A SOP ganhou novo nome: a partir de agora passa a ser chamada de Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina (SOMP). A mudança foi publicada em 12 de maio de 2026 na revista médica The Lancet.
Em mais de 20 anos atendendo mulheres com saúde íntima desequilibrada, vi muitas chegarem com o diagnóstico de SOP se resumia a cistos nos ovários. E essa confusão sempre dificultou o entendimento da própria condição.
Na realidade, a síndrome envolve um conjunto bem maior de alterações hormonais e metabólicas, além de ser resultado, geralmente, de emoções mal processadas.
Neste artigo, você entende exatamente o que mudou, por que a mudança aconteceu agora, como isso afeta diagnóstico e tratamento, e por que essa atualização também valida um olhar mais integrativo sobre a saúde feminina.
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Resumo sobre SOP, novo nome SOMP
- A Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) passa a se chamar Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina (SOMP)
- A renomeação foi publicada em 12 de maio de 2026 na The Lancet
- O novo nome reconhece o caráter hormonal, metabólico e sistêmico da condição
- Critérios de diagnóstico e tratamento atuais seguem válidos
- A transição oficial será gradual até 2028
- Até 70% das mulheres com a síndrome ainda seguem sem diagnóstico
O que mudou exatamente no nome da SOP
A Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) passa a se chamar Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina (SOMP). Em inglês, a sigla é PMOS (Polyendocrine Metabolic Ovarian Syndrome).
A mudança foi publicada em 12 de maio de 2026 na revista médica The Lancet, uma das publicações científicas mais respeitadas do mundo. A nova nomenclatura foi apresentada oficialmente no Congresso Europeu de Endocrinologia de 2026, em Praga.
Cada palavra do novo nome tem um sentido específico:
- Ovariana mantém a referência aos distúrbios de ovulação e fertilidade, que seguem como sintomas centrais
- Metabólica reconhece a relação direta da síndrome com resistência à insulina, obesidade, diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares
- Poliendócrina descreve o envolvimento de múltiplos hormônios no quadro, como insulina, hormônio luteinizante (LH), hormônio antimülleriano (AMH) e andrógenos
A sigla SOP segue sendo usada na transição, já que é o termo mais conhecido pelo público e pelos profissionais de saúde. A adoção completa do novo nome será gradual e deve se consolidar até 2028, quando entra nas diretrizes médicas internacionais.
Por que o nome SOP foi considerado impreciso
A motivação principal para a mudança foi corrigir um erro técnico que se arrastava há décadas. O termo "ovário policístico" sugeria que a condição se resumia à presença de cistos nos ovários, o que não corresponde ao quadro real.
Como graduada em Fisioterapia e pós-graduada em Uroginecologia, acompanho essa discussão há anos. Os exames de ultrassom dessas pacientes não detectam cistos patológicos no sentido clínico.
O que aparece são múltiplos pequenos folículos com desenvolvimento interrompido, dentro do ovário. São estruturas diferentes em natureza e significado.
Essa imprecisão técnica causava três problemas práticos, que vejo de forma recorrente nos atendimentos:
- Confusão para pacientes, que recebiam o diagnóstico achando que tinham cistos verdadeiros, mas, em algumas situações, estes foliculos ovarianos depois são absorvidos pelo corpo, e não se define como SOP.
- Subestimação da gravidade, já que o nome não dava pistas sobre o caráter metabólico e sistêmico
- Atraso no diagnóstico, com até 70% das mulheres com a síndrome ainda sem identificação correta do quadro
⚠ Esse subdiagnóstico é apontado pelo consenso como um dos pontos mais urgentes. Em mais de 30 mil mulheres unindo o significado emocional da doença, o Sagrado Feminino, técnicas como Ginástica Íntima, Reconsagração do Ventre e todo conhecimento acadêmico da graduação em Fisioterapia, e as pós-graduações, como a de Uroginecologia.
A expectativa é que a nova nomenclatura ajude médicos e pacientes a reconhecerem o quadro com mais clareza.
Como foi o processo internacional
A renomeação não veio de uma decisão isolada. Foi resultado de 14 anos de discussões, coordenadas pelo Global Name Change Consortium, que reuniu organizações de várias regiões do mundo.
