Asfixia neonatal: entenda os riscos e sintomas no nascimento

A asfixia neonatal é uma condição que ocorre quando o recém-nascido não recebe oxigênio suficiente antes, durante ou logo após o parto. Essa falta de oxigenação afeta diversos órgãos, sobretudo o cérebro, e exige intervenção imediata da equipe de saúde. Profissionais de obstetrícia e neonatologia acompanham o tema de perto, justamente por ele se ligar […]

7 fev 2026 - 06h33

A asfixia neonatal é uma condição que ocorre quando o recém-nascido não recebe oxigênio suficiente antes, durante ou logo após o parto. Essa falta de oxigenação afeta diversos órgãos, sobretudo o cérebro, e exige intervenção imediata da equipe de saúde. Profissionais de obstetrícia e neonatologia acompanham o tema de perto, justamente por ele se ligar diretamente à segurança do bebê nos primeiros instantes de vida.

Em muitos casos, a asfixia ao nascer se associa a complicações na gestação, no trabalho de parto ou no próprio momento do nascimento. Partos prolongados ou alterações na placenta, por exemplo, contribuem para esse quadro. Quanto mais cedo a equipe identifica e trata o problema, maiores se tornam as chances de reduzir impactos a longo prazo. Por isso, compreender o que é asfixia neonatal e como ela se manifesta ajuda famílias e profissionais a reconhecer sinais de alerta.

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bebe – depositphotos.com / Luljo
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Foto: Giro 10

O que vem a ser asfixia neonatal?

A asfixia neonatal, também chamada de asfixia perinatal, se caracteriza pela redução ou interrupção do suprimento de oxigênio e de sangue rico em nutrientes para o bebê em um período crítico. Esse período começa pouco antes do parto, segue durante a passagem pelo canal de parto e inclui os instantes logo após o nascimento. Nessa situação, o organismo do recém-nascido entra em estado de sofrimento, o que se reflete na cor da pele, nos batimentos cardíacos e na respiração.

Em termos médicos, esse quadro corresponde a uma situação de hipóxia (falta de oxigênio) e isquemia (diminuição de fluxo sanguíneo). Esses eventos podem provocar desde alterações leves e reversíveis até danos neurológicos permanentes, dependendo da intensidade e da duração do episódio. A equipe realiza a avaliação com base em parâmetros clínicos, exames complementares e no escore de Apgar. Os profissionais utilizam esse escore logo após o nascimento para mensurar a vitalidade do recém-nascido.

Esse tipo de asfixia não se relaciona apenas ao momento do parto. Situações como descolamento prematuro de placenta, prolapso de cordão umbilical, infecções graves na gestação ou pressão arterial muito elevada na gestante comprometem o fluxo de oxigênio para o feto ainda dentro do útero. Por isso, o acompanhamento pré-natal adequado exerce papel relevante na prevenção de parte desses episódios.

Quais são as principais causas e fatores de risco da asfixia neonatal?

As causas da asfixia neonatal são variadas e geralmente envolvem uma combinação de fatores maternos, placentários e relacionados ao próprio bebê. Entre esses fatores, muitos especialistas destacam problemas na circulação entre mãe e feto, alterações no trabalho de parto e condições que limitam a passagem de oxigênio ao recém-nascido.

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Entre as causas e fatores de risco mais frequentes, destacam-se:

  • Complicações placentárias: descolamento prematuro de placenta, placenta prévia ou insuficiência placentária comprometem o aporte de oxigênio.
  • Problemas no cordão umbilical: nó verdadeiro, enovelamento apertado em torno do pescoço (circular de cordão) ou prolapso de cordão, quando o cordão sai antes do bebê.
  • Trabalho de parto prolongado ou muito rápido: alterações no ritmo das contrações podem comprometer a oxigenação fetal e aumentar o risco de sofrimento.
  • Doenças maternas: hipertensão grave, diabetes descompensado, infecções sistêmicas ou hemorragias intensas reduzem a oferta de oxigênio para o feto.
  • Prematuridade extrema ou baixo peso ao nascer: bebês muito imaturos apresentam maior vulnerabilidade a episódios de falta de oxigênio.

Nem sempre, porém, a equipe consegue apontar uma única causa para a asfixia ao nascer. Em alguns casos, mesmo com pré-natal adequado e parto assistido, o quadro surge de forma súbita e exige resposta rápida da equipe de atendimento.

