Sem preconceito: veja mitos e verdades sobre a hanseníase
A hanseníase tem cura e tratamento gratuito pelo SUS, mas ainda enfrenta estigmas. Informação é essencial para diagnóstico precoce e prevenção.
A hanseníase ainda carrega estigmas que dificultam o diagnóstico e o tratamento no Brasil. Mesmo sendo uma doença curável, ela segue cercada por medo e informações incorretas.
Segundo Cláudia Cisneros, médica dermatologista do AmorSaúde, rede de clínicas parceiras do Cartão de TODOS, a desinformação é um dos maiores desafios.
"Muitos ainda acreditam que a hanseníase é altamente contagiosa ou que não tem cura. Isso não é verdade e reforça o preconceito", afirma.
O Brasil é o segundo país do mundo em número de novos casos da doença. Os dados são do Ministério da Saúde e mostram que o problema ainda é de saúde pública.
Por isso, falar sobre hanseníase com clareza é essencial. Informação correta ajuda a salvar vidas e evitar sequelas.
O que é hanseníase e por que ainda preocupa
A hanseníase é uma doença infecciosa causada pela bactéria Mycobacterium leprae. Ela afeta principalmente a pele e os nervos periféricos.
Com o avanço da doença, pode ocorrer perda de sensibilidade e força muscular.
Em casos não tratados, surgem deformidades físicas permanentes.
Apesar disso, a médica reforça um ponto central.
"A hanseníase tem cura, e o tratamento é eficaz quando iniciado precocemente", explica Cláudia Cisneros.
O grande problema ainda é o diagnóstico tardio. Muitos pacientes demoram a procurar ajuda por medo ou vergonha.
Como a hanseníase é transmitida
A transmissão da hanseníase acontece de forma silenciosa. Ela não ocorre em contatos rápidos ou ocasionais. Segundo Cláudia Cisneros, o contágio depende de alguns fatores específicos.
"A transmissão ocorre pelas vias aéreas, a partir do contato próximo e prolongado com pessoas sem tratamento", explica.
Isso inclui secreções nasais e gotículas da fala, tosse ou espirro.
O convívio social comum não transmite a doença. Abraços, apertos de mão e compartilhamento de objetos não oferecem risco. Após iniciar o tratamento, a pessoa deixa de transmitir a hanseníase.
Principais sinais e sintomas da hanseníase
A hanseníase pode demorar a apresentar sintomas claros. No início, as manifestações costumam ser discretas.
Por isso, atenção aos sinais é fundamental. Entre os principais sintomas estão:
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Manchas na pele que não coçam e não doem.
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Perda de sensibilidade ao toque, calor ou frio.
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Dormência ou formigamento persistente.
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Diminuição da força muscular em mãos ou pés.
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Feridas que demoram a cicatrizar.
A médica alerta para a importância desse reconhecimento.
"Identificar a doença cedo evita danos nos nervos e sequelas irreversíveis", destaca.
Ao notar qualquer um desses sinais, a orientação é buscar atendimento médico.
Diagnóstico precoce evita sequelas e interrompe a transmissão
O diagnóstico precoce é decisivo no controle da hanseníase. Quanto mais cedo o tratamento começa, melhores são os resultados.
De acordo com a especialista:
"Além de eliminar a bactéria, o início rápido da medicação impede a progressão da doença e reduz drasticamente o risco de complicações".
O tratamento interrompe a transmissão e protege os contatos próximos. Isso contribui para reduzir novos casos na comunidade.
A demora no diagnóstico aumenta o risco de deformidades. Por isso, informação e acesso ao serviço de saúde são essenciais.
Mitos e verdades sobre a hanseníase
A hanseníase ainda é alvo de muitos mitos. Eles reforçam o preconceito e afastam pessoas do tratamento.
Hanseníase é altamente contagiosa
Mito. A transmissão exige contato próximo e prolongado com pessoa sem tratamento.
Quem inicia o tratamento transmite a doença
Mito. "Após iniciar o tratamento, o paciente deixa de transmitir a hanseníase", esclarece a médica.
Dá para pegar hanseníase com abraço ou beijo
Mito. Contato físico comum não transmite a doença.
Hanseníase tem cura
Verdade. O tratamento com antibióticos leva à cura completa.
A doença está ligada à falta de higiene
Mito. "Trata-se de uma infecção bacteriana, sem relação com sujeira ou higiene pessoal", reforça Cisneros.
Combater esses mitos é fundamental para reduzir o estigma da doença.
Como funciona o tratamento?
O tratamento da hanseníase é feito com antibióticos. Ele é chamado de poliquimioterapia.
A duração varia conforme a forma da doença. Pode durar de seis meses a um ano.
Durante esse período, o paciente pode manter sua rotina normal. Não há necessidade de afastamento social.
"O acompanhamento médico garante a eficácia do tratamento e a cura", explica a especialista.
O tratamento é gratuito e oferecido pelo SUS.
Como prevenir a hanseníase
A prevenção da hanseníase depende, principalmente, do diagnóstico precoce. Identificar casos no início interrompe a cadeia de transmissão.
Entre as principais medidas estão:
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Avaliação de contatos próximos.
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Atenção a manchas com perda de sensibilidade.
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Busca rápida por atendimento médico.
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Acompanhamento regular dos pacientes.
Cláudia Cisneros reforça o papel da vigilância: "A avaliação das pessoas que convivem com o paciente é essencial para o controle da doença".
Informação e acompanhamento reduzem riscos e preconceitos.
Informação combate o preconceito
A hanseníase ainda é vista com medo por muitas pessoas. Esse estigma causa sofrimento desnecessário.
Campanhas como o Janeiro Roxo ajudam a mudar esse cenário. Elas incentivam o diagnóstico precoce e a empatia.
"Informação correta é uma das ferramentas mais poderosas para combater o preconceito", afirma a médica.
Falar sobre hanseníase é falar de saúde e inclusão.
A hanseníase tem cura e tratamento eficaz. O maior desafio ainda é a desinformação.
Reconhecer os sintomas e buscar atendimento cedo evita sequelas. Além disso, reduz a transmissão e o impacto social da doença.
Se notar alterações na pele ou perda de sensibilidade, procure um profissional de saúde.
Informação salva vidas e combate o preconceito!