Os números do processo:
- 56 organizações científicas, clínicas e de pacientes envolvidas
- Mais de 14 mil respostas em pesquisas globais com profissionais e pacientes
- 14 anos de discussões e construção de consenso
Participação do Brasil
O Brasil participou pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM). A representação foi feita pela endocrinologista Poli Mara Spritzer, professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
Outro nome brasileiro citado no consenso é o de Alexandre Hohl, diretor do Departamento de Endocrinologia Feminina, Andrologia e Transgeneridade da SBEM, que vem comentando publicamente a importância da renomeação para a saúde das mulheres brasileiras.
O que muda no diagnóstico e no tratamento da SOMP
A resposta direta: muito pouco no curto prazo. Os critérios atuais de diagnóstico, conhecidos como critérios de Rotterdam, seguem válidos. O tratamento também não foi reformulado.
O que muda é o enquadramento conceitual da síndrome. Ao incluir "metabólica" e "poliendócrina" no nome, o consenso reforça que o cuidado precisa olhar para vários sistemas ao mesmo tempo, não só para os ovários.
Na prática, isso tende a apoiar três movimentos:
- Reconhecimento mais precoce. Médicos passam a associar mais facilmente sintomas como resistência à insulina, ganho de peso e fadiga ao quadro completo da síndrome, mesmo na ausência dos sinais ovarianos clássicos.
- Tratamento mais integrado. Em vez de tratar cada sintoma de forma isolada (acne, ciclo irregular, peso), o plano tende a olhar a síndrome como sistema. Isso costuma incluir endocrinologia, ginecologia, nutrição e suporte emocional em conjunto.
- Atenção ao componente metabólico em mulheres magras. Cerca de 75% das mulheres com SOMP consideradas magras pelos critérios clínicos apresentam resistência à insulina. O novo nome ajuda a tirar essa informação da sombra e levar mais mulheres a investigarem o metabolismo, mesmo sem sobrepeso.
O que a mudança significa para mulheres com a síndrome
Para quem vive com SOP, a notícia da renomeação pode gerar uma sensação ambígua. De um lado, é uma validação importante: a ciência reconhece publicamente que a síndrome é mais complexa do que o nome anterior dizia. De outro, surge a dúvida sobre o que isso muda no dia a dia.
Três pontos práticos:
- O diagnóstico em mãos segue válido. Se você foi diagnosticada com SOP, esse diagnóstico continua correto. A renomeação para SOMP é uma atualização de nomenclatura, não uma reclassificação clínica. Tratamentos em curso podem ser mantidos, sempre com acompanhamento médico.
- Vale conversar sobre o quadro completo. A renomeação é uma boa oportunidade para conversar com sua médica sobre o componente metabólico, hormonal e emocional do seu caso. Vale revisar exames como glicemia, insulina de jejum, perfil lipídico e função tireoidiana, se ainda não estiverem atualizados.
- Cuidar também das outras camadas. A síndrome envolve vários sistemas. O cuidado integrativo, que combina acompanhamento médico, mudanças de hábito e atenção às emoções, costuma sustentar resultados mais consistentes ao longo do tempo.
E aqui entra o que vejo na minha prática há mais de 20 anos. A síndrome envolve vários sistemas, e o corpo costuma estar respondendo a coisas que vão além do que os exames mostram.
Nenhum tratamento ginecológico se sustenta, no longo prazo, sem olhar também para a vida emocional da mulher.
Essa percepção, construída ao longo de mais de 30 mil atendimentos, é o que me levou a desenvolver o trabalho integrativo que faço hoje, unindo Fisioterapia, Uroginecologia, Sagrado Feminino e técnicas como Ginástica Íntima e Reconsagração do Ventre.
A renomeação da SOP para SOMP, na minha leitura, valida cientificamente o que muitas mulheres sempre intuíram: a síndrome fala de várias camadas ao mesmo tempo. E pede um cuidado também amplo.
