Para algumas pessoas, levantar da cama logo nas primeiras horas da manhã é algo natural. Para outras, despertar cedo parece uma verdadeira batalha. E essa preferência pode dizer mais do que imaginamos: uma pesquisa indica que o horário em que o corpo funciona melhor pode ter relação com a sensação de felicidade e bem-estar.
O estudo, realizado por pesquisadores da Universidade de Toronto, investigou a relação entre o chamado cronotipo e o estado emocional. O termo é usado para definir a predisposição natural de cada pessoa em relação aos horários de sono e vigília - é o que faz alguns se sentirem mais dispostos pela manhã, enquanto outros funcionam melhor à noite.
Os resultados apontaram uma associação interessante: participantes com perfil mais matutino apresentaram maior frequência de emoções positivas e disseram estar mais satisfeitos com a própria vida.
A relação entre acordar cedo e bem-estar
Para chegar aos resultados, os pesquisadores avaliaram mais de 700 adultos de diferentes faixas etárias. Os participantes responderam a questionários sobre seus horários e hábitos de sono, condições gerais de saúde e aspectos relacionados ao bem-estar psicológico.
Ao comparar as respostas, os pesquisadores perceberam que aqueles que naturalmente preferiam começar e terminar o dia mais cedo também demonstravam índices mais elevados de bem-estar emocional.
A idade também apareceu como um fator importante. Adultos mais velhos mostraram maior tendência a apresentar um cronotipo matutino e, paralelamente, níveis mais altos de emoções positivas quando comparados aos participantes mais jovens e com hábitos noturnos.
Uma das possíveis explicações está na maneira como nossos horários biológicos se encaixam na rotina da sociedade. Grande parte das atividades profissionais, escolares e sociais acontece durante o dia. Assim, quem naturalmente desperta mais cedo pode encontrar menos dificuldade para adaptar seu relógio interno às obrigações cotidianas.
Por que começar o dia cedo pode fazer diferença?
Não significa que colocar o despertador para tocar às 5 horas da manhã seja uma fórmula para se tornar mais feliz. A relação encontrada pelo estudo envolve o cronotipo, ou seja, a tendência natural do organismo, e não simplesmente a decisão de dormir menos para conseguir levantar cedo.
Ainda assim, uma rotina matutina pode favorecer alguns comportamentos associados ao bem-estar. Começar o dia com mais tempo, por exemplo, pode facilitar a realização de atividades físicas, permitir um café da manhã sem tanta pressa e ajudar na organização das tarefas.
Além disso, manter horários relativamente regulares para dormir e acordar contribui para uma rotina mais previsível e alinhada às necessidades do organismo.
Felicidade não depende apenas do despertador
Apesar da associação encontrada, o horário de acordar está longe de ser o único elemento capaz de influenciar o estado emocional. A própria pesquisa chama atenção para outros aspectos do estilo de vida que participam dessa equação.
Ter um sono de qualidade, movimentar o corpo regularmente, cultivar boas relações sociais, encontrar maneiras de administrar o estresse e manter hábitos de sono consistentes são fatores que também podem contribuir para a saúde física e emocional.
Portanto, os resultados não significam que pessoas noturnas estejam destinadas a ser menos felizes. O estudo aponta uma associação entre o perfil matutino e níveis maiores de bem-estar, mas não estabelece que simplesmente passar a acordar cedo seja suficiente para melhorar a satisfação com a vida.
Mais do que correr para adiantar o despertador, a descoberta reforça a importância de observar o próprio ritmo biológico e, sempre que possível, construir uma rotina de sono equilibrada e compatível com as necessidades do corpo.