O Ministério Público do Rio de Janeiro formalizou uma denúncia contra Márcio Santos Nepumuceno, conhecido como Marcinho VP, sua esposa, Marcia Gama Nepomuceno, e seu filho, o cantor Mauro Nepomuceno, mais conhecido como Oruam. A acusação aponta os envolvidos pelos crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro. Segundo a 3ª Promotoria de Investigação Penal Especializada, o líder da facção ainda mantém o controle estratégico e financeiro do grupo mesmo após mais de duas décadas de prisão.
Estrutura do Comando Vermelho
A promotoria detalhou como a organização criminosa está dividida em quatro frentes de atuação para manter a expansão das atividades ilícitas. A primeira é a liderança encarcerada, representada por Marcinho VP, que toma decisões de dentro da cadeia. O núcleo familiar é formado pela esposa e pelo filho do líder, encarregados de intermediar as ordens e gerir os recursos. O grupo também conta com os operadores, conhecidos popularmente como testas de ferro, além das lideranças operacionais que atuam diretamente nas comunidades.
A denúncia revela que Marcia Nepomuceno seria a responsável por gerenciar os recursos financeiros do grupo criminoso. Ela receberia quantias em espécie de outros criminosos, como Doca, Abelha e Pezão. Para ocultar a origem ilícita dos valores, a esposa do líder utilizaria a compra de imóveis, fazendas e estabelecimentos comerciais. Esse esquema visava legitimar o dinheiro movimentado pelo tráfico de drogas e garantir o patrimônio da família.
O papel do rapper Oruam
O artista Oruam também é apontado como uma peça importante dentro do esquema de lavagem de dinheiro da facção criminosa. As investigações indicam que o cantor utilizava sua própria carreira musical para legitimar o lucro proveniente do tráfico. Além disso, ele teria recebido valores em espécie diretamente de Doca e Pezão. A promotoria destaca que esse dinheiro era utilizado para custear despesas pessoais, viagens e festas luxuosas do cantor.
As investigações também apontaram a presença de testas de ferro como Carlos Alexandre Martins da Silva, Luiz Paulo Silva de Souza, também chamado de Magrão, e Jeferson Lima Assis. Eles teriam a função de dissimular o patrimônio adquirido pela organização. O grupo de líderes operacionais conta ainda com Eduardo Fernandes de Oliveira, o "2D", e Ederson José Gonçalves Leite, conhecido como "Sam", que exercem atividades práticas nas comunidades. A CNN Brasil tentou contato com a defesa de Oruam e da família Nepumuceno, mas o espaço segue aberto para manifestações.
A operação da Polícia Civil
A denúncia é um desdobramento da operação realizada pela Polícia Civil do Rio de Janeiro na última quarta-feira. A ação teve como objetivo desarticular o braço financeiro da facção. Durante as diligências em Jacarepaguá e na Barra da Tijuca, na zona sudoeste da capital, os agentes cumpriram mandados de prisão, além de busca e apreensão. O cantor Oruam, sua mãe Márcia Gama e seu irmão Lucca Nepomuceno foram considerados foragidos por não serem localizados.
Durante a operação, Carlos Alexandre Martins da Silva foi preso e apontado como operador financeiro da mãe do artista. A polícia encontrou diálogos entre Carlos Costa Neves, o "Gardenal", apontado como uma liderança do Comando Vermelho, e um miliciano. Essas conversas confirmam a influência de Marcinho VP no comando da facção.