A Páscoa é celebrada neste domingo, 5, e é considerada uma das datas mais importantes do calendário para fiéis cristãos e judaicos. Com origens até pagãs, a data é celebrada de diferentes maneiras em muitas partes do mundo, mas nem todas as religiões abraçam os mesmos significados e tradições que nós conhecemos.
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Judaísmo
Entre as origens, está a judaica, que remete à libertação do povo hebreu, escravizado no antigo Egito durante anos. Os judeus chamam de “pessach”, que significa passagem em hebraico. A referência é a passagem do anjo da morte pelo Egito, que culminou na libertação dos hebreus e sua travessia para Israel.
“Depois de tantos tempos, eles saem do Egito para uma outra terra e aí a Páscoa é instituída. Tem todo aquele embate ali com Moisés e Faraó, e quando o povo está para sair, a última praga que vem ali sobre os egípcios é exatamente a morte dos primogênitos. O anjo da morte quando vem sobre o Egito não entra nas casas que estavam com os umbrais das portas marcados com sangue porque ali já tinha sido feito um sacrifício”, explica Ailton Gonçalves Dias Filho, professor de Ética e Cidadania da Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM), campus Campinas.
Segundo ele, o sacrifício de um cordeiro e o sangue usado para marcar as portas é o sinal divino de proteção para os israelitas durante a décima praga, que matou os primogênitos egípcios. Logo, enquanto a data para os Cristão simboliza a ressurreição de Cristo, a Páscoa Judaica marca a saída do povo de Israel do Egito depois de 430 anos.
Cristianismo
Para os cristão --evangélicos, protestantes e católicos--, a celebração é a ressurreição de Jesus Cristo, que é o triunfo da vida sobre a morte. “O cristianismo aproveita todo o arcabouço judaico da festa da Páscoa, que passa a ter uma conotação de uma libertação que nós experimentamos a partir da morte e ressurreição de Jesus Cristo, que é o Cordeiro de Deus”, aponta Dias Filho.
Toda a passagem do Filho de Deus até a Cruz é marcada por alguns ritos, como o domingo de Ramos, que marca a entrada de Jesus em Jerusalém para viver aquela que foi a sua última semana antes da sua crucificação. Já na quinta-feira, ocorreu a Eucaristia e a cerimônia Lava-Pés.
Na Sexta-Feira Santa, há a lembrança das sete palavras que Jesus pronunciou na cruz e, no domingo de Páscoa, a ressurreição. “É a melhor notícia que poderia ser dada à humanidade”, destaca o professor.
Dias Filho explica que Cristo se oferece, segundo a crença, voluntariamente para morrer na cruz, para nos livrar dos pecados. “O sacrifício de Cristo é um sacrifício que nos traz graça, que nos traz salvação, nos traz perdão, nos traz justificação.”
Religiões de Matriz Africanas
Já as religiões de de matriz africana, como a umbanda e o candomblé, não celebram a Páscoa, isso porque as suas crenças se baseiam em Orixás e Nkisis. Conforme Babalorixá João Marcelo, do terreiro Ilê Asè Aíra Tolami, o que ocorria na época dos escravos, é que eles aproveitavam a celebração para poder cultuar as suas próprias crenças.
“Os escravos, aproveitavam o festejo católico para cultuar os seus próprios ancestrais, os seus próprios orixás. Um exemplo: aqui na Bahia, na época da escravidão, quando tinha a festa do Senhor do Bom Fim, que é da Igreja Católica, eles aproveitavam essa oportunidade e faziam dentro do ritual deles festa para Oxalá”, explica sobre o sincretismo.
As celebrações, no entanto, eram feitas às escondidas, devido ao preconceito. “Eles aproveitavam o festejo católico e iam nesse momento para dentro dos esconderijos por causa das perseguições”, aponta.
Ainda segundo Pai Marcelo, tem casas de candomblé que aproveitam esse dia para ofertar e agradar Exu, mas isso não tem nada a ver com a semana santa. “As pessoas respeitam a Semana Santa, até porque aqui no Brasil, a gente vem apadrinhado pelo catolicismo”, reforça sobre respeitar a celebração.
Islamismo
Os mulçumanos e islâmicos, são os fiéis que seguem o Islã, uma religião monoteísta, e que, portanto, acredita em um Deus único. Eles não festejam a Páscoa, mas tem uma das cerimônias mais importantes próximo à data: o Ramadã, nome dado ao 9º mês do calendário islâmico, sagrado para os muçulmanos, pois é o mês em que Deus revelou o Alcorão à eles.
Nesse período, conforme o livro sagrado, recomenda que os fiéis deixem de comer, beber e ter relações sexuais durante o dia, desde o nascer até o pôr do sol--, em que mostra sua rotina.
Embora as raízes do cristianismo e do islamismo tenham como profetas Abraão, Noé e Moisés, na crença islâmica, Jesus é considerado um profeta e mensageiro mais importantes de Deus, e por isso, nunca poderia ser crucificado e nem morto.