Sabia que o aroma do café pode ajudar a diminuir o tabagismo? Entenda

O cheiro da bebida está sendo estudado para fins medicinais com o objetivo de diminuir o vício no cigarro; conheça mais sobre a pesquisa brasileira

21 out 2026 - 18h43
Resumo
Um estudo pioneiro do Instituto D'Or revelou que o aroma do café pode auxiliar na redução do tabagismo ao atuar no sistema de recompensa cerebral. Em testes preliminares, a inalação do odor reduziu a vontade imediata de fumar entre os voluntários. Com patentes concedidas nos Estados Unidos, Europa e Ásia, os pesquisadores desenvolvem agora um dispositivo eletrônico terapêutico à base de compostos do café para combater o vício, que afeta mais de 1,2 bilhão de pessoas no mundo.

Quem nunca já passou por aquela experiência de sentir o cheirinho do café e ter aquela sensação boa? Para muitas pessoas, ele pode despertar a vontade de preparar a bebida, outras podem lembrar de alguém querido. Mas você sabia que o aroma do café pode ajudar a reduzir o tabagismo? É o que diz um estudo realizado pelo Instituto D'Or de Pesquisa e Ensino (IDOR). Confira:

Estudo descobre que aroma do café pode ajudar a diminuir vício no cigarro
Estudo descobre que aroma do café pode ajudar a diminuir vício no cigarro
Foto: Canva Pro/Artem Varnitsin / Bons Fluidos

Como funciona?

Em 2014, os pesquisadores chegaram à uma conclusão de que a fragrância do café alcança a região do cérebro responsável pelo sistema de recompensas, inclusive o núcleo acumbens - onde as substâncias psicoativas da cocaína atuam, por exemplo. "Ele é ativado com atividades prazerosas como, por exemplo, escutar música, ter relações sexuais, tudo que dá prazer, beber água inclusive, mas também é um sistema que pode ser mal utilizado", conta uma das pesquisadoras, Silvia Oigman, à Agência Brasil.

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A descoberta

A partir desta descoberta, os especialistas realizaram um ensaio com 60 fumantes em 2022. Desses, metade fez a experiência com o cheiro, e a outra inalou uma fragrância neutra à base de sabão. 50% do primeiro grupo sentiu a necessidade de fumar logo depois da experiência contra 73,3% do segundo. "Na prática, não houve diferença estatística. Porém, é um resultado considerado indicador de potencial dessa abordagem, inclusive porque era um ensaio clínico piloto. Estávamos fazendo um estudo prévio com a fragrância do pó do café, não a fragrância final que esperamos empregar para um paciente de fato", explica Oigman ao portal.

Próximos passos

O objetivo final é utilizar uma formulação terapêutica que está sendo desenvolvida à base de voláteis do café e será colocada em um dispositivo eletrônico.

Projeto pioneiro

Esta, segundo a entrevistada, é a primeira vez que um projeto deste porte foi desenvolvido. Por isso, os resultados fizeram com que Estados Unidos, Europa e Ásia concedessem patentes ao estudo.

A importância se faz tanta pois, segundo dados mais recentes da Organização Mundial da Saúde (OMS), existem 1,25 bilhão de adultos fumantes no mundo. O vício deste tipo mata mais de 8 milhões de pessoas por ano.

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