A doença mão-pé-boca, comum em crianças pequenas, é altamente contagiosa e costuma aumentar após o retorno às aulas. Transmitida por contato com secreções ou objetos contaminados, ela causa febre, dores e feridas características. Prevenção envolve hábitos de higiene e isolamento temporário dos doentes. Atenção aos sinais de desidratação e acompanhamento médico são essenciais. 🦠🤲
A doença mão-pé-boca costuma aparecer quando as crianças voltam a conviver. Por isso, o retorno às aulas pede atenção dos responsáveis. Depois do recesso de julho, creches e escolas retomam a rotina. Esse período favorece a circulação da doença. O contato próximo facilita a circulação de vírus entre os pequenos.
A doença mão-pé-boca é uma infecção viral altamente contagiosa. Ela afeta principalmente crianças menores de cinco anos. Os vírus mais associados são Coxsackievirus e Enterovírus A71. Em São Paulo, dados da Secretaria Municipal da Saúde registraram 724 casos entre janeiro e junho deste ano. De 2024 para 2025, os registros subiram de 5.201 para 6.242.
Esse aumento da doença representa 20%. No período sazonal, entre julho e agosto, a alta chegou a 171% em 2024. Em 2025, alcançou 248%, segundo os dados divulgados na pauta.
Doença mão-pé-boca: por que ela preocupa na volta às aulas
A doença mão-pé-boca passa facilmente entre crianças. O contágio ocorre por secreções respiratórias, fezes, saliva e contato com objetos contaminados.
Brinquedos, mesas, copos e talheres podem participar da transmissão. Na doença mão-pé-boca, a primeira semana costuma concentrar o maior risco. Mesmo depois, o vírus pode continuar sendo eliminado pelas fezes durante semanas.
Por isso, a doença mão-pé-boca pode provocar surtos em creches e escolas. Crianças pequenas ainda estão aprendendo hábitos de higiene. Além disso, brincam juntas e compartilham objetos com frequência.
A Dra. Caroline Peev, pediatra e coordenadora do PS do Sabará Hospital Infantil, explica o cenário. "A doença mão-pé-boca é uma das infecções virais que costumamos observar com maior frequência após períodos de férias escolares, quando as crianças voltam a conviver em ambientes coletivos".
Segundo a especialista, a doença mão-pé-boca costuma evoluir bem. Ainda assim, é extremamente contagiosa. O reconhecimento precoce ajuda a reduzir a disseminação.
Primeiros sinais da doença mão-pé-boca
Os sintomas iniciais dessa doença podem parecer uma virose comum. Febre, dor de garganta, mal-estar e perda de apetite aparecem com frequência. Depois, surgem as marcas mais características.
São pequenas feridas dolorosas dentro da boca. Também podem aparecer bolhas ou lesões nas mãos e nos pés. Em alguns casos, as marcas atingem nádegas, braços, pernas ou outras regiões.
As feridas na boca podem atrapalhar a alimentação. A criança pode recusar líquidos por causa da dor. Esse comportamento aumenta o risco de desidratação.
A doença mão-pé-boca geralmente desaparece sozinha em sete a dez dias. A Sociedade Brasileira de Pediatria considera a evolução normalmente benigna. Mesmo assim, o acompanhamento médico pode ser necessário.
A criança com essa doença não deve receber medicamentos sem orientação. O tratamento controla febre e dor. Também mantém a hidratação durante a recuperação.
Como evitar o contágio
A prevenção da doença depende de hábitos simples. Lavar as mãos é uma das medidas mais importantes. Faça isso depois de trocar fraldas e antes das refeições.
Também higienize brinquedos e superfícies compartilhadas. Evite que as crianças dividam copos, talheres, toalhas e chupetas. Essas atitudes reduzem a circulação do vírus.
A médica orienta: "Medidas simples, como lavar as mãos com frequência, higienizar brinquedos e superfícies, evitar o compartilhamento de copos, talheres e chupetas e manter a criança afastada da escola durante o período de maior transmissão, contribuem significativamente para reduzir a disseminação do vírus".
A doença mão-pé-boca exige afastamento temporário durante a fase mais transmissível. A volta às aulas deve considerar a melhora clínica. A criança também precisa estar sem febre e apta para participar das atividades.
Na doença mão-pé-boca, a decisão final deve seguir orientação médica e as regras da escola. Não basta observar apenas o desaparecimento de uma lesão. O estado geral também importa.
Diagnóstico e tratamento
O diagnóstico da doença mão-pé-boca costuma ser clínico. Essa doença é avaliada durante a consulta, com análise dos sintomas, das lesões e do histórico recente.
Não existe antiviral específico para esse quadro. O tratamento da doença é de suporte. Ele inclui controle da febre, alívio da dor e oferta frequente de líquidos.
Bebidas em pequenas quantidades podem ser melhor aceitas. Alimentos macios e frios também ajudam algumas crianças. Evite forçar a alimentação quando houver dor intensa.
A Sociedade Brasileira de Pediatria reforça que a maioria dos pacientes evolui sem complicações. Porém, a desidratação é um dos principais motivos para observação ou internação.
Essa doença mão-pé-boca não deve ser confundida com qualquer alergia. Lesões, febre e recusa alimentar precisam de avaliação. Somente o profissional consegue diferenciar possibilidades.
Doença mão-pé-boca: sinais de alerta
Os responsáveis devem observar a quantidade de líquidos ingerida. Boca seca e redução do volume urinário indicam possível desidratação. Esses sinais exigem contato com um serviço de saúde.
A Dra. Caroline também recomenda atenção a febre alta ou persistente. Sonolência excessiva, irritabilidade intensa e piora do estado geral são alertas. Dificuldade para respirar também pede atendimento imediato.
"Os pais devem ficar atentos especialmente quando a criança apresenta dificuldade ou recusa persistente para ingerir líquidos, sinais de desidratação, como boca seca e redução do volume urinário, febre alta ou persistente, sonolência excessiva, irritabilidade intensa, dificuldade para respirar ou piora do estado geral", orienta a pediatra.
A OPAS/OMS recomendou, em março de 2025, o fortalecimento da vigilância nas Américas. A entidade destacou a elevada transmissão da doença e possíveis complicações neurológicas associadas ao Enterovírus A71.
Por isso, essa doença mão-pé-boca merece observação cuidadosa. A maioria das crianças se recupera bem da doença. Mas sinais diferentes do padrão precisam de avaliação rápida.
O melhor caminho é não entrar em pânico. Observe os sintomas, ofereça líquidos e mantenha contato com o pediatra. Assim, essa doença mão-pé-boca pode ser acompanhada com mais segurança.