Com previsão de mais de 78 mil novos casos anuais no Brasil até 2028, o câncer de mama exige atenção que vai além do corpo, integrando também a saúde mental. A campanha do Outubro Rosa desmistifica crenças como a exclusividade feminina da doença ou a imunidade sem histórico familiar, destacando que a ausência de sintomas não anula a necessidade de exames preventivos, indicados formalmente dos 50 aos 74 anos. Assim, o acolhimento psicológico é vital desde o diagnóstico até o pós-tratamento.
O Outubro Rosa é um importante momento para ampliar a informação sobre o câncer de mama, incentivar a prevenção e lembrar que cuidar da saúde envolve tanto o corpo quanto a mente
No Brasil, o câncer de mama está entre os tipos de câncer de maior incidência na população feminina, com estimativa de mais de 78 mil novos casos por ano até 2028, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA, 2026).
Diante desse cenário, o acesso à informação confiável torna-se fundamental para a promoção da saúde. Para Patrícia França, psicóloga especialista em promoção da saúde da Mental Clean, cuidar de forma integral significa acolher as emoções e reconhecer a saúde mental como parte indispensável do bem-estar e da atenção à própria saúde.
"Promover a saúde é olhar para o corpo e para as emoções com atenção, respeitando os próprios limites e reconhecendo as necessidades de cada momento. Isso significa buscar informações confiáveis, apoio e acompanhamento adequado, entendendo que cuidar de si também é acolher as próprias vulnerabilidades, sem a cobrança de estar bem o tempo todo", destaca a psicóloga.
Conheça 5 mitos sobre o câncer de mama
"Se não tenho histórico familiar, não preciso me preocupar"
Ter familiares com câncer de mama pode aumentar o risco, especialmente em casos relacionados a determinadas alterações genéticas. Porém, a ausência de histórico familiar não significa que uma pessoa esteja livre do risco. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), aproximadamente 80% dos cânceres de mama ocorrem em mulheres sem fatores de risco específicos além do sexo e da idade;
"Câncer de mama só acontece com mulheres"
Embora seja muito mais comum entre mulheres, homens também podem desenvolver a doença. A OMS estima que aproximadamente 0,5% a 1% dos casos de câncer de mama ocorrem em homens. Por ser menos conhecido nesse público, o câncer de mama masculino pode ser identificado tardiamente. Por isso, alterações nas mamas merecem atenção independentemente do sexo;
"Se eu não sentir nenhum sintoma, não preciso fazer acompanhamento"
O câncer de mama pode não apresentar sintomas em suas fases iniciais. É justamente por isso que a detecção precoce é tão importante. Alterações como nódulo na mama ou axila, mudança no formato ou na pele da mama, retração do mamilo ou saída espontânea de líquido pelo mamilo devem ser avaliadas por um profissional de saúde, mesmo quando não provocam dor;
"Quanto mais cedo começar a fazer mamografia, melhor"
O rastreamento deve considerar os benefícios e os possíveis riscos, como resultados falso-positivos e investigações desnecessárias. Atualmente, o Ministério da Saúde e o INCA recomendam a mamografia de rotina para mulheres de 50 a 74 anos, a cada dois anos. Pessoas com risco elevado precisam de acompanhamento individualizado;
"Cuidar da saúde mental não tem relação com o câncer de mama"
A saúde mental faz parte do cuidado integral em todas as fases da vida, inclusive antes, durante e depois de um diagnóstico de câncer. Reconhecer o sofrimento emocional, buscar apoio e respeitar os próprios limites são atitudes importantes para o bem-estar. Esse cuidado também pode ajudar a lidar com o medo dos exames, a ansiedade diante dos resultados e as dúvidas sobre a própria saúde.
"Quando há um diagnóstico, o apoio psicológico pode contribuir para enfrentar a ansiedade, as mudanças na imagem corporal e os impactos na autoestima, nos relacionamentos e na vida profissional. Essas necessidades emocionais podem persistir mesmo após o tratamento. Cuidar da saúde mental não significa manter uma atitude positiva o tempo todo, mas ter espaço para expressar sentimentos, falar sobre as dificuldades e receber apoio", destaca Patrícia França.
É importante lembrar que o autocuidado não deve ser motivo de culpa ou cobrança. O acesso à informação, aos serviços de saúde e ao suporte emocional também depende de condições sociais e estruturais. Promover o cuidado integral significa acolher as necessidades de cada pessoa e facilitar o acesso ao acompanhamento adequado.