Oferecimento

Muito colo 'estraga' o bebê? Veja o que diz neurocientista sobre o poder do afeto

Telma Abrahão utiliza experimento histórico para provar que o acolhimento é uma necessidade biológica: "Para um bebê, o colo não é mimo, não é vício. O colo é um regulador externo do sistema nervoso", explica

18 jan 2026 - 19h34

Ser mãe (dizem) é lidar com estranhos dando pitaco o tempo inteiro sobre tudo que envolve o filho. Quando a criança chora e a mãe corre pra ver, logo alguém diz: "muito colo estraga o bebê". Essa ideia foi contestada pela neurocientista Telma Abrahão.  Em um vídeo publicado no Instagram, ela afirma que o contato físico é essencial para a organização do cérebro. Assim, utilizando evidências científicas, a especialista desmitifica crenças culturais e reforça que o afeto é um pilar da saúde emocional desde os primeiros meses de vida.

Neurocientista rebate ideia de que 'colo estraga o bebê' e fala sobre o poder do afeto
Neurocientista rebate ideia de que 'colo estraga o bebê' e fala sobre o poder do afeto
Foto: Canva / Bons Fluidos

Muito colo estraga o bebê? Veja estudo

Para sustentar essa visão, Telma resgata o emblemático estudo de 1958, realizado pelo psicólogo Harry Harlow. No experimento com macacos rhesus, os filhotes escolhiam o conforto de uma mãe artificial de pano em detrimento de uma de arame que oferecia alimento. A descoberta provou que o sistema nervoso dos mamíferos prioriza a segurança emocional e o conforto tátil antes mesmo da nutrição fisiológica.

Publicidade

"Para um bebê, o colo não é mimo, não é vício. O colo é um regulador externo do sistema nervoso. É o toque que organiza o cérebro, reduz o cortisol e ativa os circuitos de segurança. Por isso, é necessário para um desenvolvimento saudável", explica.

Por isso, o toque é o que organiza os circuitos cerebrais, reduz os níveis de cortisol (hormônio do estresse) e ativa sentimentos de segurança. Para os bebês, que nascem em estado de imaturidade, existe uma "fome de pele" que é tão real quanto a fome por leite.

Por fim, a reflexão proposta pela neurocientista estende-se também à fase adulta. Neste sentido, ela sugere que muitas pessoas buscam preencher vazios emocionais com consumo ou desempenho profissional, quando, na verdade, carecem da base de acolhimento que apenas as conexões reais proporcionam. "A sobrevivência começa no estômago, mas a vida só floresce no abraço. A biologia mostra que fomos feitos para o vínculo, em qualquer idade"

Fique por dentro das principais notícias
Ativar notificações