O câncer anal, de reto e outros tumores que atingem a região intestinal tendem a apresentar sinais que passam despercebidos no dia a dia. Sangramento, coceira persistente e alterações na região, por exemplo, podem parecer problemas simples, mas, em alguns casos, indicam a necessidade de uma avaliação médica.
Durante participação no 'Anima Podcast', a médica Patrícia Arias explicou que muitos pacientes deixam de procurar ajuda por vergonha ou por acreditarem que determinados sintomas são comuns. No entanto, observar o próprio corpo e buscar orientação diante de mudanças é fundamental para o diagnóstico precoce.
Câncer anal e câncer de reto: entenda as diferenças
Apesar de fazerem parte da região intestinal, esses tumores possuem características próprias. O câncer anal está relacionado ao canal anal, área de passagem das fezes, enquanto o câncer de reto se desenvolve na porção final do intestino grosso.
A médica destacou que o HPV (papilomavírus humano) tem um papel importante principalmente nos casos de câncer anal. O vírus pode provocar alterações nas células da região e, em alguns casos, evoluir para um tumor. "Graças a Deus, temos a vacina. Por isso, a gente tem que se proteger", afirmou Arias.
Já nos tumores intestinais, como o câncer de reto, outros fatores também precisam ser considerados. De acordo com a especialista, estão eles estão o histórico familiar, os hábitos de vida e alterações no funcionamento do intestino.
Câncer e sinais de alerta
Um dos desafios para identificar esses tumores, contudo, é que alguns sintomas podem parecer simples. Por exemplo, uma alteração na região anal pode ser confundida com uma verruga comum ou outro problema sem gravidade.
"Muitas vezes ele parece uma verruguinha. O paciente acha que é normal. 'É uma verruga que eu tive aqui no meu pé, no meu dedo, na minha mão'. E não pode ser um câncer e a gente está passando despercebido por isso", explicou a especialista.
Segundo a médica, o acompanhamento profissional é importante sempre que houver mudanças persistentes. Alguns sinais que merecem avaliação são:
- Sangramento na região anal ou nas fezes;
- Coceira intensa ou frequente;
- Aparecimento de lesões ou verrugas;
- Mudança no padrão intestinal.
Esses sintomas não significam necessariamente a presença de câncer. Entretanto, a investigação ajuda a identificar a causa e iniciar um tratamento adequado caso seja necessário.
Hábitos de vida influenciam a saúde intestinal
Além dos fatores relacionados ao HPV, a rotina pode interferir na prevenção dos tumores intestinais. Segundo Patrícia Arias, cuidados com alimentação, prática de exercícios e acompanhamento médico fazem parte da proteção da saúde do intestino.
A especialista alerta para a importância de reduzir hábitos que podem aumentar riscos, como o tabagismo e o consumo frequente de bebidas alcoólicas. Ela também chama atenção para o excesso de produtos ultraprocessados na alimentação.
"Tudo que a gente acaba desembalando também tem ingredientes que não conhecemos, ingredientes que são números. Isso é um fator que cada vez mais a gente está vendo que está relacionado ao câncer do intestino", comentou.
Por outro lado, mudanças simples podem ajudar na manutenção da saúde intestinal. Uma alimentação equilibrada, com frutas, verduras, fibras e boa ingestão de líquidos, contribui para o funcionamento adequado do organismo. Durante a entrevista, Arias ainda reforçou que a atividade física tem impacto positivo não apenas na saúde geral, mas também no funcionamento intestinal.
"Exercício salva a vida. Exercício salva seu intestino. Não precisa fazer uma hora por dia. Se não conseguir, o pouquinho já ajuda. A pequena vitória do dia já é suficiente", afirmou.
Quando procurar um especialista?
A consulta com um proctologista é indicada quando aparecem sintomas persistentes ou alterações que fogem do padrão. Além disso, pessoas com histórico familiar de câncer intestinal podem precisar de acompanhamento específico e exames antes do período habitual.
A colonoscopia é um dos exames utilizados na investigação de alterações no intestino e pode ser recomendada conforme a avaliação individual de cada paciente.
Para a especialista, falar sobre câncer anal, câncer de reto e outras doenças da região intestinal também ajuda a quebrar tabus. Buscar informação e atendimento médico diante de sinais de alerta pode fazer diferença no diagnóstico e nas possibilidades de tratamento.