Burnout em alta: 546 mil brasileiros afastados do trabalho em 2025

Burnout e outros transtornos mentais afastaram mais de 546 mil trabalhadores em 2025. Entenda o que está por trás.

26 fev 2026 - 18h15

Em 2025, mais de 546 mil trabalhadores brasileiros foram afastados do trabalho por transtornos mentais. Ansiedade, depressão e burnout estão entre as principais causas desse recorde de licenças.

Foto: Reprodução/Shutterstock / Alto Astral

Os dados são do Ministério da Previdência Social e foram divulgados pelo portal g1. O número é histórico e consolida uma tendência que já vinha crescendo nos últimos anos.

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Traduzindo em escala humana, o impacto fica mais claro. É como lotar mais de seis vezes o Maracanã com pessoas afastadas por sofrimento psíquico.

E esse total considera apenas os casos com benefício do INSS, acima de 15 dias de afastamento. Atestados menores nem entram na conta, o que indica um cenário real ainda mais sério.

Enquanto isso, empresas correm para se adaptar às novas exigências da NR-1. A norma passa a obrigar o monitoramento de riscos psicossociais, como burnout, assédio e sobrecarga.

Burnout, ansiedade e depressão: o que está por trás dos afastamentos

Burnout não é "mimimi" nem só cansaço de fim de dia. É um estado de esgotamento físico, emocional e mental, diretamente ligado ao trabalho.

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Na prática, é a sensação de estar no limite o tempo todo. Mesmo descansando, a pessoa não se sente realmente recuperada.

Os dados oficiais mostram que transtornos ansiosos e depressivos lideram as licenças. Mas o burnout aparece cada vez mais como diagnóstico associado à rotina profissional.

Especialistas em saúde ocupacional apontam um cenário comum. Jornadas longas, pressão por metas, medo de demissão e falta de apoio de chefias alimentam esse desgaste.

Sintomas de burnout no dia a dia de quem trabalha

O burnout costuma chegar aos poucos, quase silencioso.

No início, a sensação é de estar apenas "mais cansado que o normal".

Com o tempo, os sinais ficam mais claros.

  • Exaustão mesmo após finais de semana ou folgas.

  • Queda brusca de energia e motivação.

  • Dificuldade de concentração e falhas de memória.

  • Irritabilidade constante e explosões emocionais.

  • Sensação de incompetência, mesmo entregando o que é pedido.

  • Distanciamento afetivo da família, amigos e colegas.

O corpo também costuma dar sinais. Dores de cabeça, insônia, palpitações, problemas gastrointestinais e falta de ar são queixas frequentes.

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O que muda com a NR-1 e os riscos psicossociais

A nova redação da Norma Regulamentadora nº 1 marca uma mudança importante.

Riscos psicossociais, como burnout, passam a integrar a gestão oficial de segurança e saúde no trabalho.

Na prática, as empresas precisam olhar além dos acidentes físicos. A norma exige mapear também fatores que afetam diretamente a saúde mental de quem trabalha.

Entre os pontos que devem ser identificados e documentados estão:

  • Sobrecarga de trabalho e jornadas excessivas.

  • Metas inalcançáveis e cobrança desproporcional.

  • Assédio moral, humilhações e violência psicológica.

  • Falta de autonomia e de clareza sobre funções.

  • Ambientes tóxicos, com medo constante e competição exagerada.

Ignorar esses fatores deixa de ser apenas falha de gestão. Passa a ser também um problema de conformidade, com risco de multas e outras sanções.

Do papel à prática: por que as empresas ainda patinam

Mesmo com o avanço na legislação, a prática ainda anda devagar. Muitas organizações seguem tratando saúde mental como "campanha de um mês" ou ação isolada.

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São palestras pontuais, posts em datas simbólicas e pouco espaço real para mudanças de rotina.

Enquanto isso, o número de licenças por transtornos mentais continua crescendo ano após ano.

O grande desafio é integrar o tema ao Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR).

Isso significa incluir saúde mental no orçamento, em metas de gestão e na formação de líderes.

Canal de Acolhimento: escuta antes do colapso

Nesse contexto, o chamado Canal de Acolhimento ganha força como ferramenta técnica e humana.

Ele funciona como um espaço seguro para relatos de sobrecarga, conflitos e sofrimento emocional.

Diferente de um canal focado só em denúncias formais, o acolhimento tem foco na escuta.

