No Dia do Atleta Profissional, celebrado em 10 de fevereiro, o debate sobre desempenho esportivo vai além da preparação física e técnica.
Em um cenário de alta competitividade, pressão constante por resultados e exposição pública, o cuidado com a saúde mental se consolida como um dos pilares do alto rendimento.
Cada vez mais presente nas comissões técnicas e na rotina de atletas profissionais, o acompanhamento psicológico tem se mostrado decisivo para a manutenção da performance, a longevidade na carreira e o equilíbrio emocional diante de vitórias, derrotas e lesões.
Andréia Batista, psicóloga clínica do esporte, explica que o acompanhamento psicológico melhora o desempenho porque trabalha aquilo que não aparece no treino físico: a forma como o atleta lida com pressão, erro, expectativa e exposição. "Não basta estar tecnicamente preparado, é preciso sustentar equilíbrio emocional ao longo do tempo. Esse trabalho desenvolve foco, clareza mental, autorregulação emocional e confiança, favorecendo decisões mais precisas e constância de rendimento", conta.
O emocional importa
Para a especialista, um atleta pode estar fisicamente apto, mas se estiver emocionalmente sobrecarregado, o rendimento cai. "A pressão por resultados, a cobrança externa e o medo de perder espaço exigem grande capacidade emocional. Distância da família, barreiras culturais, idioma e solidão emocional impactam diretamente a confiança e a performance", diz.
De acordo com Andreia, engana-se quem acredita que o psicólogo esportivo atua apenas em momentos de crise. "Grande parte do trabalho é preventivo e de desenvolvimento emocional, ajudando o atleta a se conhecer, organizar pensamentos e criar estratégias emocionais antes que o sofrimento apareça", explica.
A psicoóloga conta que a influência da mente nos resultados também se reflete diretamente em treinos e competições. "Pensamentos automáticos negativos, excesso de autocrítica ou medo de errar podem gerar tensão muscular, perda de foco e decisões precipitadas", observa.
Técnicas de regulação
Andreia ressalta também que ansiedade e o medo de falhar são sentimentos comuns no alto rendimento, embora muitas vezes silenciados. "O medo de falhar existe e costuma ser escondido pela cultura da força e da invulnerabilidade. O trabalho psicológico ajuda o atleta a compreender a ansiedade, regular o sistema emocional e transformar a pressão em foco funcional", explica.
"Entre as principais técnicas utilizadas estão a regulação emocional, treino de atenção e foco, visualização, fortalecimento da autoconfiança e reestruturação de pensamentos disfuncionais. O trabalho é sempre individualizado, considerando a modalidade, o momento da carreira e o contexto cultural do atleta", pontua.
Segundo a psicóloga, em competições de alto nível, o psicológico pode ser o diferencial entre ganhar ou perder. "A diferença técnica costuma ser mínima. O que pesa é a capacidade emocional de sustentar a performance sob pressão e manter clareza mental em momentos decisivos", conta.
Andréia reforça que o apoio psicológico também é fundamental na recuperação após derrotas e lesões. "Esses momentos impactam não apenas o corpo, mas a identidade do atleta. O acompanhamento ajuda a elaborar frustrações, lidar com o medo do retorno e reconstruir a confiança. Buscar suporte psicológico é estratégia de carreira. Atleta que busca alto rendimento sabe que cuidar do mental é fundamental", conclui.