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Como dois casos de ebola em países diferentes acabaram ligados pelo mesmo aeroporto

31 out 2026 - 21h26
Resumo
Autoridades investigam uma ligação entre casos de ebola no Quênia e na Nigéria após os dois pacientes passarem pelo aeroporto de Entebbe, em Uganda, no mesmo dia. Embora Uganda negue casos ativos e afirme que uma paciente contraiu o vírus na República Democrática do Congo, o governo suíço contesta a versão e sustenta que a mulher não esteve no país vizinho. O cenário reforça as dúvidas sobre a origem real dos contágios e expõe os desafios da vigilância sanitária em regiões fronteiriças.

Passagem pelo mesmo terminal em Uganda e versões contraditórias sobre o histórico de viagem de uma paciente alimentam dúvidas sobre a origem das infecções e uma possível ligação entre os casos na Nigéria e no Quênia.Autoridades de saúde africanas investigam uma possível conexão entre os primeiros casos confirmados de ebola no Quênia e na Nigéria. Os dois pacientes passaram pelo Aeroporto Internacional de Entebbe, em Uganda, no dia 3 de outubro, e podem ter estado no local ao mesmo tempo.

A coincidência colocou Uganda no centro das investigações, apesar de o país afirmar que não registra atualmente nenhum caso ativo da doença.

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Segundo Wessam Mankoula, chefe de preparação e resposta a emergências do Centro Africano de Controle e Prevenção de Doenças (Africa CDC), os dois pacientes estiveram no aeroporto na mesma data. Ainda não há confirmação de que eles tenham se encontrado ou de que tenha ocorrido transmissão do vírus no local.

A situação levantou dúvidas sobre o papel de Uganda nos casos. As autoridades tentam determinar se o país foi apenas um ponto de passagem para pessoas já infectadas ou se algumas infecções podem ter passado despercebidas em uma das regiões fronteiriças mais movimentadas da África.

Caso na Nigéria gera controvérsia

A investigação ganhou um novo capítulo depois que a Suíça contestou a versão apresentada por Uganda sobre o histórico de viagem da paciente diagnosticada na Nigéria.

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O ministro da Saúde nigeriano, Muhammad Ali Pate, confirmou um caso de ebola em Abuja, envolvendo uma mulher que havia viajado recentemente pela África Oriental, incluindo Uganda.

De acordo com as autoridades, ela apresentou os primeiros sintomas em 7 de outubro e procurou atendimento médico quatro dias depois. Exames confirmaram a infecção, e a paciente foi isolada para tratamento.

A Nigéria identificou 44 pessoas que tiveram contato com ela, entre profissionais de saúde, familiares, pacientes e possíveis contatos durante a viagem.

Suíça contradiz Uganda

O Ministério da Saúde de Uganda afirmou que a mulher teria viajado anteriormente para o leste da República Democrática do Congo (RDC), país que enfrenta um surto de ebola, e que apenas transitou por Uganda sem apresentar sintomas.

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Segundo Kampala, isso indicaria que a exposição ao vírus pode ter ocorrido na RDC.

Entretanto, o governo suíço contesta essa versão. Em declaração à Reuters, o Departamento Federal de Relações Exteriores da Suíça afirmou que a paciente e seu marido não estiveram na República Democrática do Congo.

As autoridades suíças identificaram a mulher como uma cidadã suíça de origem ugandense, casada com um diplomata suíço lotado em Abuja.

Na quinta-feira, a Suíça informou à Reuters que acredita que ela tenha contraído o vírus durante uma viagem a Uganda com o marido, embora essa hipótese ainda não tenha sido confirmada de forma independente.

Tanto a Organização Mundial da Saúde (OMS) quanto o Africa CDC afirmaram não ter recebido evidências de que a paciente tenha viajado à RDC.

As informações conflitantes aumentam as dúvidas sobre onde exatamente ocorreu a infecção, mas não comprovam que o contágio tenha acontecido em Uganda.

