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Dá para comprar casa por 1 euro na Europa? Entenda como funciona o projeto

Iniciativa, popular principalmente na Itália, visa transforma propriedades abandonadas em moradias, negócios e projetos de revitalização urbana

27 ago 2026 - 08h43
Resumo
O projeto "Casa por 1 euro" visa revitalizar centros históricos e combater o despovoamento em países europeus como Itália, Espanha e França. Municípios intermediam a venda simbólica de imóveis abandonados, exigindo em troca que o comprador custeie e realize a reforma dentro de prazos estipulados, muitas vezes com caução. A compra é aberta a estrangeiros sob certas regras legais e fiscais, mas o processo não garante direito automático de residência permanente no país.

Já imaginou encontrar uma casa anunciada por apenas 1 euro em algum país da Europa? A proposta parece improvável, mas faz parte de um projeto criado para dar uma nova vida a imóveis abandonados e ajudar cidades que perderam moradores ao longo dos anos.

Casas por 1 euro fazem parte de um projeto criado para recuperar imóveis abandonados e revitalizar cidades da Europa
Casas por 1 euro fazem parte de um projeto criado para recuperar imóveis abandonados e revitalizar cidades da Europa
Foto: Aleh Varanishcha/Getty Images / Bons Fluidos

A iniciativa 'Casa por 1 euro' começou em Liverpool, na Inglaterra, em 2015. Com o tempo, a ideia foi adotada por outros países europeus, como Espanha, França e Itália, onde diferentes municípios passaram a utilizar o modelo, a fim de revitalizar áreas históricas.

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Como funciona o projeto?

A lógica é relativamente simples: proprietários autorizam a prefeitura a intermediar a venda de determinadas construções por um valor simbólico. Em contrapartida, o comprador se compromete a recuperar o imóvel dentro das condições estabelecidas pelo município.

O objetivo, então, não é apenas colocar uma propriedade barata no mercado. Isso porque a proposta busca evitar que construções abandonadas continuem se deteriorando e, ao mesmo tempo, estimular a ocupação de regiões que perderam população.

Dependendo das regras locais, a propriedade pode ser transformada em casa, loja, pousada ou espaço comercial. Também existem possibilidades para projetos de investimento e posterior revenda.

Antes de assumir o imóvel, contudo, o interessado precisa avaliar o estado da construção e calcular os custos envolvidos. Podem entrar nessa conta obras estruturais, instalações, documentação, impostos, serviços profissionais e licenças. Além disso, os municípios estabelecem prazos para que a recuperação seja realizada. Em muitos casos, o comprador precisa apresentar um projeto de reforma antes ou pouco depois da aquisição.

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Algumas administrações ainda exigem uma garantia financeira para assegurar que a obra será realizada. Nas regras divulgadas pela iniciativa, esse seguro pode ficar entre € 1 mil e € 5 mil e costuma permanecer válido até a conclusão dos trabalhos.

Por que as cidades fazem isso?

O projeto surgiu como uma resposta a um problema que afeta diferentes pequenas cidades da Europa: despovoamento e envelhecimento da população.  Quando moradores deixam essas localidades, imóveis podem permanecer vazios durante anos. Sem manutenção, construções históricas começam a se deteriorar e os próprios centros urbanos perdem movimento.

Nesse cenário, vender uma casa por um preço simbólico pode ser uma forma de transferir para um novo proprietário a responsabilidade pela recuperação do imóvel. Ao mesmo tempo, a chegada de moradores, empreendedores ou investidores pode movimentar o comércio e os serviços locais. A estratégia também ajuda a preservar construções que fazem parte da identidade histórica dessas comunidades.

Itália virou um dos exemplos

Entre os países que adotaram o modelo, a Itália ganhou destaque pela quantidade de municípios participantes. Cerca de 70 cidades já aderiram ao programa, segundo as informações da iniciativa. Um dos exemplos recentes é Naro, na Sicília. Com aproximadamente 8 mil habitantes, o município passou a oferecer imóveis abandonados dentro da proposta de recuperação do centro urbano.

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Outro caso que chamou atenção foi o de Penne, na província de Pescara. A cidade, que tem cerca de 11 mil habitantes, recebeu aproximadamente 1.700 e-mails em menos de duas semanas depois da divulgação do projeto, com manifestações de interesse vindas da Itália e do exterior.

Estrangeiros também podem participar?

A possibilidade existe, mas a compra não acontece exatamente da mesma maneira para todos. Quem mora fora do país precisa verificar as regras aplicáveis à aquisição de imóveis e à permanência no território. No caso da Itália, estrangeiros devem observar a chamada regra de reciprocidade, que considera a possibilidade de cidadãos italianos comprarem imóveis no país de origem do interessado.

Também é necessário obter o código fiscal italiano, utilizado para identificar o comprador perante as autoridades e cumprir obrigações tributárias. Outro ponto importante é separar a compra do imóvel do direito de residência. Adquirir uma propriedade não significa, por si só, receber autorização para morar no país por tempo indeterminado.

Como encontrar as casas na Europa?

As oportunidades dependem dos municípios participantes e das regras definidas por cada administração. Por isso, o caminho é consultar os editais e sites oficiais das prefeituras. Em algumas cidades, o interessado precisa preencher um formulário e demonstrar que pretende realmente recuperar o imóvel.

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Também pode ser necessário visitar a propriedade antes de concluir o negócio. A iniciativa recomenda ainda buscar profissionais locais, como tabeliães e engenheiros, que conheçam os procedimentos e as exigências da região.

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