Interpretar uma grande vilã de novela das nove exige mais do que carisma ou intensidade em cena. Muitas vezes, passa também por revisitar personagens marcantes da teledramaturgia brasileira. Foi exatamente isso que Isabel Teixeira fez ao começar a construir Pilar, antagonista de Quem Ama Cuida, nova trama da TV Globo escrita por Walcyr Carrasco em parceria com Claudia Souto.
Antes mesmo da estreia da novela, a atriz revelou que buscou inspiração em um dos personagens mais emblemáticos criados por Walcyr: Félix, interpretado por Mateus Solano em Amor à Vida. "Estudei muito Félix, porque eu acho esse personagem a marca registrada do Walcyr Carrasco", contou em entrevista ao jornal O Globo.
A marca das vilãs de Walcyr Carrasco
Apesar da inspiração, Isabel faz questão de destacar que Pilar seguirá um caminho próprio. Segundo ela, a personagem carrega características típicas do universo criado por Walcyr Carrasco, conhecido por escrever figuras intensas, irônicas e emocionalmente ambíguas.
"A Pilar vai para outro lado, totalmente diferente, mas eu fui revendo um pouco de 'Amor à vida' e tem algo com a escrita... Tudo é Walcyr. Tem uma acidez, uma maldade mesmo. Ela é humana, mas ela é tão bizarra que parece não ser", explicou.
A atriz, de 52 anos, vive pela primeira vez uma antagonista em uma novela das nove - um desafio que, segundo ela, exige uma construção mais profunda e naturalista do que personagens de outros horários da TV.
Cada horário pede um tipo de vilã
Durante conversa com a Quem, Isabel refletiu sobre como o público brasileiro reconhece diferenças muito claras entre as novelas das seis, sete e nove. Para ela, isso influencia diretamente o comportamento dos personagens e até o nível de complexidade das vilãs.
"Quem é noveleiro sabe que existe uma diferença grande que o próprio gênero pede. A gente que é brasileiro, e brasileiro é noveleiro, sabe que a novela das 6 é uma estrutura de dramaturgia, é um tipo de história, geralmente mais levinha", comentou.
Ela também relembrou com carinho Violeta Castillo, personagem que interpretou em Volta por Cima, destacando que a vilã da faixa das sete costuma ter mais humor, dinamismo e exagero. Já nas novelas das nove, a construção emocional tende a ganhar mais camadas. "É mais naturalista. É uma vilã do Walcyr Carrasco, que também tem uma tradição de escrever para vilãs. Eu estudei vilão, e quem é noveleiro sabe quem é o vilão. Estudei muito", afirmou.
A relação entre novela e público
Outro ponto destacado pela atriz foi o caráter coletivo da construção de uma novela. Isabel acredita que Pilar também será moldada pela resposta do público ao longo da exibição da trama - algo que ela define como uma das partes mais fascinantes da televisão brasileira. "Eu estou sempre escutando o texto, a caracterização. E com o público que vai chegar agora para assistir, e que vai ser lindo, porque é obra aberta", disse.
Para ela, acompanhar uma novela continua sendo uma experiência afetiva e coletiva capaz de unir pessoas, mesmo em tempos de tanta polarização. "Vamos estar juntos nesse país que está tendendo a se desunir, de novo. Vamos nos juntar para ver novela um pouco, esquecer durante um tempinho, comentar, xingar a vilã", pontuou.