O veículo a gás, enfim, perdeu se caráter de testes para ser algo viável comercialmente. Na sexta-feira, 27, entram em operação oito ônibus urbanos movidos a biometano no sistema de transporte de Goiânia (GO). É a primeira operação do tipo no país.
As oito unidades foram montadas sob chassis Scania K Euro 6 e levam carroceria Marcopolo. Elas integram um lote formado por 501 ônibus movidos a biometano que serão incorporados aos poucos à frota do BRT Leste-Oeste de Goiania até 2027.
Em um primeiro momento, esses veículos serão abastecidos com GNC, sigla para gás natural comprimido. Em momento posterior, eles serão abastecidos com biometano proveniente do bagaço da cana-de-açúcar, segundo Patrick Lucas, gestor de manutenção e infraestrutura do consórcio BRT.
O abastecimento desses ônibus, inclusive, é algo estratégico para a operação e demandou investimento.
A operação contará com um sistema de abastecimento específico para os ônibus a gás da frota. Está em construção o primeiro gasoduto de Goiás que vai alimentar todo o sistema.
Além disso, está em implantação a primeira usina de geração de biometano de Goiás no município de Guapó. O gás será gerado a partir de resíduos industriais. Sua construção envolveu aporte de R$ 150 milhões.
Para Alex Nucci, diretor de vendas da Scania, o negócio envolvendo os ônibus a gás é histórico porque é o primeiro do tipo fechado no país.
A montadora milita nesse campo do gás no segmento de veículos comerciais desde 2014, quando começou a realizar seus primeiros testes com motores movidos a gás.
De lá para cá, todo um trabalho de divulgação e de convencimento do mercado foi feito em torno desse tipo de veículo. Primeiro havia que vencer a barreira do gás nesses veículos, mostrar que era algo seguro.
Depois, a viabilidade comercial. Os frotistas passaram a ouvir o que montadora tinha a dizer com mais atenção depois que o gás se mostrou mais vantajoso do que o diesel em termos econômicos em alguns perfis de operação de transporte.
O motor Scania dos ônibus a gás, de 340 cavalos, armazena o combustível em tanque de fibra de carbono, que além de ser mais leve do que aqueles feitos em metal, é mais resistente ao choque. Sete deles instalados no teto dos veículos proporcionam uma autonomia de 400 km.
O que mostra que o powertrain movido a gás tem potencial para atender o transporte coletivo em grandes centros urbanos, como é o caso do BRT de Goiania. Para longas distâncias ainda há muito por convencer, sobretudo no campo dos caminhões. Mas aí já é outra história.