PM e Bombeiros do DF copiam 'penduricalho favorito' do Judiciário e pagam até R$ 800 mil; entenda

Licença prêmio garante conversão de dias de folga em dinheiro isento de impostos

1 mai 2026 - 18h11

BRASÍLIA - No Brasil, policiais militares e agentes do corpo de bombeiros não estão no topo da pirâmide do serviço público. Mas no Distrito Federal, onde se tem uma das polícias mais bem remuneradas do País, a situação destoa completamente.

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Na capital federal, policiais agora recebem salários semelhantes aos da elite do funcionalismo público. Como revelou o Estadão, um único coronel chegou a receber mais de R$ 800 mil em um mês.

Como isso? Se valendo do penduricalho favorito da magistratura e do Ministério Público: a licença prêmio, que faz juízes e procuradores receberem valores estratosféricos.

Cem coronéis, majores e tenentes da reserva do DF receberam em fevereiro R$ 40 milhões em penduricalhos
Cem coronéis, majores e tenentes da reserva do DF receberam em fevereiro R$ 40 milhões em penduricalhos
Foto: Joel Rodrigues/Agência Brasília / Estadão

Por meio dessa verba, cem militares da reserva do Distrito Federal receberam R$ 40 milhões. O penduricalho fez com 94 policiais recebessem acima de R$ 100 mil em seus contracheques num único mês deste ano. Outros cinco coronéis receberam um "Pix" de R$ 719 mil.

Esses pagamentos milionários foram possíveis graças ao pagamento retroativo da licença prêmio acumulada durante os anos de atividade desses militares do DF.

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O penduricalho em questão garante 90 dias de descanso remunerado a cada 5 anos de serviço. Porém, assim como no Judiciário e no Ministério Público, é inviável que todos os beneficiários usufruam do direito ao descanso, por isso a PM e o Corpo de Bombeiros do DF decidiram converter esse benefício em dinheiro na conta dos policiais e agentes aposentados.

Os valores foram calculados de acordo com a remuneração de cada cargo e, por ter caráter indenizatório, não há incidência de Imposto de Renda sobre o valor.

Os R$ 832 mil pagos a um coronel da reserva da Polícia Militar equivalem a 18 vezes o teto do funcionalismo público fixado pelo salário dos ministros do Supremo Tribunal Federal, e aproximadamente 513 vezes o salário mínimo atual.

Esses pagamentos aconteceram lá em fevereiro, antes do STF restringir a farra dos penduricalhos no País. Mas os valores milionários podem voltar a se repetir porque a decisão do tribunal de restringir a 35% do teto o valor de extra com verbas indenizatórias só se aplica ao Judiciário e ao Ministério Público.

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Além disso, as carreiras militares seguem legislações próprias, o que impede a aplicação automática da decisão do STF até eventual regulamentação dos penduricalhos pelo Congresso.

Em nota, a Polícia Militar do Distrito Federal afirma que os valores não representam um aumento de remuneração, mas sim uma compensação paga uma única vez no momento da passagem para a inatividade. Segundo a nota, em razão da carência de efetivo e da exigência do serviço, os policiais deixaram de tirar essas licenças para garantir a proteção da sociedade.

A PMDF diz que a conversão em dinheiro é uma obrigação prevista em lei, sem margem de escolha para a Administração, e que o próprio STF entende que essa verba indenizatória não se submete ao teto constitucional. O cálculo, segundo a força, é objetivo e possui previsão orçamentária.

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