Aneurisma: veja sintomas, causas e tratamentos da condição que matou Adriana Araújo

No dia 2 de março, a sambista mineira Adriana Araújo, de 49 anos, morreu após ser internada em Belo Horizonte devido a um aneurisma cerebral. Veja sintomas, causas e tratamentos dessa condição.

4 mar 2026 - 08h30

No dia 2 de março, a sambista mineira Adriana Araújo, de 49 anos, morreu após ser internada em Belo Horizonte devido a um aneurisma cerebral. Trata-se de uma alteração silenciosa que pode se desenvolver ao longo de anos nas artérias do corpo. Afinal, o aneurismo é uma dilatação na parede de um vaso sanguíneo, que perde parte de sua resistência e passa a ter risco maior de ruptura. A condição envolve sintomas discretos, múltiplas causas e tratamentos bastante diferentes conforme a região afetada e o tamanho da dilatação.

Esse tipo de alteração pode surgir em várias partes do organismo, como no cérebro, na aorta abdominal, na aorta torácica e em artérias das pernas. Em muitos casos, identifica-se o aneurisma por acaso, em exames de rotina ou em investigações para outros problemas de saúde. Por isso, a informação sobre sinais de alerta, fatores de risco e formas de tratamento é um ponto central para o acompanhamento médico.

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O tratamento do aneurisma é definido de forma individualizada, considerando localização, tamanho, formato, idade do paciente e presença de outras doenças – depositphotos.com / sudok1
O tratamento do aneurisma é definido de forma individualizada, considerando localização, tamanho, formato, idade do paciente e presença de outras doenças – depositphotos.com / sudok1
Foto: Giro 10

Quais são os sintomas de aneurisma mais comuns?

Os sintomas de um aneurisma dependem diretamente da localização e se houve ou não ruptura. Aneurismas pequenos, tanto cerebrais quanto de aorta, geralmente não causam queixas, o que explica por que muitos pacientes passam anos sem diagnóstico. Porém, quando começam a dar sinais, costumam estar maiores ou comprimindo estruturas próximas.

No caso do aneurisma cerebral, os principais sintomas aparecem de duas formas. Sem ruptura, pode haver dor de cabeça persistente, visão dupla ou embaçada, dificuldade para movimentar parte do rosto, desequilíbrio ou alterações na fala. Em especial, se o aneurisma estiver pressionando nervos. No entanto, quando ocorre ruptura, o quadro se torna uma emergência e costuma incluir:

  • Dor de cabeça súbita e intensa, descrita como a pior dor já sentida;
  • Náuseas e vômitos;
  • Rigidez na nuca;
  • Perda de consciência ou rebaixamento do nível de alerta;
  • Convulsões ou alterações neurológicas agudas.

Já o aneurisma de aorta abdominal muitas vezes se manifesta como uma sensação de pulsação forte no abdômen, dor abdominal ou lombar contínua. Em alguns casos, ocorre sensação de peso na barriga. Quando se rompe, surgem dor intensa e súbita, queda da pressão arterial, palidez, suor frio e risco elevado de choque. No aneurisma de aorta torácica, podem surgir dor no peito, falta de ar, rouquidão e dificuldade para engolir, pela compressão de estruturas vizinhas.

Sintomas de aneurisma: quando é sinal de urgência?

Determinar se os sintomas de um aneurisma representam urgência passa pela avaliação da intensidade e da rapidez de instalação. Em geral, sinais que aparecem de forma abrupta, acompanhados de mal-estar intenso, exigem atendimento imediato em serviço de emergência. Afinal, eles podem indicar ruptura ou dissecação do vaso.

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Algumas situações costumam ser consideradas alerta máximo:

  • Dor de cabeça súbita, muito intensa, associada a náuseas, vômitos ou alterações neurológicas;
  • Dor abdominal ou lombar forte, repentina, associada a tontura, sudorese ou desmaio;
  • Dor torácica aguda, em aperto ou em rasgo, irradiando para as costas;
  • Queda brusca da pressão arterial, sensação de desmaio ou falta de ar importante.

