O músico brasileiro Miguel Gandelman venceu o Emmy 2026 na categoria de direção musical extraordinária pelo show histórico de Bad Bunny no intervalo do Super Bowl, que bateu recordes de audiência. Filho do saxofonista Leo Gandelman, o carioca tem sólida carreira nos EUA, incluindo trabalhos com Michael Jackson. A conquista celebra o intenso trabalho de preparação do espetáculo, que exaltou a cultura latina e se tornou a apresentação de intervalo mais assistida da história do evento esportivo.
O Brasil ganhou um representante entre os vencedores do Emmy 2026. O músico carioca Miguel Gandelman foi premiado na categoria de direção musical extraordinária pelo trabalho realizado no espetáculo de Bad Bunny durante o intervalo do Super Bowl.
A conquista foi anunciada durante a cerimônia realizada no sábado (5), nos Estados Unidos, dedicada principalmente às categorias técnicas da premiação. Já os principais troféus desta edição do Emmy serão entregues em 14 de setembro.
Por trás dos poucos minutos de uma apresentação dessa dimensão existe uma preparação extensa. No caso de Gandelman, parte do desafio envolveu acompanhar a rotina de Bad Bunny durante a turnê do cantor para conseguir trabalhar com os músicos.
"A parte mais difícil para mim foi acompanhar Benito [Benito Antonio Martinez Ocasio, nome de Bad Bunny] em turnê. Eu tive que gravar a banda, então precisei ir para a Colômbia, para o Chile", contou Miguel em entrevista à Variety.
Pai de Miguel Gandelman comemora conquista
O prêmio também foi motivo de celebração para outra figura conhecida da música brasileira. Miguel é filho do músico Leo Gandelman e, assim como o pai, é saxofonista. Nas redes sociais, Leo não escondeu a emoção ao comemorar a vitória do filho. "Muita emoção! Meu filho acaba de ganhar o Emmy Awards! Parabéns, filho! Prêmio merecido!", escreveu.
A publicação rapidamente recebeu mensagens de outros artistas. Roberto de Carvalho definiu o feito como "Espetacular". Marisa Monte celebrou a tradição musical dos Gandelman: "Família cheia de talentos". Já Luiz Caldas escreveu: "Miguel voando altíssimo!". Chico César, Zélia Duncan e Patrícia Pillar também estiveram entre os nomes que repercutiram a conquista.
Quem é Miguel Gandelman?
Embora tenha construído boa parte da carreira nos Estados Unidos, Miguel Gandelman nasceu no Rio de Janeiro, em 18 de fevereiro de 1983. Aos 14 anos, mudou-se para Nova Jersey, onde começou a aprofundar sua relação com a música.
Ainda na escola, participou da banda estudantil. Mais tarde, seguiu os estudos na Berklee School, em Boston, dando continuidade à formação que o levaria a trabalhar com grandes nomes da indústria musical.
Um dos projetos de sua trajetória foi o quarteto The Horns, grupo que acompanhou diferentes artistas e bandas. E entre as experiências mais marcantes do currículo de Gandelman está justamente uma colaboração com um dos maiores nomes da história da música pop: Michael Jackson.
O brasileiro participou dos ensaios de This Is It, turnê que marcaria o retorno de Michael aos palcos. Os shows, porém, nunca aconteceram devido à morte do cantor, em 2009. Naquele mesmo ano, Gandelman falou à Folha de S.Paulo sobre a dimensão da experiência.
"Eu fui o último saxofonista a tocar com o Michael. Tive o privilégio de ter feito ele dançar com a minha música. Isso é uma coisa divina que eu vou guardar para o resto da minha vida", afirmou. Anos depois de uma experiência tão significativa, o brasileiro acrescenta agora um Emmy ao currículo.
Trabalho premiado aconteceu em show histórico de Bad Bunny
A vitória de Miguel Gandelman ganha ainda mais destaque por estar ligada a uma apresentação que entrou para a história do Super Bowl. Bad Bunny levou ao tradicional show do intervalo uma performance fortemente inspirada na identidade e na cultura latino-americana, com destaque para os países de língua espanhola.
A apresentação também alcançou um feito expressivo de audiência: ultrapassou o recorde anteriormente estabelecido por Kendrick Lamar e tornou-se o show de intervalo mais assistido da história da competição.
Conhecido mundialmente por transformar o intervalo da final do futebol americano em um grande espetáculo musical, o Super Bowl já recebeu alguns dos artistas mais importantes da música. Agora, por trás de uma dessas performances históricas, há também o trabalho de um brasileiro reconhecido com um dos principais prêmios da televisão internacional.