pessoais e desenvolver maneiras de lidar com o estresse.

Essas medidas, segundo o especialista, não garantem uma velhice livre de doenças ou limitações, mas podem aumentar as chances de preservar a autonomia e a qualidade de vida.

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Passou dos 60 anos? Ainda há tempo para mudar

Quem chegou aos 60 ou 70 anos sem se preocupar com o envelhecimento ainda pode mudar os próprios hábitos.

"Nunca é tarde para adotar hábitos mais saudáveis, fortalecer vínculos sociais e encontrar novos interesses e propósitos", afirma Freitas.

Ele explica que, embora algumas consequências de doenças e do envelhecimento não possam ser completamente revertidas, mudanças nessa fase podem trazer benefícios para a saúde física, a capacidade de realizar atividades cotidianas e o bem-estar emocional.

Um dos cuidados apontados pelo médico é evitar o isolamento social. Ele cita o Harvard Study of Adult Development, pesquisa que acompanha participantes há mais de oito décadas e destaca a importância das relações interpessoais para a saúde e o bem-estar.

O geriatra também chama a atenção para a definição de envelhecimento saudável da Organização Mundial da Saúde (OMS). O conceito considera a capacidade de realizar atividades importantes, tomar decisões, manter relações e participar da sociedade, mesmo quando existem doenças ou limitações.

Para Freitas, a qualidade do envelhecimento não depende apenas das escolhas individuais. Condições econômicas, acesso aos serviços de saúde e o ambiente em que a pessoa vive também influenciam a capacidade de manter a autonomia.

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"Não devemos encarar os 60 ou 70 anos como um prazo vencido para cuidar da saúde ou transformar a própria vida. Sempre há possibilidades de adaptação, aprendizado e crescimento", conclui.

Fonte: Portal Terra
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