A Síndrome de Hashimoto é a causa mais comum de hipotireoidismo no mundo. Trata-se de uma condição autoimune onde o sistema imunológico, por engano, ataca a glândula tireoide.
Esse ataque causa uma inflamação crônica que, com o tempo, impede a tireoide de produzir hormônios essenciais para o metabolismo.
Embora o cansaço extremo seja a reclamação número um, essa doença é silenciosa e complexa. Muitas vezes, os sintomas são confundidos com estresse ou envelhecimento.
Diferente do hipotireoidismo comum, que é apenas a baixa produção de hormônios, o Hashimoto é uma doença autoimune. Nela, o corpo produz anticorpos que destroem o tecido da tireoide.
A glândula tireoide, localizada no pescoço, é o "maestro" do corpo. Ela regula desde os batimentos cardíacos até a velocidade com que queimamos calorias.
Quando ela falha, o organismo inteiro começa a funcionar em câmera lenta.
8 sintomas que vão além do cansaço
O cansaço do Hashimoto não é um sono comum; é uma exaustão que não passa após uma noite de descanso. Porém, outros sinais sistêmicos ajudam a fechar o diagnóstico. Confira os principais:
1. Ganho de peso sem causa aparente
Você mantém a mesma dieta e rotina de exercícios, mas o ponteiro da balança sobe. Isso ocorre porque o metabolismo basal desacelera drasticamente sem os hormônios T3 e T4.
2. Intolerância ao frio
Pessoas com Hashimoto sentem frio mesmo em dias quentes. Como a tireoide regula a temperatura interna, a falta de hormônios deixa as extremidades (mãos e pés) sempre geladas.
3. Queda de cabelo e unhas fracas
O ciclo de renovação das células é interrompido. O cabelo fica seco, quebradiço e cai em grandes quantidades. As unhas tornam-se finas e lascam com facilidade.
4. Névoa mental
Dificuldade de concentração, lapsos de memória e lentidão no raciocínio são queixas frequentes. Muitas vezes, o paciente sente que está "vivendo dentro de uma nuvem".
5. Alterações de humor e depressão
A falta de hormônios tireoidianos afeta a química cerebral. É comum o surgimento de tristeza profunda, apatia ou ansiedade, que muitas vezes não respondem apenas a antidepressivos.
6. Pele extremamente seca e pálida
A pele perde a elasticidade e pode apresentar uma textura áspera, especialmente nos cotovelos e joelhos. Em alguns casos, o rosto e as pálpebras podem parecer inchados.
7. Dores musculares e articulares
Dores generalizadas, rigidez matinal e fraqueza nos músculos superiores (como braços e coxas) são sinais de que a inflamação autoimune está ativa.
8. Problemas digestivos e intestino preso
O trânsito intestinal depende da tireoide. A falta de estímulo hormonal causa constipação severa, o que contribui para a sensação de inchaço abdominal.
Como identificar a doença?
Identificar a Síndrome de Hashimoto exige olhar além dos sintomas superficiais. Como ela progride lentamente, o corpo tenta se adaptar, o que mascara a gravidade.
Exames de sangue
O diagnóstico é feito através de exames laboratoriais específicos:
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TSH elevado: Indica que a hipófise está "gritando" para a tireoide trabalhar.
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T4 livre baixo: Confirma que a tireoide já não consegue produzir hormônios suficientes.
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Anticorpos (Anti-TPO e Anti-TG): Este é o diferencial do Hashimoto. A presença desses anticorpos confirma que o sistema imune está atacando a glândula.
Ultrassonografia da tireoide
O médico pode solicitar uma imagem para verificar o tamanho da glândula e a presença de nódulos ou irregularidades na textura (aspecto heterogêneo), típicas da inflamação crônica.
Existe tratamento para o Hashimoto?
Embora não exista cura para a autoimunidade, o tratamento é altamente eficaz. A reposição hormonal com levotiroxina sintética devolve ao corpo o que a tireoide não produz mais.
Além disso, mudanças no estilo de vida, como controle do estresse e uma dieta anti-inflamatória, ajudam a reduzir o ataque dos anticorpos.
Atenção: Se você se identificou com três ou mais sintomas desta lista, procure um endocrinologista. O tratamento precoce evita complicações graves, como problemas cardíacos e bócio.