Trump chama líderes iranianos de "animais" e reitera ameaça de "dizimar" infraestrutura civil

6 abr 2026 - 18h15
(atualizado às 18h46)

Presidente dos EUA chama líderes iranianos de "animais", ameaça destruir setor energético do país, minimiza que ação pode ser crime de guerra e lamenta que não pode confiscar petróleo.O presidente dos EUA, Donald Trump, reiterou nesta segunda-feira (06/04) seu ultimato ao Irã para que o regime reabra o estreito de Ormuz, sob pena de ver sua infraestrutura civil ser "dizimada", incluindo pontes e usinas de energia. Ele também chamou os líderes do Irã de "animais" e lamentou que não pode confiscar o petróleo do país.

"O país inteiro pode ser aniquilado em uma noite, e essa noite pode ser amanhã à noite", disse Trump, que reiterou que o prazo do ultimato vence às 21h do horário de Brasília na terça-feira (07/04).

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"Todas as pontes no Irã serão destruídas até a meia-noite de amanhã, e todas as usinas de energia do Irã estarão fora de operação, queimando, explodindo e nunca mais poderão ser usadas", disse. Mais cedo, ele já havia dito que o Irã pode deixar de ter "pontes" e "centrais de energia" e acabar tendo que "voltar à idade da pedra".

Trump ainda acrescentou que estava considerando um plano para cobrar pedágio pelo petróleo que passa pelo Estreito — ecoando as ameaças iranianas de fazer o mesmo com a hidrovia por onde passa um quinto do petróleo bruto mundial.

Mais cedo, o presidente dos EUA minimizou preocupações de que atacar as instalações de energia e pontes do Irã — uma tática que a Rússia também usou na Ucrânia após não conseguir derrotar rapidamente o governo de Kiev — seria um crime de guerra.

"Não estou preocupado com isso", disse Trump quando questionado sobre o que diria àqueles que alegam que atacar instalações de energia violaria as leis da guerra. "Sabe o que é crime de guerra? O crime de guerra é permitir que o Irã tenha uma arma nuclear."

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Questionado novamente sobre o assunto, ele disse que os líderes do Irã são "animais" que mataram dezenas de milhares de manifestantes. Trump também disse que, se dependesse dele, confiscaria o petróleo do Irã, mas que "infelizmente, o povo americano gostaria de nos ver voltar para casa" e encerrar a guerra.

"Ao vencedor, os espólios... Se eu pudesse escolher, sim, porque sou um homem de negócios antes de tudo. Eu ficaria com o petróleo e ganharia muito dinheiro", disse Trump.

O presidente dos EUA acrescentou que os americanos que se opõem à guerra com o Irã são "tolos". Por outro lado, ele também afirmou que ainda está aberto a um acordo, acrescentando que o Irã é um "participante ativo e disposto" nas negociações para um possível fim à guerra.

Irã rejeita proposta de cessar-fogo e quer "fim permanente da guerra"

No entanto, mais cedo nesta segunda-feira, o regime do Irã rejeitou uma proposta de cessar-fogo temporário apresentada por mediadores, divulgando uma contraproposta e exigindo um fim permanente do conflito iniciado pelos EUA e Israel.

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A contraproposta, transmitida aos EUA por mediadores do Paquistão, consiste em 10 pontos, incluindo o fim das hostilidades na região, um acordo para o uso do estreito de Ormuz, o fim das sanções contra o regime de Teerã e indenizações para reconstrução de danos provocados no país, segundo a agência oficial iraniana, referindo que obteve uma cópia do documento.

De acordo com a contraproposta, as autoridades iranianas sublinham "a necessidade de um fim permanente para a guerra" que leve em conta as necessidades da República Islâmica.

"Só aceitaremos o fim da guerra com garantias de que não voltaremos a ser atacados", disse Mojtaba Ferdousi Pour, chefe da missão diplomática iraniana no Cairo.

