Script = https://s1.trrsf.com/update-1768488324/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE

Ronco frequente pode ser um sinal de alerta; entenda

Mais do que um incômodo noturno, o barulho constante ao dormir pode indicar apneia do sono e trazer riscos graves ao coração; saiba identificar

26 jan 2026 - 19h58
Compartilhar
Exibir comentários

Dados recentes da Associação Brasileira do Sono revelam que o ronco está presente no sono de 40% da população adulta. Em grandes centros urbanos, como São Paulo, a situação é ainda mais crítica, onde 3 a cada 10 pessoas sofrem de apneia do sono.

Entenda a diferença entre ronco e apneia
Entenda a diferença entre ronco e apneia
Foto: Shutterstock / Alto Astral

O ronco é o som produzido pela vibração dos tecidos da garganta quando o ar passa com dificuldade. Porém, quando essa dificuldade se transforma em bloqueio total, temos um quadro muito mais sério.

Ronco ou Apneia?

É fundamental entender que nem todo mundo que ronca tem apneia, mas quase todo mundo que tem apneia, ronca.

O ronco frequente é o sintoma sonoro da passagem de ar estreitada. Já a apneia obstrutiva do sono é caracterizada pelo colapso das vias aéreas.

Imagine que, durante o sono, sua garganta se fecha completamente. A respiração é interrompida por 10 segundos ou mais. Isso pode acontecer dezenas, ou até centenas de vezes em uma única noite.

O cérebro, percebendo a falta de oxigênio, envia um sinal de alerta para o corpo "acordar" e respirar. A pessoa volta a respirar com um engasgo ou um ronco explosivo, mas nem sempre percebe que acordou.

O resultado? Um sono fragmentado, sem descanso real e com baixa oxigenação.

Sinais de alerta

Como saber se o seu caso é preocupante? O corpo dá sinais claros durante o dia de que a noite foi turbulenta.

Segundo o Dr. Otávio Pelucio, cirurgião especialista em traumatologia bucomaxilofacial do Grupo São Lucas, é preciso estar atento se o ronco vier acompanhado de outros sintomas.

Fique atento a estes sinais:

  • Sonolência excessiva: Vontade incontrolável de dormir ao dirigir, ler ou ver TV;

  • Fadiga crônica: Acordar já cansado, como se não tivesse dormido nada;

  • Dificuldade de atenção: Falhas na memória e queda no rendimento profissional;

  • Dores de cabeça matinais: Uma pressão na cabeça logo ao despertar;

  • Engasgos noturnos: Sensação de sufocamento ou falta de ar abrupta;

  • Queda de libido: A falta de sono afeta diretamente a produção hormonal.

Se você se identifica com dois ou mais itens dessa lista, é hora de buscar ajuda especializada.

Perigos silenciosos da Apneia

O diagnóstico precoce não é apenas uma questão de dormir bem, mas de viver mais. A apneia é classificada pelos médicos como uma doença sistêmica, ou seja, ela afeta o corpo todo.

Estudos recentes associam a apneia moderada a grave a um risco significativamente maior de problemas cardiovasculares.

Quando a respiração para, a frequência cardíaca e a pressão arterial sobem para tentar compensar a falta de oxigênio. Com o tempo, isso sobrecarrega o coração.

As consequências a longo prazo incluem:

  • Hipertensão arterial difícil de controlar;

  • Arritmias cardíacas;

  • Risco elevado de infarto;

  • Maior chance de AVC (Acidente Vascular Cerebral);

  • Desenvolvimento de diabetes tipo 2.

"Muitos pacientes convivem anos com o problema sem saber, tratando apenas os sintomas isolados", alerta Dr. Otávio. O impacto na saúde é cumulativo.

Causas: por que isso acontece?

Existem fatores de risco conhecidos, como obesidade, tabagismo e consumo de álcool antes de dormir. O excesso de peso, por exemplo, aumenta o tecido na região do pescoço, pressionando a garganta.

No entanto, há um fator crucial que muitas vezes é ignorado: a anatomia do rosto.

Dr. Otávio explica que a estrutura óssea da face pode ser a vilã. "Muitos pacientes apresentam alterações ósseas que reduzem o espaço das vias aéreas, como mandíbula pequena ou retraída e maxila estreita", detalha o especialista.

Nesses casos, a língua não tem espaço suficiente dentro da boca e acaba "caindo" para trás durante o relaxamento do sono, bloqueando a passagem de ar.

Como é feito o diagnóstico?

O "padrão-ouro" para confirmar a doença é a polissonografia. É um exame onde o paciente dorme monitorado por sensores que registram o fluxo respiratório, a oxigenação do sangue e a atividade cerebral.

Além disso, a tecnologia moderna trouxe exames de imagem em 3D e tomografias computadorizadas.

Essas imagens permitem que o cirurgião veja exatamente onde ocorre o estreitamento ou o colapso da via aérea, permitindo um planejamento cirúrgico preciso, se for o caso.

Tratamentos: existe cura para o ronco frequente?

A boa notícia é que sim, existem tratamentos eficazes. A abordagem depende da gravidade da apneia e da causa (se é anatômica ou lifestyle).

1. Mudanças de hábito e aparelhos intraorais

Para casos leves, perder peso, evitar álcool à noite e dormir de lado pode ajudar. Aparelhos intraorais (parecidos com placas de bruxismo) que projetam a mandíbula para frente também são úteis para abrir a passagem de ar.

2. Famoso CPAP

Para casos moderados a graves, o CPAP é muito comum. É uma máscara que joga ar com pressão positiva nas vias aéreas, impedindo que elas se fechem.

Embora eficaz, muitos pacientes têm baixa tolerância e acham desconfortável dormir com o aparelho.

3. Cirurgia Ortognática

Aqui entra a expertise da cirurgia bucomaxilofacial. Para pacientes com problemas anatômicos claros (queixo retraído, por exemplo) ou que não se adaptam ao CPAP, a cirurgia é uma solução transformadora.

"Procedimentos como a cirurgia ortognática com avanço maxilomandibular apresentam taxas elevadas de sucesso", explica Dr. Otávio.

Basicamente, a cirurgia reposiciona os ossos da face, aumentando permanentemente o espaço para o ar passar.

"Em muitos casos, conseguimos uma redução expressiva do índice de apneia e até a resolução completa da doença", conclui o especialista.

Não ignore o barulho

O ronco frequente não deve ser normalizado. Ele é um alerta de que algo não vai bem com sua saúde.

Seja por meio de mudanças de hábitos, uso de aparelhos ou correção cirúrgica, o importante é buscar uma avaliação individualizada.

Voltar a dormir bem não significa apenas silêncio na casa, mas sim proteger seu coração, seu cérebro e ganhar anos de vida com qualidade.

Alto Astral
Compartilhar
Publicidade

Conheça nossos produtos

Seu Terra












Publicidade