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Cecília Meireles, poeta brasileira, sobre a passagem do tempo: 'Eu não dei por esta mudança, tão simples, tão certa, tão fácil. Em que espelho ficou perdida a minha face?'

Nos 125 anos de seu nascimento, os versos de 'Retrato' ganham novos significados à luz de uma entrevista em que a escritora relembrou a menina que foi

7 nov 2026 - 08h26
Resumo
No marco de seus 125 anos, a trajetória de Cecília Meireles (1901-1964) ganha destaque por obras consagradas como "Romanceiro da Inconfidência" e "Viagem". Premiado pela ABL, "Viagem" inclui o célebre poema "Retrato", no qual a escritora reflete sobre a passagem do tempo e o estranhamento diante do próprio envelhecimento ao se ver no espelho. Apesar das transformações físicas que retratou na poesia, Cecília revelou, no fim da vida, que manteve intacto desde a infância seu modo peculiar de ver o mundo.
Cecília Meireles, poeta brasileira, sobre a passagem do tempo: ‘Eu não dei por esta mudança, tão simples, tão certa, tão fácil. Em que espelho ficou perdida a minha face?’.
Cecília Meireles, poeta brasileira, sobre a passagem do tempo: ‘Eu não dei por esta mudança, tão simples, tão certa, tão fácil. Em que espelho ficou perdida a minha face?’.
Foto: Reprodução, Global Editora / Purepeople

Cecília Meireles completaria 125 anos neste sábado, 7 de novembro de 2026. Nascida no Rio de Janeiro em 1901, ela foi uma das grandes poetas da língua portuguesa e trabalhou como professora, jornalista e tradutora.

Entre seus livros mais conhecidos estão "Romanceiro da Inconfidência", que conta em versos a história da Inconfidência Mineira, "Ou Isto ou Aquilo", voltado ao público infantil, e "Viagem", que reúne poemas como "Motivo" e "Retrato". 

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É em "Retrato", inclusive, que Cecília traz uma de suas reflexões mais marcantes: a passagem do tempo a partir do estranhamento de quem se olha no espelho e já não reconhece o rosto de antes.

O rosto no espelho

"Retrato" faz parte de "Viagem", livro premiado pela Academia Brasileira de Letras em 1938 e publicado no ano seguinte. 

Ao longo do poema, a voz que fala percebe mudanças no rosto, nas mãos e até no jeito de mostrar o que sente. A última estrofe termina com uma pergunta:

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"Eu não dei por esta mudança,

tão simples, tão certa, tão fácil:

— Em que espelho ficou perdida

a minha face?"

A mudança aconteceu aos poucos, mas só parece ficar evidente diante do espelho. A pergunta final dá a impressão de que o rosto de antes ficou para trás, em algum lugar.

Décadas depois de publicar o poema, no entanto, Cecília falou em uma entrevista sobre algo da infância que ainda reconhecia em si: seu jeito de olhar o mundo.

A menina que Cecília ainda reconhecia

Em maio de 1964, aos 62 anos, Cecília contou a Pedro Bloch, em entrevista à revista Manchete, que, qua...

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