Do nervosismo ao compulsivo: o que nos faz roer unha

Descubra por que roemos unhas, impactos na saúde e estratégias eficazes para controlar esse hábito comum

3 fev 2026 - 09h01

Roer unhas aparece em diferentes idades, contextos e classes sociais. O gesto parece simples, mas revela uma combinação de fatores emocionais, biológicos e culturais. Especialistas em saúde mental descrevem o hábito como um comportamento repetitivo que oferece alívio rápido, embora traga consequências para o corpo e para a rotina diária.

Roer unhas – depositphotos.com/VGeorgiev
Roer unhas – depositphotos.com/VGeorgiev
Foto: Giro 10

Esse comportamento costuma surgir na infância e pode se manter na fase adulta. Em muitos casos, a pessoa nem percebe que leva os dedos à boca. O ato acontece durante tarefas comuns, como assistir televisão, estudar ou usar o celular. Assim, o hábito se instala de forma automática e constante.

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A ansiedade aparece como uma das principais explicações para roer unhas. Quando a mente entra em estado de alerta constante, o corpo busca válvulas de escape. Roer unhas reduz a tensão de forma momentânea e cria uma sensação rápida de controle. Dessa forma, o cérebro associa o gesto a um alívio imediato.

Profissionais de psicologia descrevem o hábito como uma resposta aprendida ao estresse. Em situações de prova, reuniões ou conflitos, o ato se intensifica. Com o tempo, a pessoa passa a roer unhas também em momentos neutros. O comportamento deixa de depender apenas de situações estressantes e se torna mais frequente.

Roer unhas é um tipo de compulsão?

Muitos estudos classificam o hábito como um comportamento repetitivo relacionado ao controle de impulsos. Nesses casos, a pessoa sente uma urgência interna para mexer nas unhas, cutículas ou pele ao redor. Após o gesto, surge uma breve sensação de alívio, seguida, às vezes, por incômodo com o resultado.

Especialistas em psiquiatria explicam que esse padrão se aproxima de outras compulsões corporais, como puxar fios de cabelo ou cutucar a pele. Contudo, o diagnóstico depende de critérios específicos. Entre eles, aparecem a perda de tempo, o prejuízo social e o sofrimento psicológico. Quando esses sinais surgem, a recomendação indica uma avaliação profissional detalhada.

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Relatos de pessoas que roem unhas mostram experiências parecidas. Muitos dizem que o hábito começa em momentos de tédio, preocupação ou frustração. Outros mencionam que continuam mesmo quando sentem dor nos dedos. Esses depoimentos apontam para um ciclo difícil de interromper sem apoio adequado.

Fatores genéticos, culturais e sociais do hábito de roer unhas

Pesquisas recentes sugerem que fatores genéticos também influenciam o hábito de roer unhas. Em algumas famílias, vários membros apresentam o mesmo comportamento. Essa repetição aponta para uma possível herança biológica, associada ao modo como o cérebro regula impulsos e emoções.

No entanto, o ambiente social exerce papel importante. Crianças observam adultos ou colegas roendo unhas e podem repetir o gesto. Em certos grupos, o comportamento se torna quase invisível, porque muita gente faz o mesmo. Assim, o hábito ganha uma espécie de normalização cultural.

Ao mesmo tempo, a sociedade cobra uma aparência cuidada das mãos. Por isso, muitas pessoas relatam constrangimento em ambientes profissionais ou afetivos. Esse contraste entre aceitação silenciosa e crítica estética cria um cenário complexo. O hábito permanece comum, porém provoca impacto na autoestima e na imagem pessoal.

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roer unha – depositphotos.com / VGeorgiev
Foto: Giro 10

Impactos na saúde e no bem-estar geral

Roer unhas afeta não só a aparência, mas também a saúde. A região dos dedos acumula microrganismos que entram em contato com a boca. Dessa maneira, o hábito pode favorecer infecções e irritações. Além disso, o desgaste constante prejudica o crescimento das unhas e danifica a pele ao redor.

Dentistas relatam casos de desgaste no esmalte dentário e alterações na mordida. Ao aplicar força repetida sobre as unhas, a pessoa sobrecarrega músculos e articulações da mandíbula. Em situações intensas, podem surgir dores locais e sensibilidade aumentada.

No campo emocional, muitas pessoas descrevem sentimentos de vergonha em encontros sociais. Algumas evitam mostrar as mãos em fotos, reuniões ou atividades que exigem contato direto. Esse comportamento de esconder os dedos reforça o ciclo de insatisfação e desconforto.

Quais estratégias ajudam a controlar ou superar o hábito?

Profissionais de saúde recomendam uma combinação de abordagens para lidar com o hábito. Em primeiro lugar, sugerem o mapeamento de gatilhos. A pessoa observa em quais momentos tende a roer unhas. Com essa informação, fica mais fácil planejar alternativas.

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Algumas medidas práticas costumam aparecer entre as orientações:

  • Manter as unhas aparadas para reduzir a tentação de mordê-las.
  • Usar esmaltes específicos com sabor amargo, indicados por profissionais.
  • Adotar objetos substitutos, como bolinhas antiestresse ou elásticos.
  • Hidratar as mãos para diminuir cutículas soltas e rachaduras.

A terapia cognitivo-comportamental aparece com frequência nas recomendações de psicólogos. Essa abordagem ajuda a identificar pensamentos automáticos ligados ao hábito. Em seguida, o profissional orienta a substituição por ações mais saudáveis. Assim, a pessoa aprende a responder ao estresse de outra forma.

  1. Reconhecer o momento em que leva a mão à boca.
  2. Pausar o gesto e respirar profundamente algumas vezes.
  3. Ocupar as mãos com outra atividade rápida.
  4. Anotar o gatilho em um caderno ou aplicativo.

Esse passo a passo incentiva a criação de um novo padrão de resposta. O processo exige tempo e persistência, porém reduz a frequência do hábito. Em alguns casos, profissionais avaliam o uso de medicação para quadros de ansiedade ou compulsão mais intensos.

Por que roer unhas continua tão comum?

Roer unhas se mantém comum porque oferece alívio rápido, exige pouco esforço e passa quase despercebido em muitos contextos. O hábito se encaixa em rotinas agitadas, marcadas por prazos curtos e alta cobrança. Em um cenário assim, comportamentos automáticos ganham espaço.

Além disso, o tema ainda recebe pouca atenção em conversas cotidianas. Muitas pessoas enxergam o ato apenas como um "vício leve". Por isso, demoram para buscar ajuda especializada. Quando procuram orientação, já enfrentam prejuízos na saúde bucal, na pele e na autoestima.

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Ao compreender as causas psicológicas, comportamentais e biológicas do hábito, torna-se possível adotar estratégias mais eficazes. Com apoio profissional, informação de qualidade e mudanças graduais na rotina, muitas pessoas conseguem reduzir ou superar o comportamento e recuperar o cuidado com as mãos e com o próprio bem-estar.

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