Oferecimento

Dormir em quartos separados pode fortalecer a relação? Entenda o que é o 'divórcio do sono'

Prática tem ganhado espaço entre casais que priorizam a qualidade do descanso

27 jul 2026 - 04h58
Especialistas apontam que privação de sono pode afetar relação e gerar necessidades específicas
Especialistas apontam que privação de sono pode afetar relação e gerar necessidades específicas
Foto: fizkes / Adobe Stock

Dormir em quartos ou camas separados deixou de ser visto apenas como um sinal de distanciamento entre casais e passou a ser encarado por muitos como uma estratégia para melhorar a saúde e o bem-estar. Conhecida como "divórcio do sono", a prática tem ganhado visibilidade nos últimos anos, impulsionada pelo debate sobre a importância de uma boa noite de descanso e por relatos de celebridades internacionais.

A atriz Cameron Diaz, por exemplo, já falou sobre a possibilidade de casais terem espaços separados para preservar a qualidade do sono. Gwyneth Paltrow, Sarah Paulson e Olivia Wilde também já comentaram sobre modelos de convivência que valorizam a individualidade.

Publicidade

Para o psicólogo, mestre e doutor pela PUC-Rio André Machado, o chamado "divórcio do sono" é uma decisão consciente de casais que optam por dormir separados "não por ruptura afetiva, mas para proteger a qualidade do descanso de um ou de ambos". Segundo ele, o termo ganhou força justamente porque compartilhar a cama ainda é visto por muitas pessoas como um símbolo obrigatório de intimidade e união.

"Na prática, o que se observa é uma estratégia de saúde. Ronco, apneia, movimentos excessivos, horários de sono incompatíveis, diferenças de temperatura preferida ou simplesmente a necessidade de um ambiente mais silencioso e escuro levam muitos parceiros a perceberem que a convivência noturna está prejudicando o sono restaurador", explica ao Terra.

Uma prática antiga que ganhou novo significado

Apesar de parecer um fenômeno recente, dormir em quartos separados não é novidade. Machado explica que, em diferentes períodos históricos, como a era vitoriana e entre famílias de classes mais altas, essa organização já era comum por questões de higiene, conforto ou status.

Segundo ele, o que mudou foi a valorização do sono como um dos pilares da saúde física e mental, especialmente após a pandemia. Nesse contexto, o termo em inglês sleep divorce ganhou popularidade por meio de pesquisas, da mídia e das redes sociais.

Publicidade

A psicóloga Regina Vera faz a mesma avaliação e afirma que a popularização ocorreu principalmente porque o tema passou a ser discutido de forma mais aberta.

"Nas últimas décadas, especialmente com o aumento da discussão sobre qualidade do sono, saúde mental e bem-estar, tornou-se mais comum reconhecer que casais podem ter necessidades diferentes. A popularização do termo 'divórcio do sono' ajudou a transformar uma prática que muitas pessoas mantinham em silêncio em um tema de debate público".

Embora ainda exista resistência cultural, especialistas afirmam que a prática é mais frequente do que muitas pessoas imaginam. Machado cita pesquisas que apontam que cerca de um terço dos adultos americanos que vivem em casal dormem separados com alguma regularidade e que um levantamento global de 2025 indicou que aproximadamente 18% dos casais adotam a separação de forma permanente. No Brasil, segundo ele, ainda faltam dados precisos, mas a demanda aparece com frequência em consultórios de psicologia e medicina do sono.

Para Regina Vera, o tabu faz com que muitos casais evitem falar sobre o assunto.

"Na realidade, o que importa não é apenas onde o casal dorme, mas como essa decisão é tomada e como a relação funciona fora daquele momento. Um casal pode dormir em quartos separados e manter uma relação muito próxima, afetiva e sexualmente satisfatória. Da mesma forma, um casal que divide a cama pode estar emocionalmente muito distante."

Publicidade

Quando dormir separado pode fazer sentido

De acordo com os psicólogos, a decisão costuma surgir quando um dos parceiros ronca intensamente, apresenta apneia, insônia, horários incompatíveis de trabalho ou outras condições que comprometem o descanso.

Machado também cita casais com filhos pequenos, que se revezam nos cuidados noturnos, e aponta que adultos entre 35 e 44 anos aparecem com maior frequência nas pesquisas sobre o tema.

Os especialistas ressaltam que a medida pode trazer benefícios importantes quando adotada em comum acordo.

"Dormir separado pode, sim, trazer benefícios claros para a saúde mental, para a qualidade do sono e, em muitos casos, para a própria relação", afirma Machado. Segundo ele, quando a privação crônica do sono deixa de acontecer, diminuem a irritabilidade e os conflitos, enquanto aumentam o bem-estar e a capacidade de lidar com os desafios cotidianos.

Os psicólogos alertam, no entanto, que a estratégia não funciona para todos os casais nem deve servir para evitar conflitos já existentes. Antes de tornar a prática definitiva, Machado recomenda investigar possíveis distúrbios do sono e manter momentos de afeto e intimidade.

Publicidade

"A decisão de dormir em quartos separados pode ser tanto um sinal de crise quanto um recurso que fortalece a relação. A diferenciação está na qualidade da comunicação e na intenção por trás da escolha", afirma.

Regina destaca: "Uma pergunta importante é: o casal está dormindo separado para dormir melhor ou está dormindo separado para se afastar? A resposta ajuda a entender o significado daquela escolha".

Fonte: Portal Terra
Curtiu? Fique por dentro das principais notícias através do nosso ZAP
Inscreva-se