Muitos modelos contam com atendimento por profissionais especializados, com sigilo e orientação inicial.

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De acordo com a Contato Seguro, empresa pioneira e líder no mercado brasileiro de Canais de Denúncia e Canais de Acolhimento externos e independentes, esses canais registram relatos, mapeiam padrões e entregam dados estruturados para as áreas de Recursos Humanos.

A proposta é apoiar as empresas na construção de ambientes corporativos mais íntegros, seguros e saudáveis.

A própria Contato Seguro destaca que, quando bem estruturado, o Canal de Acolhimento permite identificar situações de risco psicológico antes que evoluam para afastamentos longos.

Ou seja, atua diretamente na prevenção de quadros como ansiedade grave, depressão e burnout.

Como esses canais ajudam a reduzir casos de burnout

Com um canal ativo, o RH deixa de agir apenas depois do problema estourar. assa a ter indicadores concretos sobre setores críticos, lideranças problemáticas e momentos de maior tensão.

Esses dados podem orientar ações bem objetivas: redistribuição de tarefas, revisão de metas, trocas de liderança e investimentos em formação de gestores.

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Na prática, isso reduz a chance de um quadro de estresse virar licença prolongada. E também diminui custos com absenteísmo, processos trabalhistas e queda de produtividade.

Do ponto de vista de quem trabalha, saber que existe um espaço de escuta confiável faz diferença.

Quebra a ideia de que sofrimento emocional precisa ser escondido até o limite.

Checklist pessoal: sinais de que algo não vai bem no trabalho

Além do que as empresas podem fazer, também existem sinais individuais importantes.

Se a rotina profissional está assim, vale ligar o alerta!

  • Choro frequente antes ou depois do expediente.

  • Sensação de pânico só de abrir e-mails ou mensagens de trabalho.

  • Uso crescente de álcool, remédios ou comida para "aguentar a semana".

  • Sentir que vive no automático, sem prazer em nada.

  • Medo de falar sobre o que sente por receio de ser julgado.

Se vários desses pontos fazem sentido, não é apenas "falta de foco" ou "fraqueza".

Pode ser um quadro de burnout ou outro transtorno mental, que merece avaliação profissional.

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Como se proteger do burnout?

Ninguém consegue resolver sozinho problemas estruturais de gestão.

Mas algumas atitudes pessoais ajudam a reduzir o impacto diário no corpo e na mente.

Algumas estratégias possíveis:

  • Fazer pequenas pausas durante o dia, nem que sejam poucos minutos de respiração profunda.

  • Tentar separar, ao máximo, o horário de trabalho do tempo pessoal.

  • Evitar responder mensagens fora do expediente, quando isso for possível.

  • Registrar situações de abuso ou sobrecarga para ter histórico concreto.

  • Buscar conversas francas com chefias ou RH sobre carga de trabalho e prazos.

  • Criar redes de apoio com colegas, amigos e familiares.

Também vale procurar atendimento psicológico sempre que houver acesso.

Planos de saúde, serviços públicos e iniciativas de baixo custo podem ser aliados importantes.

Se a empresa oferece Canal de Acolhimento, usar esse recurso é um passo essencial.

Relatar o que acontece ajuda a transformar sofrimento individual em dado capaz de gerar mudança coletiva.

Burnout não é fraqueza: é um sinal de alerta

Os mais de 546 mil afastamentos por saúde mental em 2025 mostram que algo quebrou na lógica do trabalho. Burnout, ansiedade e depressão deixaram de ser exceção e viraram parte do dia a dia em muitos setores.

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Ao mesmo tempo, a atualização da NR-1 coloca saúde mental no centro da gestão de riscos.

Cuidar do psicológico passa a ser também uma questão de responsabilidade legal e econômica para as empresas.

Transformar esses números em mudança real exige ação em duas frentes. De um lado, organizações com políticas claras, canais de escuta e líderes preparados. Do outro, pessoas que reconhecem seus limites, procuram ajuda e entendem que pedir apoio não é sinal de fraqueza. É uma forma de proteção e autocuidado diante de um cenário exigente.

Se os sinais descritos aqui parecem familiares, vale dar o próximo passo.

Conversar com um profissional de saúde, buscar orientação e usar os canais disponíveis no trabalho pode fazer diferença.

Burnout não surge de um dia para o outro. Quanto mais cedo o alerta é ouvido, maiores as chances de reconstruir a relação com o trabalho de forma mais saudável e sustentável.

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