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Para aprofundar diferentes camadas da síndrome:
- Sintomas de SOP: sinais físicos e emocionais a observar, com os principais sinais e quando buscar diagnóstico
- SOP e diabetes: por que estão conectados e como cuidar, sobre o eixo metabólico que ganhou destaque com a renomeação
- Ovário policístico tem cura? Caminhos de tratamento integrativo, sobre o tratamento que une medicina e cuidado emocional
- O que a SOP revela: 5 sinais emocionais por trás da síndrome, com a leitura simbólica e o convite ao autoconhecimento
Conclusão
A renomeação da SOP para SOMP é uma das atualizações mais relevantes em saúde feminina dos últimos anos. Mais do que mudança de sigla, é o reconhecimento oficial de que a síndrome envolve uma rede de sistemas, e não apenas os ovários.
Para as mulheres que convivem com o quadro, a notícia traz dois ganhos importantes. O primeiro é a validação de uma percepção que muitas já tinham, de que se tratava de algo mais amplo do que o nome dizia.
O segundo é a chance de um cuidado mais integrado, que olhe para o metabolismo, os hormônios e também para a vida emocional.
Em mais de duas décadas atendendo mulheres, vi muito tratamento isolado falhar e muito olhar integrado funcionar. A transição completa para o novo nome será gradual, mas o convite que ela faz é imediato: olhar a SOMP com a amplitude que ela sempre teve.
FAQ
Por que a SOP passou a se chamar SOMP?
A mudança foi publicada pela The Lancet em 12 de maio de 2026, após consenso internacional com 56 organizações. O termo "ovário policístico" sugeria que a condição se resumia a cistos, quando, na verdade, envolve múltiplos hormônios e tem componente metabólico significativo. A nova sigla, Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina, traduz essa complexidade. A transição oficial será gradual e deve se completar até 2028, quando o novo nome será incorporado às diretrizes médicas internacionais.
O que significa cada palavra do nome SOMP?
A palavra "ovariana" mantém a referência aos distúrbios de ovulação e fertilidade. "Metabólica" reconhece a relação com resistência à insulina, obesidade, diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares. "Poliendócrina" descreve o envolvimento de múltiplos hormônios na síndrome, como insulina, LH (hormônio luteinizante), AMH (hormônio antimülleriano) e andrógenos. Cada termo foi escolhido para refletir uma dimensão diferente da condição.
Meu diagnóstico de SOP ainda vale com o novo nome SOMP?
Sim. A renomeação é uma atualização de nomenclatura, não uma reclassificação clínica. Os critérios atuais de diagnóstico, conhecidos como critérios de Rotterdam, seguem válidos. Quem foi diagnosticada com SOP segue com o mesmo diagnóstico, agora chamado SOMP. Tratamentos em curso podem ser mantidos, sempre com acompanhamento médico. A transição entre os dois nomes será gradual nos próximos anos.
O tratamento da SOMP é diferente do tratamento da SOP?
Não. O consenso publicado pela The Lancet mantém os recursos terapêuticos atuais, como anticoncepcionais hormonais, metformina, mudanças de hábitos alimentares, atividade física e suporte psicológico quando indicado. O que muda é o enquadramento: o tratamento passa a ser pensado de forma mais integrada, olhando para os múltiplos sistemas envolvidos. Esse olhar costuma melhorar resultados ao longo do tempo.
Quem participou da decisão de renomear a SOP?
A renomeação foi coordenada pelo Global Name Change Consortium e envolveu 56 organizações científicas, clínicas e de pacientes em 14 anos de discussões. Mais de 14 mil respostas em pesquisas globais foram consideradas. O Brasil participou pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), com representação da endocrinologista Poli Mara Spritzer, da UFRGS. Outro nome brasileiro de destaque é o de Alexandre Hohl, diretor do Departamento de Endocrinologia Feminina, Andrologia e Transgeneridade da SBEM.
O post Por que a SOP foi renomeada para SOMP e o que isso muda para você apareceu primeiro em Personare.
Roberta Struzani (fisioterapia.roberta@gmail.com)
- Especialista em Sexualidade e Ginecologia Natural. Pioneira no estudo de Ginástica Íntima e Reconsagração do Ventre no Brasil, contribuiu para a formação de diversas terapeutas e desenvolveu um trabalho personalizado que traz benefícios para a saúde da mulher, do físico ao emocional.