No marco de seus 125 anos, a trajetória de Cecília Meireles (1901-1964) ganha destaque por obras consagradas como "Romanceiro da Inconfidência" e "Viagem". Premiado pela ABL, "Viagem" inclui o célebre poema "Retrato", no qual a escritora reflete sobre a passagem do tempo e o estranhamento diante do próprio envelhecimento ao se ver no espelho. Apesar das transformações físicas que retratou na poesia, Cecília revelou, no fim da vida, que manteve intacto desde a infância seu modo peculiar de ver o mundo.
Cecília Meireles completaria 125 anos neste sábado, 7 de novembro de 2026. Nascida no Rio de Janeiro em 1901, ela foi uma das grandes poetas da língua portuguesa e trabalhou como professora, jornalista e tradutora.
Entre seus livros mais conhecidos estão "Romanceiro da Inconfidência", que conta em versos a história da Inconfidência Mineira, "Ou Isto ou Aquilo", voltado ao público infantil, e "Viagem", que reúne poemas como "Motivo" e "Retrato".
É em "Retrato", inclusive, que Cecília traz uma de suas reflexões mais marcantes: a passagem do tempo a partir do estranhamento de quem se olha no espelho e já não reconhece o rosto de antes.
O rosto no espelho
"Retrato" faz parte de "Viagem", livro premiado pela Academia Brasileira de Letras em 1938 e publicado no ano seguinte.
Ao longo do poema, a voz que fala percebe mudanças no rosto, nas mãos e até no jeito de mostrar o que sente. A última estrofe termina com uma pergunta:
"Eu não dei por esta mudança,
tão simples, tão certa, tão fácil:
— Em que espelho ficou perdida
a minha face?"
A mudança aconteceu aos poucos, mas só parece ficar evidente diante do espelho. A pergunta final dá a impressão de que o rosto de antes ficou para trás, em algum lugar.
Décadas depois de publicar o poema, no entanto, Cecília falou em uma entrevista sobre algo da infância que ainda reconhecia em si: seu jeito de olhar o mundo.
A menina que Cecília ainda reconhecia
Em maio de 1964, aos 62 anos, Cecília contou a Pedro Bloch, em entrevista à revista Manchete, que, qua...
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