Estudo da Universidade da Califórnia revelou que exames de sangue para biomarcadores de Alzheimer, como as proteínas beta-amiloide e tau, podem detectar sinais precoces de declínio cognitivo em adultos de meia-idade sem diagnóstico de demência. Pessoas com níveis elevados dessas proteínas apresentaram menor velocidade de processamento e risco até quatro vezes maior de piora rápida na memória após cinco anos, permitindo intervenções precoces com mudanças no estilo de vida.
27 de agosto de 2026 (Bibliomed). Algumas pesquisas recentes têm se concentrado em como identificar os primeiros sinais da doença de Alzheimer. Uma ferramenta que os médicos estão começando a usar para ajudar a prever o risco de uma pessoa desenvolver a doença em seus estágios iniciais é por meio de exames de sangue que buscam biomarcadores.
Um novo estudo, realizado na Universidade da Califórnia em São Francisco, nos Estados Unidos, descobriu que esses exames de sangue que buscam biomarcadores também podem ajudar os médicos a encontrar sinais muito precoces de declínio cognitivo em adultos de meia-idade sem um diagnóstico de demência.
Para o estudo, os pesquisadores analisaram dados de participantes do estudo CARDIA e selecionaram cerca de 1.300 participantes desse estudo, com idade média de 61 anos. Desse grupo, 6% apresentaram níveis elevados das proteínas beta-amiloide e tau no sangue, consideradas características da doença de Alzheimer.
Os cientistas descobriram que os participantes desses 6% apresentavam menor velocidade de processamento e função executiva. E, quando testados cinco anos depois, aqueles com altos níveis dos biomarcadores beta-amiloide e tau apresentaram um risco de 2,5 a 4 vezes maior de declínio rápido na memória verbal e de 3 a 4 vezes maior de declínio rápido na velocidade de processamento.
Os pesquisadores acreditam que o uso de exames de sangue que buscam biomarcadores dessa forma pode dar maior credibilidade à implementação de mudanças saudáveis no estilo de vida, conhecidas por ajudar a reduzir o risco de demência.
Fonte: The Lancet. DOI: 10.1016/S0140-6736(26)00515-5.