A chamada "dieta anti-inflamatória" tornou-se um tema central em debates sobre saúde e emagrecimento. No entanto, sua propagação nas redes sociais nem sempre reflete o rigor científico necessário. Em 2026, promessas de curas rápidas por meio da alimentação são comuns, mas exigem cautela.
Segundo o Dr. Celso Cukier, médico nutrólogo da Omint, esse regime não é validado pela ciência. Trata-se de um modelo difundido popularmente que simplifica processos biológicos complexos. Para o especialista, a proposta generaliza perigosamente a relação entre alimentos e a resposta inflamatória do corpo humano.
Entendendo a inflamação no organismo
Para avaliar essa dieta, é preciso compreender que a inflamação é um mecanismo natural de defesa. Ela pode ser classificada em dois tipos: aguda ou crônica. Enquanto a aguda é uma resposta imediata à lesão, a crônica exige investigação médica detalhada.
"Nesse caso, entender a origem do processo inflamatório é fundamental antes de qualquer mudança alimentar", explica Cukier. Sem identificar a causa base da inflamação, alterar a dieta isoladamente pode ser uma estratégia ineficaz e sem propósito clínico.
O polêmico corte do glúten e do leite
A retirada radical de glúten e laticínios é o ponto mais debatido do protocolo anti-inflamatório. Segundo o nutrólogo, essa exclusão só é recomendada quando exames comprovam intolerância, alergia ou anticorpos específicos.
"Em casos como a doença celíaca, o glúten desencadeia uma resposta imunológica, mas isso exige diagnóstico. Eliminar alimentos sem avaliação prévia não tem embasamento científico e pode causar prejuízos nutricionais", alerta o médico. Restrições severas sem acompanhamento profissional podem levar a deficiências graves de vitaminas e minerais.
Ultraprocessados e a microbiota intestinal
Estudos recentes alertam que o perigo real está nos produtos industrializados, ricos em sal e gordura saturada. Esses itens podem alterar a flora intestinal e causar a disbiose, que é o desequilíbrio da microbiota.
"Isso é diferente de classificar uma dieta restritiva como 'anti-inflamatória'. O foco deve estar na qualidade nutricional", pontua o Dr. Celso Cukier. Para a ciência, evitar o excesso de aditivos químicos é mais eficaz do que cortar grupos alimentares saudáveis sem necessidade.
Alternativas validadas: dieta mediterrânea
Em vez de protocolos restritivos, a ciência aponta para modelos equilibrados, como a dieta mediterrânea. Ao contrário de regimes genéricos, esse padrão é amplamente estudado por seus benefícios cardiovasculares e neurológicos.
"São modelos ricos em frutas, legumes, verduras e cereais integrais. Seus compostos antioxidantes estimulam o equilíbrio natural do organismo", explica Cukier. Esses alimentos oferecem os nutrientes necessários para que o corpo gerencie seus próprios processos inflamatórios.
A importância da individualização
A orientação principal para quem busca saúde em 2026 é evitar generalizações simplistas. Antes de atribuir uma inflamação a um alimento isolado, é essencial realizar uma avaliação médica individualizada.
O diagnóstico deve ser fundamentado em exames clínicos e laboratoriais precisos. Na ausência de doenças, uma alimentação equilibrada e de alta densidade nutricional basta para promover o bem-estar. Lembre-se: na medicina, o equilíbrio e o acompanhamento profissional superam qualquer atalho da moda.