Dia do Sono: ronco e cansaço podem indicar apneia; veja sinais
Mais do que um barulho noturno, o ronco frequente pode esconder interrupções na respiração que sobrecarregam o coração e a saúde metabólica
Dormir bem não é apenas um luxo, é uma necessidade vital para o equilíbrio do corpo.
Nesta sexta-feira, 13 de março, celebramos o Dia Mundial do Sono, uma data essencial para conscientizar sobre a qualidade do nosso descanso.
Muitas vezes, o ronco é visto apenas como um incômodo sonoro, mas ele pode esconder um perigo invisível: a apneia obstrutiva do sono.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), distúrbios do sono afetam até 45% da população global.
O que é a apneia do sono?
A apneia é um distúrbio caracterizado por pausas repetidas na respiração enquanto a pessoa dorme. Essas interrupções ocorrem porque as vias aéreas ficam bloqueadas, impedindo a passagem do ar.
O resultado é a queda na oxigenação do sangue e a fragmentação do sono, já que o cérebro precisa "despertar" o corpo para voltar a respirar.
Um estudo recente da Biologix revelou dados alarmantes. Mais da metade dos homens (66,8%) e quase metade das mulheres (48,6%) avaliados apresentaram algum grau de apneia.
O pneumologista Geraldo Lorenzi Filho, diretor médico da Biologix, alerta que o problema vai muito além do ronco forte. Trata-se de uma sobrecarga contínua para o organismo.
Os perigos para a saúde cardiovascular
A falta de tratamento para a apneia pode trazer consequências graves a longo prazo. Quando o sono é interrompido várias vezes, o corpo libera hormônios do estresse, elevando a pressão arterial.
Os principais riscos associados à apneia moderada e grave são:
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Hipertensão arterial sistêmica.
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Arritmias cardíacas e infarto.
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Diabetes e alterações metabólicas.
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Prejuízos cognitivos e perda de memória.
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Aumento do risco de acidentes de trânsito devido à sonolência.
Por que o diagnóstico costuma demorar?
O levantamento mostra que a procura por exames atinge o pico apenas entre os 40 e 50 anos. Isso indica que muitos pacientes convivem com os sintomas por décadas.
Geralmente, a busca por ajuda só acontece quando a fadiga começa a prejudicar seriamente o desempenho profissional e a vida social.
Quando acender o sinal de alerta?
Você deve procurar um médico especialista em medicina do sono se apresentar:
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Ronco alto e frequente: Especialmente se houver engasgos.
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Pausas respiratórias: Geralmente percebidas por quem dorme ao lado.
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Cansaço matinal: Acordar sentindo que não descansou nada.
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Boca seca e dor de cabeça: Sintomas comuns logo ao despertar.
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Dificuldade de concentração: Irritabilidade e "branco" na memória durante o dia.
Diagnóstico e tratamento
O diagnóstico padrão é a polissonografia. Atualmente, esse exame pode ser feito tanto em laboratórios quanto no conforto da sua casa, com dispositivos portáteis.
O tratamento varia conforme o caso. Quadros leves podem ser resolvidos com aparelhos intraorais ou mudanças no estilo de vida, como perda de peso.
Já nos casos moderados a graves, o uso do CPAP — um dispositivo que envia fluxo de ar contínuo para manter as vias aéreas abertas — é o tratamento mais eficaz e transformador.