A Petrobras divulgou nesta sexta-feira (14/08) ter encontrado indícios de petróleo na bacia da Foz do Rio Amazonas, em águas "ultraprofundas" na costa do Amapá.
O achado, que ainda não significa que a exploração de petróleo seria economicamente viável ali, ocorreu no poço Morpho, a cerca de 175 km da costa.
De acordo com a empresa, as buscas por petróleo na área continuarão.
"Nosso otimismo em relação à margem equatorial brasileira se confirma hoje", comemorou a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, em nota à imprensa.
A prospecção — fase de pesquisa, em que ainda não há produção de petróleo — na região é uma prioridade para a Petrobras desde antes do mandato atual de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas o petista endossa o objetivo, mesmo que o plano tenha opositores dentro do próprio governo.
Diversas organizações ambientais já se colocaram contra os planos de exploração na área, considerada ecologicamente sensível. Eventuais impactos da exploração de petróleo ali são desconhecidos e esta seria uma aposta em uma fonte energética altamente poluente, defendem.
Em entrevista à BBC News Brasil em setembro de 2025, Lula afirmou que nenhum país "está preparado para ter uma transição energética capaz de abdicar do combustível fóssil".
A Petrobras argumenta que uma possível exploração ali "permitirá contribuir com o atendimento à demanda crescente por energia" e seria "realizada com investimentos tecnológicos que garantem segurança operacional e cuidado ambiental".
Para a empresa, a Margem Equatorial, uma faixa que vai do Amapá ao Rio Grande do Norte, é a "provável nova fronteira energética do Brasil".
A Petrobras recebeu autorização do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para sondar petróleo na bacia da Foz do Amazonas em outubro do ano passado — na véspera da conferência ambiental COP30, realizada em Belém em novembro.
Mas essa autorização por parte do Ibama levou alguns anos, tendo sido rejeitada anteriormente.
Outra preocupação é com o impacto da exploração na área para comunidades que ali vivem, como de indígenas e quilombolas.
A líder indígena Luene Karipuna, membro da Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Amapá e Norte do Pará (APOIANP), afirmou durante a COP30 que três terras indígenas, onde vivem quatro povos, já estavam sofrendo com a perspectiva da prospecção e exploração de petróleo no Amapá.
"Somos excluídos como se não existíssemos. Há sobrevoos sobre nosso território, pressão constante, e o impacto mais doloroso é quando empresas tentam dividir as lideranças. Nenhuma compensação paga o que já fizeram", afirmou Karipuna.
"É a porta de entrada para explorar toda a Margem Equatorial, e essa é uma conta que não pode ser paga pelos povos indígenas."
Conforme mostrou a BBC News Brasil no início do ano, o município de Oiapoque, o mais próximo da bacia da Foz do Amazonas, já está passando por ocupação desordenada e especulação imobiliária devido à perspectiva de exploração do petróleo.