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1 ano sem Preta Gil: cantora enfrentou câncer colorretal

Preta enfrentou por dois anos e meio o tratamento de câncer de intestino

21 jul 2026 - 11h02
Resumo
O câncer colorretal, como o que afetou Preta Gil, é o terceiro mais comum no Brasil e muitas vezes é descoberto tardiamente devido à ausência de sintomas claros. Sinais como sangue nas fezes e anemia inexplicada podem ser indicativos da doença. O diagnóstico precoce, com exames como colonoscopia, é essencial para aumentar as chances de cura. ⚕️

Anemia sem causa aparente pode ser um sinal silencioso de câncer de intestino

Era início de 2023, mais precisamente 10 de janeiro quando Preta Gil contou para os fãs que iniciaria uma batalha: ela tinha recebido o diagnóstico de câncer colorretal. Com uma mensagem escrita, a cantora anunciou que havia sido diagnosticada com adenocarcinoma na porção final do intestino. A descoberta veio após passar alguns dias internada na Clínica São Vicente, no Rio de Janeiro, para investigar um desconforto e evacuação com sangramento.

Preta contou sobre a doença nas redes sociais no dia que recebeu o diagnóstico
Preta contou sobre a doença nas redes sociais no dia que recebeu o diagnóstico
Foto: Revista Malu

O câncer colorretal, também conhecido como câncer de intestino, acomete o intestino grosso em duas áreas: no cólon, que inclui as porções ascendente, transversa, descendente e sigmoide, e no reto, que é a parte final intestino, antes do ânus.

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Câncer que levou Preta está entre os mais comuns

De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca), o câncer de intestino é o terceiro mais comum no Brasil, atrás apenas dos tumores de mama e de próstata.

Um estudo de novembro de 2025 da Fundação do Câncer afirma que mais de 60% dos pacientes com câncer colorretal são diagnosticados em estágios avançados da doença (III e IV). Nessa fase, o tumor já invadiu estruturas profundas ou apresenta metástases, situação que amplia a complexidade dos tratamentos e também reduz significativamente as chances de cura.

Uma doença sem sintomas

Apesar de tantos casos, o câncer colorretal demora a ser descoberto por que, muitas vezes, os sintomas passam despercebidos. Essa é uma doença silenciosa, e quando surgem os primeiros sintomas, ainda assim, inúmeros pacientes demoram para procurar ajuda, por acreditarem ser algo mais simples.

Uma pesquisa do Hospital A.C. Camargo, de São Paulo, feita em parceria com a Nexus, confirma essa informação: 8 em cada 10 brasileiros entendem que a presença de sangue nas fezes ou a mudança de funcionamento no intestino por mais de um mês é algo grave. Desses, metade compreende que esses sintomas são "muito grave". Outro dado complementa a pesquisa e mostra que, entre os entrevistados, 9% já percebeu sangue nas fezes em algum momento. Entretanto, quase metade não procurou atendimento médico. Ou seja, a percepção de que algo pode estar errado não leva ao consultório médico.

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Os primeiros sintomas de Preta

Preta Gil afirmou, quando descobriu a doença, que ignorou os sintomas iniciais. A cantora apresentou prisão de ventre persistente, sangue nas fezes, presença de muco e alteração no formato das fezes. Ela só procurou ajuda médica quando teve sangramento intenso nas fezes. O diagnóstico tardio pode comprometer as chances de cura da doença que, segundo o A.C. Camargo, em seu estágio inicial, o câncer de cólon apresenta 90% de chance de cura.

Os sintomas mais comuns incluem:

  • Sangue nas fezes;
  • Alteração no ritmo intestinal (diarreia ou prisão de ventre prolongada);
  • Dor abdominal;
  • Perda de peso sem causa aparente;
  • Cansaço constante;
  • Anemia sem causa aparente.

Casos como Preta Gil ajudaram a ampliar a visibilidade da doença. Além disso, reforçam a importância do diagnóstico precoce e hoje, um ano após a morte da cantora, o tema volta a ganhar espaço.

O gastroenterologista Cássio Vieira de Oliveira, chefe do Serviço de Endoscopia Digestiva do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu-SP/UNESP, destaca que é fundamental atenção aos indícios mais sutis. O especialista reforça que a anemia por deficiência de ferro, principalmente quando não há explicação evidente, pode estar associada a tumores do lado direito do cólon. Ele destaca a necessidade de rastreamento com colonoscopia e investigação adequada diante de qualquer sinal de alerta

O que é câncer colorretal?

Oliveira explica que o câncer colorretal é um tumor maligno que se origina no cólon ou no reto, geralmente a partir de pólipos adenomatosos que sofrem transformação neoplásica ao longo de anos.

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Ele afirma que os principais fatores de risco incluem idade avançada, histórico familiar, síndromes genéticas, dieta rica em carnes processadas, sedentarismo, obesidade, tabagismo e consumo excessivo de álcool. E destaca que as alterações intestinais devem ser investigadas o quanto antes.

"Alterações persistentes como diarreia ou constipação por mais de duas semanas, especialmente associadas a outros sintomas, como sangue nas fezes, dor abdominal ou perda de peso, exigem investigação com colonoscopia. Outros sinais de alerta incluem anemia inexplicada, fadiga, distensão abdominal e perda ponderal."

Como prevenir e tratar?

De acordo com o médico, a prevenção envolve rastreamento regular (colonoscopia e teste de sangue oculto nas fezes), dieta rica em fibras, frutas e vegetais, redução de carnes processadas. Assim como prática de atividade física, controle de peso, não fumar e evitar álcool.

"A colonoscopia deve ser realizada a partir dos 45 anos na população em geral, ou mais precocemente em casos de histórico familiar de câncer colorretal ou adenomas avançados. O tratamento depende do estágio do câncer. No câncer precoce, o tratamento curativo pode ser feito apenas por ressecção endoscópica. Já nos casos avançados, pode envolver cirurgia, quimioterapia e radioterapia", finaliza.

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Revista Malu
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