Dorme coberto até no calorão? A psicologia explica o motivo secreto desse hábito

Entenda como a pressão do lençol aciona um botão de relaxamento no seu sistema nervoso e ajuda a combater a ansiedade

28 mai 2026 - 08h21

Mesmo nas noites mais quentes do ano, muitas pessoas simplesmente não conseguem pegar no sono se não estiverem completamente quentinhas. Longe de ser apenas uma mania boba, pesquisadores explicam que dormir coberto esconde um poderoso mecanismo de relaxamento físico e mental. Cientistas acreditam que a estimulação por pressão causada por um cobertor aumenta a ativação parassimpática do sistema nervoso autônomo, que é a parte responsável por nos acalmar, enquanto reduz a ativação simpática, que nos mantém em estado de alerta para lutar ou fugir.

Não consegue dormir se não for coberto, mesmo no calor? Descubra o que a psicologia e a ciência dizem sobre esse hábito
Não consegue dormir se não for coberto, mesmo no calor? Descubra o que a psicologia e a ciência dizem sobre esse hábito
Foto: Liudmila Chernetska/iStock / Getty Images Plus / Bons Fluidos

O poder dessa sensação teve comprovação em um estudo do Departamento de Anestesiologia da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos. A pesquisa ressalta que a pressão generalizada no corpo reduz dores crônicas, sendo percebida pelo cérebro como algo altamente agradável e calmante. Outro estudo das universidades de Flinders e de Adelaide, na Austrália, revelou que o uso de cobertores pesados ajuda adultos a lidarem melhor com problemas de saúde mental, como os sintomas de ansiedade e depressão.

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O gatilho de proteção que nasceu na sua infância

Esse costume noturno vai além da biologia e envolve fortes laços psicológicos que carregamos desde os primeiros anos de vida. Muitas vezes, esse comportamento surge na infância e se mantém ao longo de toda a vida adulta como uma rotina reconfortante e de apego emocional. Estar sob os lençóis traz uma sensação imediata de segurança, agindo como um bloqueio físico contra medos relacionados ao escuro, luzes incômodas, barulhos externos e até mesmo picadas de insetos.

Quando o edredom pode se tornar um perigo para a saúde

Apesar dos benefícios para os adultos, o efeito não é garantia para as crianças, que apresentaram resultados mistos nos testes dos cientistas. Também não existem evidências científicas de que o cobertor traga melhoras diretas em condições como o autismo ou o TDAH, embora muitas pessoas com esses diagnósticos prefiram dormir cobertas para se sentirem acolhidas. O alerta principal dos especialistas vai para o público vulnerável, já que bebês, idosos e pessoas com dificuldades cognitivas podem ter seus movimentos perigosamente restritos pelo peso do tecido.

O uso também é contraindicado para quem sofre com problemas circulatórios ou respiratórios graves, como a apneia obstrutiva do sono. Para quem está liberado, o acessório segue em alta em terapias ocupacionais por sua eficácia contra o estresse moderno. A pesquisadora Suzanne Dawson, autora principal do estudo australiano, lembra que o mercado oferece vários modelos, mas reforça que a ciência ainda busca respostas exatas. "Os cobertores existem em vários modelos, mas até agora não há recomendações padrão, incluindo o tipo, peso, frequência de uso ou duração. A adoção deve ser explorada com mais detalhes na prática", concluiu.

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