Em contextos crônicos, sintomas mais discretos, como dor de cabeça frequente, sensação de massa pulsátil no abdômen ou desconforto torácico prolongado, também merecem investigação, ainda que não indiquem emergência imediata. Assim, o diagnóstico costuma ser feito por exames de imagem, como ultrassom, tomografia computadorizada ou ressonância magnética, dependendo da região suspeita.

Quais são as principais causas e fatores de risco para aneurisma?

As causas de aneurisma envolvem um conjunto de fatores que enfraquecem a parede das artérias ao longo do tempo. Em muitos casos há combinação de predisposição genética com hábitos de vida e outras doenças crônicas. A hipertensão arterial é um dos elementos mais relacionados, pois a pressão elevada constante exerce maior força sobre as paredes dos vasos, favorecendo a dilatação.

Entre os principais fatores de risco para a formação de aneurismas, destacam-se:

  • Hipertensão mal controlada;
  • Tabagismo atual ou passado;
  • Idade avançada, especialmente após os 60 anos;
  • Histórico familiar de aneurisma ou de morte súbita por ruptura de vaso;
  • Colesterol alto e aterosclerose (acúmulo de placas de gordura nas artérias);
  • Doenças do tecido conjuntivo, como síndrome de Marfan ou Ehlers-Danlos;
  • Traumas, infecções e, em menor frequência, malformações congênitas.

Além disso, o sexo biológico e o padrão de hábitos de vida também influenciam. Homens apresentam mais aneurisma de aorta abdominal, enquanto mulheres têm maior risco de ruptura em determinados tipos de aneurisma cerebral. Consumo excessivo de álcool e uso de drogas como cocaína podem aumentar a pressão arterial e favorecer a ruptura em quem já tem a parede do vaso fragilizada.

A hipertensão arterial é um dos elementos mais relacionados, pois a pressão elevada constante exerce maior força sobre as paredes dos vasos, favorecendo a dilatação – depositphotos.com / Amaviael
Foto: Giro 10

Quais são os tratamentos disponíveis para aneurisma?

O tratamento do aneurisma é definido de forma individualizada, considerando localização, tamanho, formato, idade do paciente e presença de outras doenças. De modo geral, as opções se dividem em acompanhamento clínico e intervenção cirúrgica ou endovascular. Em aneurismas pequenos e estáveis, especialmente de aorta abdominal ou torácica, pode-se optar por monitorização periódica com exames de imagem e controle rigoroso da pressão arterial, colesterol e tabagismo.

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Quando o risco de ruptura é maior, entram em cena os procedimentos invasivos. De forma simplificada, as abordagens mais utilizadas são:

  1. Cirurgia aberta: o vaso é acessado por meio de corte na região afetada, e a parte dilatada é substituída por um enxerto sintético. É mais comum em aneurisma de aorta abdominal ou torácica, principalmente em pacientes com anatomia menos favorável para técnicas endovasculares.
  2. Tratamento endovascular: utiliza cateteres introduzidos por artérias, geralmente na virilha, para posicionar um stent ou endoprótese dentro do aneurisma, reforçando a parede interna do vaso. É frequente tanto em aneurismas de aorta quanto em muitos aneurismas cerebrais.
  3. Clipagem cirúrgica (no cérebro): realizada por neurocirurgia, em que um pequeno clipe metálico é colocado na base do aneurisma para impedir o fluxo sanguíneo em seu interior, reduzindo o risco de ruptura ou de ressangramento.

A decisão entre observação e intervenção leva em conta o diâmetro do aneurisma, a velocidade de crescimento, os sintomas e as condições clínicas gerais. Em todos os cenários, o controle de fatores de risco — como pressão alta, tabagismo, diabetes e colesterol — faz parte essencial do tratamento e da prevenção de complicações.

Informação clara sobre sintomas, causas e formas de tratamento contribui para que pacientes e familiares reconheçam sinais de alerta e mantenham o acompanhamento adequado. Embora o aneurisma muitas vezes seja silencioso, a detecção precoce e o manejo estruturado podem reduzir significativamente as chances de ruptura e de sequelas graves.

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