Como identificar os sinais e sintomas da asfixia ao nascer?

Os sinais de asfixia neonatal geralmente aparecem logo ao nascimento ou nos primeiros minutos de vida. A equipe de saúde observa de perto a respiração, o choro, o tônus muscular e a coloração da pele do bebê para detectar qualquer alteração. Em situações de falta de oxigênio, esses parâmetros se modificam de maneira marcante.

Entre os principais sinais e sintomas associados à asfixia neonatal, podem estar presentes:

  • Respiração fraca, irregular ou ausente nos primeiros instantes após o parto.
  • Choro fraco ou ausência de choro ao nascer, mesmo após estímulos iniciais.
  • Cor da pele azulada ou muito pálida, o que indica possível cianose e baixa oxigenação.
  • Movimentos pouco vigorosos e diminuição do tônus muscular, com o bebê mais "mole".
  • Alterações na frequência cardíaca, como batimentos muito lentos ou irregulares.

O escore de Apgar, aplicado geralmente no primeiro e no quinto minuto de vida, auxilia essa avaliação inicial. Pontuações mais baixas sugerem sofrimento ao nascimento e orientam de forma objetiva a necessidade de medidas de reanimação e monitorização intensiva.

Como é feito o tratamento e o cuidado após a asfixia neonatal?

O manejo da asfixia neonatal começa na sala de parto, com protocolos de reanimação neonatal bem estabelecidos. Quando o bebê apresenta dificuldade respiratória ou ausência de movimentos respiratórios, a equipe inicia manobras específicas. Essas manobras incluem estímulos táteis, ventilação com máscara e balão, oxigênio suplementar e, em casos mais graves, intubação orotraqueal e massagem cardíaca.

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Depois da estabilização inicial, o recém-nascido segue para uma unidade de terapia intensiva neonatal ou unidade de cuidados intermediários, conforme a gravidade do quadro. Nesses locais, os profissionais monitoram parâmetros como frequência cardíaca, saturação de oxigênio, pressão arterial e temperatura. Dependendo da situação, a equipe pode aplicar estratégias como:

  1. Suporte ventilatório: uso de ventilação mecânica ou pressão positiva contínua para manter trocas gasosas adequadas e estáveis.
  2. Controle rigoroso de glicemia e eletrólitos: monitorização frequente para evitar desequilíbrios que possam agravar o quadro neurológico.
  3. Neuroproteção: em alguns serviços, utilização de resfriamento controlado (hipotermia terapêutica) em casos selecionados de encefalopatia hipóxico-isquêmica.
  4. Acompanhamento neurológico e exames de imagem: realização de ultrassom transfontanela, tomografia ou ressonância magnética, quando indicado.

Mesmo após a alta hospitalar, muitos recém-nascidos que passaram por episódios de asfixia perinatal permanecem em programas de seguimento. Esses programas incluem avaliação de desenvolvimento motor, cognitivo e comportamental ao longo da infância, além de orientações constantes para a família.

É possível prevenir a asfixia neonatal?

A prevenção da asfixia ao nascer envolve uma série de medidas que começam ainda no pré-natal e seguem até o atendimento na sala de parto. Embora ninguém consiga eliminar completamente o risco, a identificação precoce de situações de perigo e a preparação da equipe reduzem de forma significativa a probabilidade de desfechos graves.

Algumas estratégias consideradas importantes pelos serviços de saúde incluem:

  • Pré-natal regular: acompanhamento adequado permite diagnosticar doenças maternas, alterações de crescimento fetal e problemas na placenta com antecedência.
  • Planejamento do parto: escolha do local com estrutura para atendimento de emergências obstétricas e neonatais, incluindo equipe treinada.
  • Monitorização do trabalho de parto: uso de cardiotocografia e avaliação clínica frequente para detectar sinais de sofrimento fetal de modo precoce.
  • Capacitação em reanimação neonatal: treinamento contínuo das equipes que atuam em sala de parto garante respostas rápidas e padronizadas.

A asfixia neonatal, portanto, envolve prevenção, detecção rápida e cuidado intensivo nas primeiras horas de vida. A informação clara e atualizada contribui para que famílias e profissionais compreendam a importância do acompanhamento pré-natal, do parto assistido de forma segura e do monitoramento do recém-nascido desde os seus primeiros minutos.

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gravida – depositphotos.com / BiancoBlue
Foto: Giro 10
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