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Regina Casé fala sobre volta aos palcos após um ano de luto e perdas importantes: 'Senti muito'

Atriz reflete sobre as perdas recentes, a força dos vínculos, a maternidade e a importância de encontrar significado mesmo nos momentos mais difíceis

8 jun 2026 - 21h06

Existem momentos em que a vida parece exigir uma reconstrução completa. Perdas importantes, despedidas inesperadas e mudanças profundas podem abalar estruturas emocionais que pareciam sólidas. Mas também podem abrir espaço para novas formas de significado, conexão e cura. Foi sobre esse processo que Regina Casé falou ao retornar aos palcos com o espetáculo Viva! Vida

Regina Casé fala sobre o impacto do luto, o retorno aos palcos com Viva! Vida e como a arte pode ajudar no processo de cura emocional
Regina Casé fala sobre o impacto do luto, o retorno aos palcos com Viva! Vida e como a arte pode ajudar no processo de cura emocional
Foto: Reprodução/Instagram / Bons Fluidos

Em entrevista à revista Marie Claire, a atriz compartilhou reflexões sobre o período delicado que viveu após a perda de pessoas muito próximas e sobre como a arte se tornou uma ferramenta para atravessar a dor.

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Quando o luto muda a paisagem da vida

Nos últimos anos, Regina precisou lidar com despedidas que marcaram profundamente sua trajetória. Entre elas, as mortes de amigos queridos e referências afetivas importantes, como Preta Gil, Arlindo Cruz e Mãe Carmen do Gantois.

Ao recordar esse período, a atriz revelou o impacto que essas ausências provocaram em sua vida. "Perdi muitas pessoas que eram estruturais, muito importantes para mim. Já tinha perdido meu pai e minha mãe, mas essas pessoas eram pilares que estavam segurando a minha casa. Algumas também se afastaram ou eu me afastei, então toda a estrutura da minha vida mudou muito. Fiquei bem baqueada por isso, senti muito mesmo. E acho que o Estevão também teve essa sensibilidade de vir com esse texto e com a proposta da gente fazer esse trabalho, porque sentiu que isso ia ser uma coisa sanativa, que ia me ajudar a curar essas feridas. E de fato está acontecendo isso. sinto que já estão cicatrizando agora, estão criando casquinha".

A metáfora da cicatrização traduz uma das compreensões mais importantes da psicologia sobre o luto: a dor não desaparece de uma hora para outra. Ela se transforma gradualmente, encontrando novos lugares dentro da nossa história.

A arte como caminho de cura

O espetáculo Viva! Vida nasceu justamente durante esse período de transformação emocional. Construída em parceria com o marido, o diretor e produtor Estevão Ciavatta, e com os cientistas Antônio Nobre e Fábio Scarano, a peça propõe reflexões sobre o meio ambiente, a ancestralidade, os saberes dos povos originários e a relação do ser humano com o planeta.

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Mais do que uma obra artística, o projeto se tornou um espaço de elaboração emocional. Na psicologia, atividades criativas frequentemente funcionam como instrumentos de ressignificação. Quando transformamos experiências difíceis em expressão artística, criamos novas narrativas para aquilo que vivemos e encontramos maneiras mais saudáveis de lidar com a dor.

Uma parceria construída na escolha diária

Além do retorno aos palcos, Regina também falou sobre sua relação com Estevão Ciavatta, companheiro de vida e de trabalho há mais de duas décadas. Segundo ela, misturar casamento e projetos profissionais nunca representou um problema. Pelo contrário. A convivência fortaleceu ainda mais o vínculo construído ao longo dos anos.

"Nós já renovamos os votos, recasamos várias vezes, fazemos essa escolha. A vida foi muito dura com a gente. Tivemos que passar por períodos de sofrimento, mas vencer esses momentos fez com que ficássemos mais cascudos." A fala lembra que relações duradouras não são construídas pela ausência de dificuldades, mas pela capacidade de atravessá-las juntos.

Aprender a olhar para a vida de uma perspectiva maior

Ao falar sobre as perdas recentes, Regina revelou que sua relação com a morte também passou por mudanças. Para ela, ampliar a visão sobre a existência ajuda a relativizar parte do sofrimento e a compreender a vida dentro de um contexto mais amplo.

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"Acho que quando a gente começa a ampliar nossa visão para a cidade, país, mundo, a Terra e o universo, você relativiza muito esse peso, essa importância. Entende tudo de uma maneira mais orgânica".

Essa perspectiva dialoga com conceitos presentes tanto na psicologia quanto na espiritualidade: a ideia de que encontrar significado em algo maior do que nós mesmos pode ajudar a atravessar momentos difíceis com mais resiliência.

Viva a vida, apesar das perdas

No fundo, a mensagem que emerge da trajetória recente de Regina Casé não é sobre a ausência da dor, mas sobre a possibilidade de seguir vivendo mesmo quando ela existe. O luto transforma. As despedidas deixam marcas. Mas também podem abrir caminhos para novas conexões, novas compreensões e novas formas de estar no mundo.

Talvez seja justamente isso que Viva! Vida procura lembrar: a vida é feita de ciclos, encontros, despedidas e recomeços. E, mesmo quando algumas feridas ainda estão cicatrizando, continuar celebrando a existência pode ser uma das formas mais bonitas de honrar quem amamos.

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