Trump deixa transparecer frustração com continuidade do bloqueio de Ormuz

No domingo, em uma publicação com palavrões e ofensas, Trump, deixou transparecer frustração com a continuidade do bloqueio do Estreito de Ormuz e também reiterou suas ameaças de destruir a infraestrutura civil do Irã caso o regime não libere a passagem marítima.

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"Terça-feira será o Dia da Usina Elétrica e o Dia da Ponte, tudo de uma vez, no Irã. Não haverá nada igual!!! Abram a porra do estreito, seus bastardos loucos, ou vocês viverão num verdadeiro inferno - Vocês vão ver! Louvado seja Alá", escreveu Trump na rede Truth Social.

No sábado, Trump já havia dito que o Irã tinha 48 horas para reabrir completamente o Estreito de Ormuz, sob pena de as Forças Armadas americanas fazerem recair um "inferno" sobre os iranianos. Pelo prazo, os ataques podem ter início na segunda-feira, mas no domingo o presidente indicou que o prazo agora é terça-feira.

Segundo relatos da imprensa americana, Israel, país aliado dos EUA no conflito, estaria aguardando sinal verde da Casa Branca para começar sua própria campanha de bombardeios contra usinas de energia iranianas.

Nesta segunda-feira, os israelenses já atacaram uma importante central petroquímica do Irã no campo de gás natural de South Pars. O campo de gás partilhado com o Catar é o maior do mundo e já tinha sido atacado durante o conflito por Israel, levando a uma retaliação do Irã contra instalações energéticas dos países vizinhos do Golfo.

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O Estreito de Ormuz é considerado uma via vital do mercado global de energia, por onde trafegam 20% do petróleo produzido no mundo. A via foi bloqueada pelos iranianos pouco depois do início da guerra lançada pelos Estados Unidos e Israel. Desde então, os iranianos têm permitido somente a passagem de alguns navios de "países amigos" e, segundo relatos, em troca de pagamento.

A queda do tráfego marítimo em Ormuz tem pressionado os preços de petróleo e gás mundo afora, além de ameaçar cadeias de fertilizantes e de outros produtos. Na Ásia, onde vários países dependem mais da energia que passa por Ormuz, algumas nações tem adotado medidas para diminuir o consumo de combustíveis, como tarifa zero no transporte público e até feriados extras.

Especialistas militares têm afirmado nas últimas semanas que os EUA parecem ter subestimado que o Irã tinha capacidade retaliatória para fechar Ormuz.

Inicialmente, os EUA propagandearam como objetivos da guerra uma degradação da capacidade militar e nuclear do Irã e até uma desejada "mudança de regime" no país. No entanto, nos últimos dias, os EUA têm sido crescente forçados a focar em Ormuz, com o objetivo de liberar a via - ou seja, para que ele volte ao mesmo status de antes da guerra.

Impactos

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Um ataque às usinas a gás do Irã ameaçaria diretamente o fornecimento de energia de milhões de habitantes do país. Um colapso elétrico pode ter consequências graves, como interrupção de sistemas de resfriamento e aquecimento, interrupção do abastecimento de água devido ao desligamento das bombas. Também seriam afetados o sistema bancário e a indústria.

Nos últimos dias, o Irã tem afirmado que se os EUA e Israel lançarem tais ataques, o regime pretende retaliar atacando usinas de dessalinização na região do Golfo. Já ocorreram danos a instalações desse tipo no Bahrein e no Kuwait, provocados por ataques ou por destroços de mísseis - possivelmente um aviso indireto enviado pelo Irã.

Uma campanha sistemática contra essas estruturas representaria uma escalada ainda mais grave, colocando em risco o abastecimento de água de milhões de pessoas. Poucas regiões do mundo dependem tanto da dessalinização quanto os países do Golfo.

Além disso, a destruição de infraestrutura civil como usinas de energia pode ser ilegal segundo o direito internacional humanitário e pode constituir um crime de guerra, segundo especialistas.

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jps (DW, ots, AP)

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