Tebet aparece como 'solução' para atrair centro na chapa de Haddad e volta a ser citada como vice

Jogo de 'empurra' para compor a dobradinha com ex-ministro tem ainda Marina, França e Tabata

6 abr 2026 - 19h18

BRASÍLIA - Uma disputa de bastidor envolve a aliança que sustenta a candidatura do ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT) ao governo de São Paulo. Diante da necessidade de atrair o centro para a campanha petista e de problemas para compor a chapa, a ex-ministra do Planejamento Simone Tebet voltou a ser citada no PT como uma possibilidade para vice de Haddad.

Tebet trocou recentemente o MDB pelo PSB e mudou o domicílio eleitoral do Mato Grosso do Sul para São Paulo, com o objetivo de concorrer ao Senado. Estava sem espaço em seu antigo partido porque o MDB apoia o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que vai disputar novo mandato.

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A queda de braço na campanha de Haddad ocorre agora porque, além de Simone, tanto o ex-ministro do Empreendedorismo Márcio França - que é presidente do PSB paulista - como a ex-titular do Meio Ambiente Marina Silva (Rede) também querem concorrer ao Senado. São três nomes para duas vagas. Até o momento, nem Marina nem França abrem mão dessa candidatura.

Dirigentes do PT jogam água na fervura e argumentam que "não é preciso ter pressa". Na tentativa de "resolver" o imbróglio, uma ala do PSB tentou emplacar a deputada Tabata Amaral (SP), candidata a novo mandato na Câmara, como vice de Haddad. Deu mais confusão: nem a deputada nem a cúpula do PT querem saber disso.

Em conversas reservadas, líderes do PT afirmam que Márcio França se movimenta no sentido de "empurrar" Tabata para a dobradinha com Haddad porque ele próprio estaria disposto a entrar no páreo por uma cadeira na Câmara, se não conseguir a vaga para disputar o Senado. E, de acordo com esse raciocínio, Tabata tiraria votos dele em São Paulo.

França nega que vá entrar na briga para ser novamente candidato a deputado. O ex-ministro já conversou sobre o assunto com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ainda terá uma reunião com Haddad. "A chapa somente será definida em julho", desconversa ele.

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Tabata, por sua vez, afirma que será candidata a mais um mandato na Câmara. Destaca, ainda, que o PSB dá prioridade às eleições para fortalecer a bancada da centro-esquerda no Congresso e impedir o avanço do bolsonarismo.

Lula já disse a interlocutores que uma chapa formada por duas mulheres - Tebet e Marina - seria forte para o Senado. Mas França, ex-governador de São Paulo, tem apresentado pesquisas de intenção de voto mostrando ter mais apoio do que Marina no interior paulista.

Há uma divisão no PT a respeito da vaga para a ex-ministra do Meio Ambiente: apesar do renome internacional, Marina não é unanimidade no partido. A portas fechadas, não são poucos aqueles que observam que Marina, uma ex-petista, é "muito radical" e pode estreitar a chapa, ao invés de ampliá-la para o centro, como Haddad precisa.

A avaliação também dá respaldo aos que veem a possibilidade de França acabar sendo vice de Haddad. Na prática, todas as pesquisas têm sido examinadas com lupa para verificar as chances de cada um nesse jogo, antes da montagem da aliança.

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