Vorcaro reapresenta proposta de delação após mudar de defesa; veja o que pode acontecer agora

Nova proposta detalha bastidores de suposto esquema e tenta reverter rejeição inicial

3 jun 2026 - 16h30

O cenário das investigações que envolvem o mercado financeiro e a política nacional ganhou um novo capítulo nesta semana. A defesa do empresário Daniel Vorcaro apresentou uma nova proposta de acordo de delação premiada para a Polícia Federal e para a Procuradoria-Geral da República. Essa movimentação estratégica ocorre logo após as autoridades recusarem a primeira versão do documento enviada no início de maio. Os investigadores consideraram que o material inicial trazia mais justificativas de defesa do que revelações inéditas capazes de fazer o caso avançar.

Daniel Vorcaro
Daniel Vorcaro
Foto: Reprodução / Perfil Brasil

O que mudou na nova proposta entregue às autoridades

A primeira tentativa de colaboração falhou principalmente por não abordar fatos recentes e de grande impacto. Entre os pontos ausentes estava uma operação policial realizada no dia 7 do mês passado. A investigação apura o pagamento de uma suposta mesada de R$ 300 mil ao senador Ciro Nogueira, além do custeio de viagens de luxo internacionais com voos privados e hospedagens. Como o conteúdo anterior foi considerado insuficiente pelos analistas da Procuradoria-Geral da República e da Polícia Federal, o empresário precisou reformular totalmente sua estratégia jurídica.

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Para que o novo acordo seja aceito pelas autoridades, o investigado terá que fornecer dados que ajudem a desvendar crimes que ainda são desconhecidos pelos órgãos de controle. O empresário é suspeito de tentar comprar influência política para garantir o funcionamento de sua instituição financeira, que acabou sofrendo liquidação por parte do Banco Central. Além de apontar novos fatos e nomes, o processo de negociação exige que o colaborador aceite devolver valores que podem atingir cifras bilionárias aos cofres públicos.

A rotina do empresário no sistema prisional

O período de tratativas também foi marcado por trocas constantes na equipe jurídica do banqueiro. Desde o momento da prisão, dois defensores renomados optaram por deixar o caso em momentos diferentes. O advogado Pierpaolo Bottini saiu do circuito antes mesmo do início formal das conversas sobre a cooperação. Mais tarde, durante o andamento das discussões do acordo, o advogado José Luís Oliveira Lima, conhecido no meio jurídico como Juca, também se retirou do processo. Atualmente, o comando da defesa está centralizado nas mãos do advogado Sérgio Leonardo.

Essas mudanças na equipe jurídica acompanharam alterações diretas nas condições em que o empresário cumpre sua pena preventiva. Inicialmente, ele ficou detido no Presídio Federal da Papuda, sendo transferido para a Superintendência da Polícia Federal em Brasília logo após assinar o termo de confidencialidade. Na sede da corporação, ele ocupou uma sala especial que já abrigou o ex-presidente Jair Bolsonaro. Contudo, a rejeição da primeira proposta de delação fez com que ele perdesse o benefício, sendo realocado para uma cela comum de trânsito.

Validação do acordo depende do STF

O futuro do caso agora depende de uma análise minuciosa dos novos papéis entregues pela defesa. Os policiais e procuradores vão avaliar se os capítulos inéditos trazem dados consistentes e provas que justifiquem os benefícios da delação. Se o material for considerado útil, o empresário será chamado para prestar depoimentos formais. Nessa fase, a entrega de documentos comprobatórios será obrigatória para validar os relatos apresentados.

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Caso ocorra um consenso entre as partes sobre os termos do documento, o acordo será formalizado juridicamente. O passo final do rito processual consiste no envio do termo para o Supremo Tribunal Federal. A palavra final caberá ao ministro André Mendonça, relator do caso na corte. O magistrado terá a função de analisar a legalidade e a regularidade de todo o procedimento antes de decidir se vai homologar a colaboração premiada.

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