Brasileiros evitam treinar pernas e especialistas alertam para riscos do desequilíbrio

Por que o homem evita treinar pernas? Esse questionamento revela um dos maiores clichês na academia. Muitas vezes, o treino de membros inferiores fica de lado por questões sociais e psicológicas. No entanto, esse comportamento impacta diretamente a saúde e a estética masculinas, dificultando o equilíbrio corporal e o rendimento físico. Entender a origem desse fenômeno é o primeiro passo para transformar hábitos e valorizar a importância dos exercícios de perna na rotina fitness masculina.

8 set 2026 - 14h31
Resumo
Um levantamento do app Befit com 175 mil usuários revelou que padrões estéticos geram treinos desequilibrados no Brasil: enquanto 77% dos homens priorizam peito e braços e menos da metade foca em pernas, 80% das mulheres elegem glúteos e pernas, negligenciando o peito. O abdômen é consenso geral, buscado por 74%. Especialistas alertam que ignorar certos grupos musculares afeta força, mobilidade e postura, sobrecarregando articulações e reforçando a necessidade de treinar o corpo por completo.

A piada de que homem não treina perna vem se mostrando verdadeira, ao menos no Brasil. Um levantamento do aplicativo de musculação Befit, com mais de 175 mil usuários, mostrou que menos da metade dos homens (49%) colocam a perna entre as prioridades do treino.

Foto: Microgen
Foto: Microgen
Foto: Sport Life

No ranking masculino, peito aparece no topo, citado por 77% dos participantes. Braços vêm logo atrás, com 76%, enquanto glúteos ocupam a última posição, lembrados por somente 13% deles.

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Quais músculos brasileiros mais priorizam?

O abdômen é o grande consenso nacional na musculação. A região foi citada por 74% dos usuários do aplicativo e lidera o panorama geral dos músculos mais desejados no treino.

Depois, aparecem perna, com 64%, braços, com 62%, e glúteos, com 49%. Costas foram mencionadas por 47%, enquanto peito e ombros empataram com 44%.

Entre os homens, a preferência reforça a busca pelo chamado "shape de espelho". Peito, braços e abdômen são áreas mais visíveis de frente e, por isso, costumam receber mais atenção.

Já entre as mulheres, o cenário muda bastante. Glúteos lideram com 80% das escolhas, seguidos por perna, com 78%; peito aparece na última colocação, priorizado por 15% das participantes.

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Por que tantos homens deixam a perna de lado?

Para Antônio Brandão, especialista em treinamento de força e consultor do Befit, os números falam mais sobre padrões estéticos do que sobre uma estratégia eficiente de treino.

"O homem treina o que vê de frente: peito, braço, abdômen. A mulher, historicamente pressionada pelo padrão de glúteos e pernas, faz o caminho contrário. Nos dois casos, o corpo cobra a conta do que ficou de fora", afirma Antônio Brandão, especialista em treinamento de força e consultor do Befit.

Na prática, ter um objetivo estético não é o problema. Querer desenvolver braços, construir glúteos ou definir o abdômen é legítimo, desde que o foco não faça outros grupos musculares desaparecerem completamente da rotina.

A famosa cena de tronco muito desenvolvido e pernas pouco trabalhadas rende meme, mas também pode revelar um treino desequilibrado. E isso tende a afetar força, mobilidade e até a forma como o corpo lida com as tarefas comuns do dia.

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O que acontece ao ignorar a perna?

Perna e glúteos reúnem alguns dos maiores grupos musculares do corpo. Eles participam de movimentos fundamentais, como caminhar, subir escadas, agachar, correr, carregar compras e levantar da cadeira.

Segundo Brandão, músculos fortes nessa região ajudam a sustentar a saúde de joelhos, quadril e coluna. Além disso, exercícios para membros inferiores costumam envolver grande massa muscular e elevam o gasto energético durante o treino.

"Glúteo fraco não é um problema estético, é um problema funcional. Está associado à sobrecarga na lombar e nos joelhos", explica Antônio Brandão, especialista em treinamento de força e consultor do Befit.

Isso não significa que todo treino precisa ter o mesmo volume para cada músculo. Quem quer ganhar pernas pode dedicar mais séries a elas, por exemplo, mas ainda deve manter estímulos para costas, peito, ombros, braços e abdômen.

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Mulheres também podem negligenciar músculos importantes

O levantamento mostra que mulheres costumam priorizar glúteos e perna, enquanto o treino de peito recebe pouca atenção. Nesse caso, a lógica do desequilíbrio também vale.

Peito, ombros e costas contribuem para movimentos de empurrar e puxar. Eles também ajudam na postura e na força necessária para atividades diárias, como carregar uma mochila, erguer uma criança ou guardar objetos mais pesados.

"Ainda existe o mito de que treinar peito 'masculiniza' o corpo da mulher. Não faz sentido fisiológico. O que o treino de peito e ombros entrega para elas é postura, força funcional e equilíbrio muscular", diz Antônio Brandão, especialista em treinamento de força e consultor do Befit.

O melhor plano é aquele que respeita o objetivo individual, a experiência de treino e possíveis limitações. Mas ignorar totalmente uma parte do corpo dificilmente será uma boa escolha a longo prazo.

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Abdômen definido depende só de abdominal?

Também não. O abdômen é o músculo mais buscado por homens e mulheres no levantamento, com 73% e 75% das citações, respectivamente. Porém, fazer centenas de repetições não garante a tão sonhada definição.

A aparência do abdômen depende muito do percentual de gordura corporal, que se relaciona à alimentação, à rotina de treinos, ao sono e à constância. Os exercícios específicos continuam úteis para fortalecer a região, mas não trabalham sozinhos.

"O abdômen que as pessoas querem ver é resultado muito mais do percentual baixo de gordura, que depende de dieta e constância no treino como um todo, do que de séries infinitas de abdominais", afirma Antônio Brandão, especialista em treinamento de força e consultor do Befit.

A lição é simples: pode ter foco, sim. Só não vale transformar peito, braço, glúteo ou perna na única prioridade da semana.

Como montar um treino mais equilibrado?

Um treino bem distribuído não precisa ser complicado. A ideia é incluir, ao longo da semana, estímulos para os principais grupos musculares e ajustar o volume conforme a meta de cada pessoa.

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  • Inclua exercícios para perna e glúteos, como agachamentos, avanços, leg press e levantamento terra, com orientação profissional.

  • Reserve movimentos para costas, peito e ombros, como remadas, puxadas, supino e desenvolvimento.

  • Trabalhe braços e abdômen como complemento, sem deixar que eles monopolizem a rotina.

  • Dê atenção à execução, à progressão de carga e ao descanso entre os treinos.

  • Procure um profissional de educação física para adaptar o plano ao seu condicionamento, histórico de lesões e objetivos.

Como resume Brandão, não há problema em ter uma região favorita. "Não há problema em ter um foco. O problema é o foco virar exclusividade", conclui o especialista.

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