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Mais de 5 mil pessoas já morreram em decorrência do surto de ebola declarado em 15 de maio no leste da República Democrática do Congo, mas que se estendeu a outras províncias do país. Segundo o último relatório publicado pelo Instituto Nacional de Saúde Pública (INSP) da RDC, com dados coletados até 29 de outubro, foram registradas 10.351 infecções confirmadas, com 5.026 mortos. A epidemia apresenta uma taxa de letalidade de 48,6%, e a taxa de rastreamento de contatos está em 84,5%.

Investigação no Quênia enfrenta obstáculo

Uganda também aparece em uma segunda investigação relacionada ao primeiro caso confirmado de ebola no Quênia.

O paciente, que morreu em Nairóbi em 5 de outubro, havia viajado da República Democrática do Congo para o Quênia passando por Uganda. As autoridades confirmaram que ele esteve no Aeroporto Internacional de Entebbe em 3 de outubro, exatamente no mesmo dia da paciente diagnosticada posteriormente na Nigéria.

Desde então, o Quênia registrou novas infecções ligadas a esse caso inicial.

As investigações, porém, enfrentam dificuldades. Segundo o jornal Daily Nation, as autoridades procuram um cidadão ugandense identificado como contato do paciente que morreu.

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O diretor-geral de Saúde do Quênia, Patrick Amoth, afirmou que os investigadores possuem seu nome, número de passaporte e telefone, mas ainda não conseguiram localizá-lo. De acordo com o jornal, ele utilizava um número telefônico do Sudão do Sul, o que dificulta sua localização.

As autoridades ressaltam que o fato de ele ser um contato não significa que esteja infectado, mas identificá-lo é fundamental para interromper possíveis cadeias de transmissão.

Controle nas fronteiras tem limitações

Uganda compartilha uma longa fronteira com a República Democrática do Congo, onde surtos de ebola ocorrem periodicamente.

A intensa circulação de pessoas e mercadorias torna difícil determinar exatamente onde uma pessoa foi exposta ao vírus.

Além disso, os sintomas do ebola podem levar de dois a 21 dias para aparecer. Segundo a OMS, uma pessoa infectada só se torna contagiosa após o surgimento dos sintomas, o que dificulta a detecção de casos durante viagens.

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Por isso, mesmo sistemas rigorosos de controle nas fronteiras não conseguem identificar todos os infectados.

Para especialistas, o fato de os dois pacientes terem passado pelo mesmo aeroporto no mesmo dia evidencia a complexidade do rastreamento internacional de casos e reforça a importância da troca rápida de informações entre países.

Enquanto Uganda afirma estar reforçando a vigilância sanitária em seus pontos de entrada, a Nigéria ampliou o rastreamento de contatos e as medidas de prevenção.

População da Nigéria demonstra preocupação

A confirmação do caso em Abuja despertou receios entre os moradores da capital nigeriana.

"Estou realmente muito preocupada", disse à DW a moradora Peace Kolawole, mostrando um frasco de álcool em gel.

Outros temem que um possível surto agrave os problemas enfrentados pelo sistema de saúde do país.

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"As pessoas nem estão mais preocupadas em adoecer, estão preocupadas em sobreviver", afirmou à DW o morador Jonathan Steven.

Perguntas permanecem sem resposta

Embora a localização estratégica de Uganda explique por que o país aparece nas duas investigações, algumas questões continuam em aberto.

A principal delas é se os pacientes do Quênia e da Nigéria tiveram algum contato no Aeroporto Internacional de Entebbe em 3 de outubro.

Outra dúvida é onde a paciente nigeriana foi infectada, já que a Suíça afirma que ela nunca esteve na República Democrática do Congo.

Até o momento, nem a OMS nem o Africa CDC confirmaram a alegada viagem ao país vizinho. Ao mesmo tempo, a ausência de casos ativos oficialmente registrados em Uganda não descarta completamente a possibilidade de infecções não detectadas.

Enquanto Quênia e Nigéria concentram esforços para conter os casos confirmados, Uganda busca demonstrar que seu sistema de vigilância sanitária é capaz de identificar e controlar eventuais infecções.

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