O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta sexta-feira (1°) a aplicação de sanções contra três empresas de câmbio iranianas. O objetivo central dessa medida é atingir diretamente o sistema financeiro de Teerã. A ação foi divulgada no mesmo dia em que a agência estatal iraniana informou que o país enviou uma nova proposta de negociações aos americanos na quinta-feira.
De acordo com a imprensa internacional, a proposta não agradou o presidente americano. Em declaração posterior, ele afirmou não estar confiante de que o governo iraniano cumprirá as exigências estabelecidas nas negociações entre os dois países. Ainda assim, Trump reiterou que prefere uma solução diplomática para encerrar o conflito.
"Eles estão pedindo coisas que não podemos aceitar. No momento, estamos fazendo tudo no campo da negociação, inclusive por telefone", declarou o presidente, ao comentar a oferta apresentada por Teerã.
Tensão no Estreito de Ormuz
Um dos principais pontos de tensão entre os dois países permanece sendo o Estreito de Ormuz. Trata-se de uma rota estratégica por onde passa cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo todo. O líder americano tem pressionado pela reabertura total da passagem, considerada fundamental para o transporte de navios petroleiros.
Na quarta-feira, o presidente compartilhou na rede social Truth Social uma imagem provocativa da região, rotulada como "Estreito de Trump". Apesar da sugestão de controle americano, o bloqueio parcial da via continua sendo mantido pelo regime iraniano, segundo o relato de autoridades internacionais.
Opinião pública e impactos da guerra
Uma pesquisa recente divulgada pelo jornal The Washington Post revela dados que chamam a atenção sobre a percepção da população. Cerca de 61% dos americanos consideram um erro as ações militares conduzidas pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irã. Menos de 20% acreditam que a operação foi bem-sucedida. Para 39%, a ofensiva não teve sucesso, enquanto 41% afirmam ser cedo demais para avaliar seus resultados práticos.
Apesar da desaprovação geral, o apoio ao presidente permanece bastante elevado entre os republicanos. Desse grupo, 79% avaliam que Trump tomou a decisão correta, um percentual que diminui entre os eleitores independentes com inclinação republicana. Os índices de rejeição ao conflito se aproximam, inclusive, daqueles registrados durante as guerras do Iraque e do Vietnã.
O levantamento também evidencia forte preocupação com os efeitos colaterais do conflito. Para 61% dos entrevistados, a situação aumenta o risco de ataques terroristas contra americanos. Além disso, 56% avaliam que o cenário prejudica as relações dos Estados Unidos com aliados internacionais, que não teriam sido consultados antes do início das operações militares.