Crise convulsiva: o que fazer? Veja o passo a passo

Caso envolvendo ator no BBB reacende alerta sobre convulsões, epilepsia e a importância de saber como agir corretamente

16 jan 2026 - 11h25

A crise convulsiva voltou ao centro das atenções após o ator Henri Castelli apresentar dois episódios durante e após uma prova de resistência no BBB 26.

Veja o que fazer quando presenciar uma crise convulsiva? Foto: reprodução/ Instagram @henricastelli
Veja o que fazer quando presenciar uma crise convulsiva? Foto: reprodução/ Instagram @henricastelli
Foto: Saúde em Dia

O participante foi levado ao hospital após a primeira crise e precisou de novo atendimento médico horas depois, reacendendo o debate sobre epilepsia, fatores desencadeantes e, principalmente, sobre como agir corretamente diante desse tipo de situação.

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Apesar de assustarem, as convulsões são mais comuns do que se imagina e podem acontecer com qualquer pessoa, mesmo sem diagnóstico prévio de epilepsia. Saber o que fazer - e o que não fazer - é fundamental para evitar ferimentos, reduzir riscos e preservar vidas.

O que é uma crise convulsiva?

A crise convulsiva é um evento súbito provocado por uma descarga elétrica anormal no cérebro. Ela pode se manifestar de diferentes formas, como:

  • Movimentos involuntários do corpo

  • Rigidez muscular

  • Perda ou alteração da consciência

  • Olhar fixo ou desconectado

  • Mudanças abruptas de comportamento

Esses episódios não acontecem apenas em pessoas com epilepsia. Fatores como privação de sono, estresse extremo, desidratação, uso de álcool, infecções, febre ou alterações metabólicas podem desencadear uma convulsão.

Convulsão é sempre epilepsia?

Não. Ter uma crise convulsiva não significa, necessariamente, ter epilepsia. A epilepsia é caracterizada pela recorrência de crises sem um fator desencadeante imediato.

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Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 65 milhões de pessoas vivem com epilepsia no mundo. No Brasil, estima-se que mais de 2 milhões de pessoas convivam com a condição.

A Liga Brasileira de Epilepsia (LBE) reforça que a epilepsia é altamente tratável. Aproximadamente 70% dos pacientes poderiam viver livres de crises se tivessem diagnóstico correto e acesso ao tratamento adequado.

Tratamento da epilepsia é acessível?

De acordo com a presidente da Liga Brasileira de Epilepsia, Letícia Pereira de Brito Sampaio, o tratamento medicamentoso é a abordagem inicial mais comum.

"O tratamento medicamentoso consiste no uso de medicamentos anticonvulsivantes, que ajudam a reduzir ou eliminar as crises ao estabilizar a atividade elétrica cerebral. A maioria dos medicamentos anticrise são distribuídos pelo SUS", explica.

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Além dos medicamentos, existem outras abordagens terapêuticas indicadas em casos específicos:

  • Dieta cetogênica

  • Uso de canabidiol (CBD) para algumas síndromes epilépticas

  • Cirurgia ressectiva, em situações selecionadas

Todas essas opções exigem avaliação médica especializada.

Crise convulsiva: o que fazer na hora?

Saber como agir durante uma crise convulsiva é essencial. A Liga Brasileira de Epilepsia orienta a população a seguir protocolos simples e seguros.

Protocolo CALMA: passo a passo

C - Conservar a calma

Manter a tranquilidade ajuda a proteger a pessoa e evitar atitudes perigosas.

A - Afastar objetos que possam machucar

Retire móveis, objetos pontiagudos ou qualquer item que represente risco de ferimentos.

L - Lateralizar a cabeça

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Coloque a pessoa de lado para facilitar a respiração e evitar aspiração de saliva ou vômito.

M - Marcar o tempo da crise

Observe quanto tempo a convulsão dura. Essa informação é essencial para a equipe médica.

A - Acionar ajuda médica, se necessário

Se a crise durar mais de cinco minutos ou ocorrer em sequência, procure atendimento de emergência.

O que NÃO fazer durante uma crise convulsiva

Algumas atitudes comuns podem colocar a pessoa em risco. Durante uma crise convulsiva, nunca:

  • Coloque objetos ou dedos na boca

  • Tente imobilizar a pessoa

  • Ofereça água, alimentos ou medicamentos

  • Jogue água ou tente acordá-la

Essas ações podem causar engasgos, fraturas ou outros ferimentos.

Quando chamar o atendimento de emergência?

O socorro médico deve ser acionado imediatamente se:

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  • A crise durar mais de cinco minutos

  • Houver crises em sequência

  • For a primeira crise da vida

  • A pessoa se machucar gravemente

  • Houver dificuldade respiratória após a convulsão

Segundo Taissa, tesoureira da Liga Brasileira de Epilepsia: 

"Informação salva vidas. Saber como agir corretamente evita ferimentos, reduz riscos e protege tanto quem está convulsionando quanto quem presta ajuda."

Plano de Ação para Crises Epilépticas (PACE)

Além do protocolo CALMA, a LBE orienta o uso do Plano de Ação para Crises Epilépticas (PACE). Esse instrumento organiza informações essenciais do paciente, facilitando o atendimento em situações de emergência.

Para que serve o PACE?

  • Orienta familiares e cuidadores

  • Define condutas específicas para cada paciente

  • Indica quando e como agir

  • Facilita a comunicação com equipes de saúde

A recomendação é que cada paciente discuta com seu médico qual a melhor conduta em caso de crise. As informações devem estar sempre acessíveis, permitindo consulta rápida quando necessário.

O cartão do PACE e materiais explicativos estão disponíveis no site oficial da Liga Brasileira de Epilepsia.

Informação combate mitos e preconceitos

Casos de grande visibilidade, como o ocorrido no BBB, reforçam a importância da educação em saúde. A falta de informação ainda alimenta mitos e preconceitos em torno da epilepsia e das crises convulsivas.

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Ampliar o acesso a orientações corretas ajuda a:

  • Reduzir riscos

  • Proteger pacientes e cuidadores

  • Combater o estigma

  • Promover uma abordagem mais segura e empática

Saber como agir diante de uma crise convulsiva é um ato de cuidado, responsabilidade e respeito à vida.

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