Além dos blocos: O que cada religião faz durante o Carnaval?

Descubra como as diferentes religiões celebram o Carnaval no Brasil. De retiros espirituais a blocos de afoxé, entenda como a fé e a folia se encontram

12 fev 2026 - 09h02

Enquanto o som dos tamborins domina as avenidas, um silêncio orante — ou um louvor vibrante — toma conta de igrejas, centros e templos por todo o país. Para muitos, o Carnaval não é o momento de vestir uma fantasia, mas de despir-se das distrações do mundo para buscar uma conexão maior.

Confira como cada religião aproveita o Carnaval
Confira como cada religião aproveita o Carnaval
Foto: Shutterstock / João Bidu

Mas você sabe como cada religião realmente encara a folia? Entre retiros de silêncio e blocos de axé, descubra como a fé se manifesta quando o Brasil para para festejar.

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O panorama das crenças: do retiro ao axé na avenida

A diversidade religiosa brasileira se reflete diretamente na forma como o feriado é aproveitado. Para muitos grupos, o Carnaval é a oportunidade ideal para fortalecer a doutrina e afastar-se das tentações mundanas. Para outros, a rua é o palco onde o sagrado e o profano se encontram em harmonia.

Catolicismo e a preparação para a quaresma

No Catolicismo, o foco principal é a preparação para a Quaresma. O período que antecede a Quarta-feira de Cinzas é visto como o último momento de celebração antes do tempo de penitência. Muitos fiéis participam de retiros conhecidos como "Rebanhão" ou buscam o "Carnaval com Cristo".

Esses eventos focam em louvor, adoração e pregações. O objetivo é oferecer uma alternativa de alegria que não dependa de excessos. Para a Igreja Católica, o feriado é um convite à reflexão sobre a transitoriedade da vida e a importância da conversão espiritual antes do período quaresmal.

Evangélicos e a tradição dos retiros

Entre os evangélicos, a tradição dos retiros espirituais é muito forte. É comum que igrejas inteiras se desloquem para locais isolados, como sítios e acampamentos. Esse movimento é visto como uma forma de "fugir do mundo" para fortalecer a comunhão com Deus e com os irmãos de fé.

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Nesses locais, a programação é intensa. Cultos, gincanas, estudos bíblicos e momentos de lazer saudável preenchem os quatro dias de folia. Para esse público, o Carnaval é o momento perfeito para o crescimento espiritual e para o descanso mental longe do barulho urbano.

Espiritismo e o autoconhecimento

Para os espíritas, o período é dedicado ao estudo e à caridade. Muitos centros promovem congressos e seminários regionais. Como o feriado oferece dias de folga, as instituições aproveitam para incentivar o autoconhecimento e a prática do bem.

A doutrina espírita não condena a festa ou a alegria, mas prega a moderação e a vigilância. A orientação é que o indivíduo mantenha o equilíbrio emocional, evitando ambientes de vibração pesada ou excessos que possam comprometer a saúde física e espiritual.

Religiões de matriz africana: Candomblé e Umbanda

Diferente de outras vertentes, as religiões de matriz africana, como o Candomblé e a Umbanda, possuem uma ligação profunda com a festa. O Carnaval é visto como uma extensão do axé. Muitos blocos tradicionais, como o Afoxé Filhos de Gandhy, levam o sagrado para o asfalto.

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Essa presença é uma forma de resistência cultural e religiosa. É a época de homenagear orixás que vibram na alegria, na dança e na comunicação. Para esses fiéis, a folia não exclui a fé; ela é uma manifestação da energia vital que rege o universo e as relações humanas.

Além disso, é comum que os terreiros façam trabalhos de proteção espiritual coletiva. O objetivo é proteger o axé dos filhos de santo no meio da festa.

Budismo e Judaísmo no calendário comum

Budistas e judeus geralmente tratam o período como um feriado comum, já que suas principais festividades seguem calendários próprios. Budistas podem aproveitar a data para retiros de meditação em busca de paz interna. No Judaísmo, o feriado de Purim, que também envolve fantasias e celebração, costuma cair em datas próximas ao Carnaval, mas mantém significados históricos distintos.

O surgimento do Carnaval alternativo

Nos últimos anos, cresceu o movimento do "Carnaval Alternativo". São eventos inter-religiosos que pregam a paz e a tolerância durante a folia. Grupos de diferentes crenças se unem para realizar meditações coletivas, caminhadas pela paz e serviços de assistência social.

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Esses movimentos mostram que a espiritualidade pode coexistir com a celebração da vida. Eles provam que a alegria do Carnaval não precisa ser sinônimo de conflito com o sagrado, mas pode ser uma oportunidade de praticar o respeito à diversidade e o amor ao próximo.

Curiosidade histórica

Você sabia que a palavra "Carnaval" vem de carne vale (adeus à carne)? O termo surgiu na Idade Média para marcar o último período de festança e consumo de carne antes do jejum rigoroso da Quarentena estabelecido pela Igreja Católica.

Como escolher seu destino espiritual

Se você deseja aproveitar o feriado para se conectar com sua fé, o Brasil oferece um verdadeiro mapa da diversidade. Existem festivais de música gospel, congressos espíritas e acampamentos de yoga acontecendo simultaneamente aos desfiles de escolas de samba.

Para quem busca silêncio, retiros em cidades do interior ou mosteiros são as melhores opções. Para quem quer celebrar sem perder o vínculo religioso, os blocos de afoxé e as marchinhas cristãs garantem a diversão com propósito. O importante é que a escolha esteja alinhada com o que traz paz ao seu coração.

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Independentemente da sua crença, o Carnaval é um momento de transição. Seja na avenida ou no altar, a busca humana pela felicidade e pela renovação permanece a mesma. Que esses dias sirvam para recarregar as energias e celebrar a vida em todas as suas formas de expressão.

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