Déficit calórico: os motivos que impedem a perda de peso

Descubra os verdadeiros motivos que impedem o emagrecimento com déficit calórico e aprenda estratégias eficazes para finalmente secar

2 fev 2026 - 11h01

O tema emagrecimento com déficit calórico gera muitas dúvidas. Muitas pessoas reduzem a ingestão de calorias, seguem dietas rígidas e, mesmo assim, observam pouco resultado na balança. Essa situação costuma gerar frustração e confusão, mas quase sempre envolve fatores fisiológicos, comportamentais ou de cálculo inadequado.

Antes de atribuir o insucesso apenas à força de vontade, vale entender melhor como o corpo reage. O organismo tenta se adaptar à redução de energia. Por isso, ele ajusta hormônios, reduz o gasto calórico diário e altera a fome. Assim, o simples "comer menos" nem sempre garante que o emagrecimento aconteça como o esperado.

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Obesidade – depositphotos.com / AndrewLozovyi
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Foto: Giro 10

Déficit calórico realmente existe? Entenda o cálculo

O primeiro ponto envolve a própria ideia de déficit calórico. Muitas pessoas acreditam que consomem menos calorias do que gastam, porém os números nem sempre batem. Erros de medição, embalagens imprecisas e porções maiores que o previsto alteram tudo. Além disso, aplicativos e calculadoras oferecem apenas estimativas.

Para avaliar o déficit e entender porque não há perda de peso, é importante considerar três frentes principais:

  • Calorias ingeridas: quantidade real de alimentos e bebidas consumidas ao longo do dia.
  • Gasto basal: energia que o corpo usa para manter funções vitais em repouso.
  • Atividade física e movimento diário: exercícios, trabalho e pequenas ações, como caminhar.

Quando a pessoa subestima o que come e superestima o que gasta, o suposto déficit desaparece. Isso ocorre com frequência. Pequenos lanches, bebidas alcoólicas, molhos e "beliscos" elevam bastante a ingestão calórica. Por isso, um registro alimentar detalhado ajuda a enxergar melhor o cenário.

Quais os motivos hormonais que dificultam o emagrecimento?

Mesmo com um déficit calórico real, alguns fatores hormonais dificultam a perda de peso. Alterações na tireoide, como hipotireoidismo, reduzem o metabolismo. Dessa forma, o corpo gasta menos energia em repouso. Doenças como síndrome dos ovários policísticos também interferem na perda de peso e na sensibilidade à insulina.

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Além disso, o estresse crônico aumenta o cortisol. Esse hormônio influencia o acúmulo de gordura abdominal e o apetite. O sono ruim também participa desse quadro. Com poucas horas de sono, a grelina sobe e a leptina cai. Assim, a fome aumenta e a saciedade diminui. Esses mecanismos dificultam o controle alimentar, mesmo em quem tenta seguir um plano.

Nesses casos, o acompanhamento médico torna-se essencial. Inclusive, exames laboratoriais avaliam hormônios, glicemia e perfil metabólico. Com essas informações, o profissional ajusta o tratamento. Em paralelo, um nutricionista adapta o plano alimentar às necessidades individuais, respeitando a condição de saúde.

Retenção de líquidos, massa magra e adaptações do corpo: a perda de peso

Outro fator que confunde muitas pessoas envolve a balança. O peso não reflete apenas gordura corporal. Ele inclui água, músculos, conteúdo intestinal e glicogênio. Mudanças nesses componentes mascaram a perda de gordura. Um aumento na ingestão de sal, por exemplo, favorece a retenção de líquidos e altera o peso diário.

Durante o processo de emagrecimento, o corpo também reduz o gasto calórico. Isso acontece porque ele tenta preservar energia. O organismo entende o déficit como um possível risco de escassez. Então, ele diminui movimentos espontâneos, reduz o NEAT e ajusta hormônios da fome. Sem perceber, a pessoa passa a se mexer menos.

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O treino de musculação exerce papel importante nessa fase. O estímulo de força ajuda a preservar massa magra. Quando o corpo mantém mais músculo, o metabolismo permanece mais ativo. Por isso, muitos profissionais sugerem combinar déficit calórico moderado com treino de resistência. Essa estratégia equilibra o processo e reduz perdas indesejadas de massa muscular.

Comportamento, medicação e outros fatores escondidos

Questões emocionais também interferem no emagrecimento, mesmo com déficit calórico planejado. Episódios de compulsão, alimentação automática à noite e "recompensas" alimentares quebram o plano. Muitas dessas situações ocorrem em momentos de cansaço ou estresse intenso. A pessoa lembra da dieta nas refeições principais, mas esquece dos lanches calóricos.

Alguns medicamentos dificultam o controle do peso. Antidepressivos, corticoides e certos antipsicóticos, por exemplo, podem favorecer ganho de gordura ou retenção de líquidos. Nesse contexto, o ajuste da medicação só deve ocorrer com acompanhamento profissional. A prática de atividade física regular e uma alimentação organizada ajudam a compensar parte desses efeitos.

Para entender melhor as causas da estagnação e da não perda de peso, muitos especialistas sugerem alguns passos:

  1. Registrar a alimentação por alguns dias, incluindo bebidas e pequenos lanches.
  2. Verificar qualidade do sono e rotina de descanso semanal.
  3. Avaliar níveis de estresse e situações que disparam episódios de exagero alimentar.
  4. Checar exames médicos, quando indicado, para investigar alterações hormonais.
  5. Ajustar o plano de exercícios, com foco em musculação e movimento diário.

Quando a pessoa entende esses fatores, o déficit calórico deixa de ser apenas um número. O processo de emagrecimento passa a considerar corpo, mente e rotina. Com isso, as estratégias ganham mais consistência e se alinham às necessidades reais de cada indivíduo.

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Obesidade – depositphotos.com / Javidestock
Foto: Giro 10
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