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Sem preconceito: veja mitos e verdades sobre a hanseníase

A hanseníase tem cura e tratamento gratuito pelo SUS, mas ainda enfrenta estigmas. Informação é essencial para diagnóstico precoce e prevenção.

26 jan 2026 - 18h55
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A hanseníase ainda carrega estigmas que dificultam o diagnóstico e o tratamento no Brasil. Mesmo sendo uma doença curável, ela segue cercada por medo e informações incorretas.

Foto: Reprodução/Shutterstock / Alto Astral

Segundo Cláudia Cisneros, médica dermatologista do AmorSaúde, rede de clínicas parceiras do Cartão de TODOS, a desinformação é um dos maiores desafios.

"Muitos ainda acreditam que a hanseníase é altamente contagiosa ou que não tem cura. Isso não é verdade e reforça o preconceito", afirma.

O Brasil é o segundo país do mundo em número de novos casos da doença. Os dados são do Ministério da Saúde e mostram que o problema ainda é de saúde pública.

Por isso, falar sobre hanseníase com clareza é essencial. Informação correta ajuda a salvar vidas e evitar sequelas.

O que é hanseníase e por que ainda preocupa

A hanseníase é uma doença infecciosa causada pela bactéria Mycobacterium leprae. Ela afeta principalmente a pele e os nervos periféricos.

Com o avanço da doença, pode ocorrer perda de sensibilidade e força muscular.

Em casos não tratados, surgem deformidades físicas permanentes.

Apesar disso, a médica reforça um ponto central.

"A hanseníase tem cura, e o tratamento é eficaz quando iniciado precocemente", explica Cláudia Cisneros.

O grande problema ainda é o diagnóstico tardio. Muitos pacientes demoram a procurar ajuda por medo ou vergonha.

Como a hanseníase é transmitida

A transmissão da hanseníase acontece de forma silenciosa. Ela não ocorre em contatos rápidos ou ocasionais. Segundo Cláudia Cisneros, o contágio depende de alguns fatores específicos.

"A transmissão ocorre pelas vias aéreas, a partir do contato próximo e prolongado com pessoas sem tratamento", explica.

Isso inclui secreções nasais e gotículas da fala, tosse ou espirro.

O convívio social comum não transmite a doença. Abraços, apertos de mão e compartilhamento de objetos não oferecem risco. Após iniciar o tratamento, a pessoa deixa de transmitir a hanseníase.

Principais sinais e sintomas da hanseníase

A hanseníase pode demorar a apresentar sintomas claros. No início, as manifestações costumam ser discretas.

Por isso, atenção aos sinais é fundamental. Entre os principais sintomas estão:

  • Manchas na pele que não coçam e não doem.

  • Perda de sensibilidade ao toque, calor ou frio.

  • Dormência ou formigamento persistente.

  • Diminuição da força muscular em mãos ou pés.

  • Feridas que demoram a cicatrizar.

A médica alerta para a importância desse reconhecimento.

"Identificar a doença cedo evita danos nos nervos e sequelas irreversíveis", destaca.

Ao notar qualquer um desses sinais, a orientação é buscar atendimento médico.

Diagnóstico precoce evita sequelas e interrompe a transmissão

O diagnóstico precoce é decisivo no controle da hanseníase. Quanto mais cedo o tratamento começa, melhores são os resultados.

De acordo com a especialista:

"Além de eliminar a bactéria, o início rápido da medicação impede a progressão da doença e reduz drasticamente o risco de complicações".

O tratamento interrompe a transmissão e protege os contatos próximos. Isso contribui para reduzir novos casos na comunidade.

A demora no diagnóstico aumenta o risco de deformidades. Por isso, informação e acesso ao serviço de saúde são essenciais.

Mitos e verdades sobre a hanseníase

A hanseníase ainda é alvo de muitos mitos. Eles reforçam o preconceito e afastam pessoas do tratamento.

Hanseníase é altamente contagiosa

Mito. A transmissão exige contato próximo e prolongado com pessoa sem tratamento.

Quem inicia o tratamento transmite a doença

Mito. "Após iniciar o tratamento, o paciente deixa de transmitir a hanseníase", esclarece a médica.

Dá para pegar hanseníase com abraço ou beijo

Mito. Contato físico comum não transmite a doença.

Hanseníase tem cura

Verdade. O tratamento com antibióticos leva à cura completa.

A doença está ligada à falta de higiene

Mito. "Trata-se de uma infecção bacteriana, sem relação com sujeira ou higiene pessoal", reforça Cisneros.

Combater esses mitos é fundamental para reduzir o estigma da doença.

Como funciona o tratamento?

O tratamento da hanseníase é feito com antibióticos. Ele é chamado de poliquimioterapia.

A duração varia conforme a forma da doença. Pode durar de seis meses a um ano.

Durante esse período, o paciente pode manter sua rotina normal. Não há necessidade de afastamento social.

"O acompanhamento médico garante a eficácia do tratamento e a cura", explica a especialista.

O tratamento é gratuito e oferecido pelo SUS.

Como prevenir a hanseníase

A prevenção da hanseníase depende, principalmente, do diagnóstico precoce. Identificar casos no início interrompe a cadeia de transmissão.

Entre as principais medidas estão:

  • Avaliação de contatos próximos.

  • Atenção a manchas com perda de sensibilidade.

  • Busca rápida por atendimento médico.

  • Acompanhamento regular dos pacientes.

Cláudia Cisneros reforça o papel da vigilância: "A avaliação das pessoas que convivem com o paciente é essencial para o controle da doença".

Informação e acompanhamento reduzem riscos e preconceitos.

Informação combate o preconceito

A hanseníase ainda é vista com medo por muitas pessoas. Esse estigma causa sofrimento desnecessário.

Campanhas como o Janeiro Roxo ajudam a mudar esse cenário. Elas incentivam o diagnóstico precoce e a empatia.

"Informação correta é uma das ferramentas mais poderosas para combater o preconceito", afirma a médica.

Falar sobre hanseníase é falar de saúde e inclusão.

A hanseníase tem cura e tratamento eficaz. O maior desafio ainda é a desinformação.

Reconhecer os sintomas e buscar atendimento cedo evita sequelas. Além disso, reduz a transmissão e o impacto social da doença.

Se notar alterações na pele ou perda de sensibilidade, procure um profissional de saúde.

Informação salva vidas e combate o preconceito!

Alto Astral
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