Ex não cumpre o acordo de visitas: o que fazer segundo o direito de família?

Descumprimento do regime de convivência: quando procurar a justiça?

26 ago 2026 - 18h23
Resumo
O descumprimento frequente de acordos de convivência prejudica a estabilidade da criança e exige cuidados legais. Especialistas orientam registrar atrasos e faltas por mensagens, evitando conflitos diretos e sem impedir as próximas visitas como punição. Caso o diálogo não resolva, a Justiça pode ser acionada para revisar ou detalhar as regras do regime de convivência, sempre priorizando o bem-estar e a rotina do menor em vez de disputas entre os responsáveis.

Atrasos, faltas e mudanças frequentes nos dias de convivência podem exigir medidas para reorganizar a relação familiar

Depois da separação, organizar a rotina dos filhos costuma ser um dos principais desafios enfrentados pelos pais. Horários para buscar e devolver a criança, finais de semana, feriados, férias e compromissos escolares precisam ser conciliados entre duas casas. O problema surge quando os responsáveis ou a Justiça estabelecem um acordo e uma das partes deixa de cumpri-lo com frequência.

Foto de Luke Pennystan na Unsplash
Foto de Luke Pennystan na Unsplash
Foto: Revista Malu

Um atraso eventual ou uma mudança combinada entre os pais faz parte dos imprevistos da rotina. A situação é diferente quando atrasos, faltas, cancelamentos de última hora ou alterações unilaterais passam a se repetir e prejudicam a estabilidade da criança.

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Segundo o advogado especialista em direito de família Fernando Felix, é importante separar episódios pontuais de uma conduta recorrente. "O regime de convivência não deve ser tratado como um compromisso que pode ser cumprido apenas quando for conveniente. Existe uma organização construída principalmente para preservar a rotina e o vínculo da criança com os responsáveis", explica.

Ele não apareceu para buscar o filho. O que fazer?

Quando um dos responsáveis deixa de comparecer no período de convivência combinado, o primeiro cuidado é evitar transformar a situação em um conflito na frente da criança. Ao mesmo tempo, ocorrências frequentes não devem ser simplesmente ignoradas.

Mensagens, conversas sobre alterações de horários e registros dos episódios comprovam que o problema não ocorreu de forma isolada, principalmente quando o descumprimento passa a interferir na rotina familiar.

"É recomendável que os responsáveis tentem manter uma comunicação objetiva e documentada. Quando existe uma repetição, esses registros podem ser importantes para demonstrar como a dinâmica vem acontecendo na prática", orienta Felix.

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E quando o filho é devolvido sempre fora do horário?

A lógica é semelhante. Se existe um horário previamente estabelecido para o retorno da criança, ele deve ser respeitado. Atrasos constantes podem interferir no sono, na escola, em atividades programadas e na organização do outro responsável.

Isso não significa que qualquer atraso precise terminar em uma disputa judicial. O contexto e a frequência são importantes para avaliar a gravidade da situação.

Posso impedir a próxima visita porque meu ex descumpriu o acordo?

Usar a convivência com os filhos como forma de punição ao ex-companheiro não é a solução adequada. O fato de um responsável ter descumprido horários ou compromissos não autoriza automaticamente o outro a impedir os próximos períodos de convivência.

"É preciso lembrar que a convivência envolve, antes de tudo, o direito da criança de manter seus vínculos familiares. Os conflitos entre os adultos não devem transformar o filho em instrumento de cobrança", afirma Fernando Felix.

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Situações envolvendo risco à integridade física ou psicológica da criança, no entanto, exigem uma análise diferente e podem demandar providências urgentes de proteção.

Quando procurar a Justiça?

Se os problemas persistirem apesar das tentativas de diálogo, pode ser necessário buscar orientação jurídica para avaliar as medidas cabíveis. Dependendo das circunstâncias, é possível pedir que as regras de convivência sejam detalhadas ou revistas para que correspondam melhor à realidade daquela família.

Para Felix, quanto mais claras forem as regras, menor tende a ser o espaço para conflitos. "Horários, feriados, férias e responsabilidades bem definidos ajudam os pais, mas principalmente dão previsibilidade à criança. O objetivo não deve ser vencer uma disputa contra o ex, mas construir uma rotina que funcione para o filho", conclui.

Revista Malu
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