Inspirada na cultura do surfe, mas com atuação que vai além das ondas, a igreja Surf House tem atraído uma multidão para cultos no meio da praia do Campeche, uma das mais procuradas de Florianópolis, em Santa Catarina. Fundada em 2014 pelo casal de pastores surfistas Serginho Busatto, 53, e Kika Busatto, 54, a comunidade cristã reuniu recentemente mais de 5 mil pessoas em um momento de adoração na beira do mar.
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Em entrevista ao Terra, o pastor Serginho, que é natural de São Paulo, contou que a Surf House nasceu de maneira orgânica. Embora a projeção nas redes tenha vindo devido à multidão que se reuniu na praia na 5ª edição do evento ‘Desperta’, a igreja tem entre 500 a 600 membros e se define como uma comunidade cristã independente de perfil familiar, focada na essência do evangelho e no relacionamento entre os membros.
“A ideia da Surf House nasceu em Guarujá, na Praia do Tombo, que era uma casa que nós tínhamos alugado com alguns amigos para passar o final de semana juntos surfando e falando de Jesus. E a ideia da Surf House como igreja nasceu como fruto do trabalho que nós fazíamos ali. Nós começamos a evangelizar os surfistas e vimos a necessidade de discipular essa galera. E a melhor forma de fazer isso era em comunidade”, revela o pastor Serginho.
Embora tenha sido criado como um projeto para evangelizar surfistas, Serginho ressalta que a Surf House não nasceu como uma igreja voltada a um público específico, como jovens, mas é uma igreja familiar, composta por crianças, adolescentes, adultos e até mesmo idosos.
Com quase 12 anos de dedicação exclusiva à Surf House, Sérgio também evita rótulos denominacionais. Afirma ter formação batista, crer nos dons espirituais e na ação do Espírito Santo, mas prefere definir a igreja como uma “comunidade cristã bíblica”, que busca viver o evangelho de forma simples, profunda e cristocêntrica, sem legalismos ou estereótipos.
“Quando você fala pentecostal, neopentecostal aí vira aquele rótulo. Eu não gosto. Mas nós cremos nos dons, nós cremos na ação do Espírito Santo. Porém nós não somos muito estereotipados. Então você não vai encontrar na Surf House usos e costumes ou formas ou liturgias”, enfatiza.
Kika, que também está na direção da igreja junto com Serginho, reforça que a identidade da Surf House pode ser resumida em três palavras: simplicidade, acolhimento e relacionamento. Ela destaca que tudo o que é feito é fundamentado na Bíblia e movido por propósito, não por necessidade.
"A Surf House é um lugar de acolhimento e relacionamento. E a gente compartilha a Bíblia e a Palavra de Deus e tudo que a gente faz ali nós tratamos num mover de propósito.”
Desperta
Sobre o evento Desperta, encontro realizado na praia ao nascer do sol que chamou a atenção nas redes sociais com o vídeo do evento tendo mais de 2 milhões de visualizações, o casal faz questão de separar o evento da estrutura da igreja.
O encontro é apresentado pelos dois como uma expressão da fé da comunidade fora das quatro paredes. O último encontro, que reuniu cerca de 5 mil pessoas na praia, às 4h da manhã, é algo que Serginho afirma não ter sido planejado estrategicamente, mas resultado de um “mover de Deus”.
“Nós entendemos que Deus tem nos colocado de uma forma estratégica, talvez, para a gente comunicar essa boa notícia do Evangelho para um público que, tradicionalmente, a igreja talvez não alcance mais. E o ‘Desperta’ é um pouco disso”, ressalta.
Ações sociais
Além dos cultos e do evento ‘Desperta’, a Surf House como igreja tem outras atividades semanais: reuniões nas casas (houses), sala de apoio emocional, oração, teatro, jiu-jitsu e, em breve, terá aulas gratuitas de violão para os integrantes. O processo para se tornar membro envolve acompanhamento (como os “Primeiros Passos”) e batismo, quando necessário.
Segundo o pastor Serginho, a igreja se mantém por contribuições voluntárias. Essas contribuições, além de ajudar no custeio da igreja, é utilizado em outros projetos, como distribuição de cestas básicas.
A igreja também tem parceria com o Hospital Infantil Joana de Gusmão, produzindo mensalmente travesseiros terapêuticos para recém-nascidos.
Outras ações sociais são realizadas de forma discreta, de acordo com o casal, sem exposição pública, seguindo o princípio bíblico de não divulgar as ações de caridade.