A região metropolitana de Curitiba foi palco de um episódio que chocou a comunidade e chamou a atenção para a segurança das crianças. Um jovem de 23 anos, apontado como o principal suspeito de abusar sexualmente de uma menina de apenas 12 anos, foi liberado poucas horas depois de ter sido detido em flagrante. O caso ocorreu na cidade de São José dos Pinhais.
O início da revelação aconteceu de forma incomum no último sábado. A família da vítima descobriu a situação após verificar o histórico de buscas da menina em um aplicativo de inteligência artificial. Na ocasião, a garota perguntou se ela não estaria atrapalhando o casamento da tia.
A resposta fornecida pela tecnologia foi um divisor de águas para que os parentes percebessem o problema. O sistema destacou que a culpa não era da criança e que a responsabilidade em manter o respeito e a harmonia da família era do adulto envolvido na situação.
As investigações policiais revelam que o suspeito mantinha uma relação de proximidade com a família, sendo o noivo da tia da menina. De acordo com os levantamentos da equipe policial, os abusos tiveram início em dezembro do ano passado, quando a vítima ainda tinha apenas 11 anos de idade.
Decisão judicial
Logo após a detenção, o Ministério Público manifestou-se favorável à liberdade provisória do acusado. A Justiça acatou o pedido e determinou a soltura, alegando que o suspeito não apresentava riscos imediatos para a sociedade.
A decisão do magistrado foi fundamentada nos seguintes termos: "A despeito dos fortes indícios de autoria e materialidade da infração de estupro de vulnerável, não vislumbro, na espécie, periculum libertatis a justificar a manutenção da custódia do autuado. Isso porque não há indícios de se tratar de pessoa que causará abalo à ordem pública, caso deferida a liberdade. Ainda, não vislumbro perigo de que venha a se evadir do distrito da culpa, ou que possa tumultuar a instrução de futuro processo criminal, sendo que o mesmo não é reincidente".
Após a descoberta dos fatos, a família também encontrou outras mensagens com teor sexual enviadas pelo suspeito para o aparelho da menina. Ao encontrar os registros, a reação foi imediata.
"Na hora, eu já confrontei ele. Ele me pediu para parar de fazer escândalo, que minha mãe ia acordar", relatou a tia da vítima. Para garantir a segurança e a integridade da menor, a identidade da mulher está sendo preservada.
Investigação e próximos passos
A descoberta gerou revolta entre os moradores locais, que chegaram a agredir o suspeito antes da chegada da Guarda Municipal. Os agentes de segurança foram acionados para conter a situação e registraram o boletim de ocorrência com base nos relatos da própria vítima.
Durante a abordagem, o documento oficial apontou que o acusado confessou aos guardas que "manteve relação sexual" com a adolescente. Pela legislação brasileira, qualquer relação mantida com menores de 14 anos é classificada como estupro de vulnerável, independentemente de haver consentimento.
Durante os depoimentos prestados na delegacia, ambos confirmaram que o episódio mais recente ocorreu apenas dois dias antes da prisão. O caso segue sob responsabilidade da delegada Anielen Magalhães, que está conduzindo os procedimentos necessários para o inquérito.
O homem foi oficialmente indiciado pelo crime de estupro de vulnerável de forma continuada. Além disso, ele responderá por ameaça, visto que tentou coagir a menina para que ela não revelasse o que estava acontecendo aos seus familiares.