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Daniel Becker diz que é preciso ‘resgatar respeito ao professor’ na sala de aula

Pediatra e ativista da infância também condenou uso de aparelhos eletrônicos por parte de bebês, crianças e adolescentes

1 set 2026 - 16h56
(atualizado às 17h23)

O pediatra, ativista da infância, sanitarista e escritor Daniel Becker enfatizou que é preciso “resgatar o respeito ao professor” na sala de aula, durante sua participação no painel “Aprendendo a Ser Humano”, no Encontro Futuro Vivo, nesta terça-feira, 1º.

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“Esse profissional precisa ser valorizado. Ele tem uma vida difícil, precisa ser respeitado. Enquanto não compreendermos que a escola é um coletivo, e que a compreensão também é coletiva, nós não conseguiremos avançar”, afirmou. 

Priscila Cruz, cofundadora e presidente-executiva do Todos Pela Educação, endossou a fala do pediatra: “Se a gente apostar no professor, essa nação está salva”. Durante sua participação no painel, Priscila ressaltou que o Brasil possui diversos casos de sucesso ligados à educação, incluindo no Piauí, onde nos últimos dois anos houve um aumento na média dos estudantes de Matemática. 

“Se dá pra fazer no Piauí, que é um Estado enorme, dá pra fazer em qualquer lugar. Temos vários casos de sucesso em Goiás e no Paraná também, por exemplo. Atualmente, nas creches públicas, há um aumento na manifestação emocional dos bebês porque as mães estão amamentando-os enquanto olham o celular. Não existe mais aquela conexão do olhar entre mãe e bebê, que é precioso”, explicou. 

De acordo com a educadora, há um excesso no uso de aparelhos eletrônicos por parte de crianças e adolescentes, mas muito disso se deve ao excesso de tela dos próprios pais ou responsáveis.

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 Daniel Becker (pediatra, sanitarista e ativista pela infância)
Daniel Becker (pediatra, sanitarista e ativista pela infância)
Foto: Adilson Santos/Encontro Futuro Vivo

“Como você vai aprender com esse sequestro cognitivo e com o uso excessivo de IA? Como essa criança vai aprender a conviver? O aumento da violência de gênero nas escolas também é alarmante. Deixamos de entender, nas escolas, o pilar de aprender; desaprendemos a conviver com visões diferentes. O excesso de telas colocou todos em uma bolha que gerou intolerância”, destacou. 

A conversa também contou com a participação de Lia Glaz, diretora-presidente da Fundação Telefônica Vivo e de Giselle Santos, especialista em IA e tecnologias educacionais.

“Acho que, para a tecnologia fazer diferença, precisamos olhar para o que estamos fazendo. Há oportunidades e há desafios que andam juntos. Podemos trabalhar com verbos digitais, trazer aceleração em uma escala controlada. Precisamos pensar em políticas públicas nas quais serão trabalhadas essas relações algorítmicas”, enfatizou Giselle. 

Segundo Daniel Becker, há entre as crianças e adolescentes, além da misoginia, um negacionismo climático, impulsionado pelo uso excessivo de telas. 

Giselle Santos (especialista em IA e tecnologias educacionais), Daniel Becker (pediatra, sanitarista e ativista pela infância), Priscila Cruz (presidente e cofundadora do Todos pela Educação) e Lia Glaz (diretora-presidente da Fundação Telefônica Vivo)
Foto: Adilson Santos/Encontro Futuro Vivo

“Esse tipo de prática gera sedentarismo cognitivo, ou seja, afasta as crianças e os bebês de tudo que é importante para o desenvolvimento deles: o contato com a luz do dia, com a interação social, com a imaginação e com o confronto com o tédio.”, afirmou.

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Fonte: Portal Terra
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