Planalto avalia que ala do STF se juntou a Alcolumbre para derrotar Messias; leia bastidor

Nos bastidores, ministros dizem que Alexandre de Moraes liderou movimento para impedir entrada de advogado-geral da União na Corte; ele nega

29 abr 2026 - 22h51
(atualizado às 23h01)

BRASÍLIA - O Palácio do Planalto avalia que uma ala do Supremo Tribunal Federal (STF) se juntou ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), para barrar a entrada do advogado-geral da União, Jorge Messias, na Corte. O nome indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi rejeitado por 42 votos a 34 no Senado.

A avaliação foi feita na noite desta quarta-feira, 29, durante reunião entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Messias, o ministro da Defesa, José Múcio, e os líderes do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), e na Câmara, José Guimarães (PT-CE), no Palácio da Alvorada.

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Para o governo, o ministro do STF Alexandre de Moraes ajudou Alcolumbre na articulação contrária a Messias. Auxiliares de Lula também disseram, sob reserva, que o ministro Flávio Dino atuou para derrotar o advogado-geral da União. Tanto Moraes como Dino negaram que tenham participado desse movimento. "Peça para apontarem um único senador que liguei ou falei", disse Moraes, por intermédio de sua assessoria.

O advogado-geral da União, Jorge Messias, teve seu nome rejeitado pelo Senado
O advogado-geral da União, Jorge Messias, teve seu nome rejeitado pelo Senado
Foto: Wilton Junior / Estadão / Estadão

O diagnóstico do Planalto foi o de que, ao se aliar ao ministro do STF André Mendonça para conquistar votos de senadores bolsonaristas, Messias acabou comprando briga com o grupo que tem se posicionado contra o magistrado na Corte.

Como mostrou o Estadão, se entrasse no STF, Messias poderia ser uma espécie de "fiel da balança" nas votações do tribunal, inclusive sobre o código de ética proposto pelo presidente da Corte, Edson Fachin. Nesse caso, a tendência seria uma mudança na correlação de forças do tribunal.

Lula disse na reunião no Alvorada que não indicará outro ministro para o STF. Está muito irritado com Alcolumbre e quer saber quem foram os "traidores" da base aliada que, na votação secreta, ficaram contra Messias, mesmo depois de o governo ter liberado o pagamento de emendas parlamentares e negociado cargos em agências reguladoras, além de vagas na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

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A rejeição de Messias para o STF significou a mais fragorosa derrota do governo. Mas não é só: nesta quinta-feira, 30, o Congresso também tende a derrubar o veto de Lula ao projeto de lei que reduz as penas do ex-presidente Jair Bolsonaro e de outros condenados pelos atos golpistas do 8 de Janeiro. A sessão do Congresso será comandada por Alcolumbre.

A oposição comemorou a derrota do governo como a vitória do senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL à sucessão de Lula. Nos corredores do Congresso, o que mais se ouvia na noite desta quarta-feira era "o governo acabou". Messias, por sua vez, disse que enfrentou durante cinco meses uma campanha de "desconstrução" e mentiras. "Nós sabemos quem promoveu tudo disso", afirmou ele, numa referência ao presidente do Senado.

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