Nepal, o país que enfrenta instabilidade no Himalaia e tensão entre China e Índia

Nação viveu uma crise política que derrubou o primeiro-ministro em 2025 e segue sob forte pressão geopolítica na cordilheira

26 ago 2026 - 10h02
(atualizado às 10h11)
Resumo
O Nepal enfrenta instabilidade política desde 2025, quando protestos derrubaram o primeiro-ministro, e lida com tensões geopolíticas entre China e Índia devido à sua posição estratégica no Himalaia.
Câmera de segurança mostra pessoas correndo antes de serem engolidas por deslizamento no Nepal
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Uma avalanche de lama colocou o Nepal nas manchetes nesta quarta-feira, 26. Saiba onde fica o país e qual a situação política. 

O Nepal é um país sem saída para o mar localizado no sul da Ásia, na cordilheira do Himalaia, entre a China e a Índia. O país ganhou destaque internacional após uma onda de protestos liderada por jovens em 2025 provocar a queda do então primeiro-ministro Khadga Prasad Sharma Oli e desencadear uma crise política que levou à formação de um governo de transição.

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Onde fica o Nepal e qual a relação com o Monte Everest?

Enchente repentina em Galchhi, no Nepal - 26 de agosto de 2026
Enchente repentina em Galchhi, no Nepal - 26 de agosto de 2026
Foto: REUTERS

O Nepal está localizado no sul da Ásia, ao longo da cordilheira do Himalaia. O país faz fronteira ao norte com a Região Autônoma do Tibete, na China, e ao sul, leste e oeste com a Índia.

Na fronteira entre o Nepal e a China está o Monte Everest, considerado o ponto mais alto da superfície terrestre. A montanha tem altitude oficial de 8.848,86 metros, segundo a medição anunciada conjuntamente por Nepal e China em 2020.

A região do Himalaia está sobre uma zona de colisão entre as placas tectônicas Indiana e Eurasiática. O movimento entre essas placas foi responsável pela formação da cordilheira e continua provocando deformações da crosta terrestre e intensa atividade sísmica na região.

Um dos exemplos mais graves ocorreu em abril de 2015, quando um terremoto de magnitude 7,8 atingiu o Nepal. O desastre deixou cerca de 8,9 mil mortos e provocou grandes danos em Katmandu e em outras áreas do país.

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O terremoto também deslocou o Monte Everest cerca de 3 centímetros para sudoeste, segundo medições realizadas após o tremor. O movimento, entretanto, não provocou uma alteração significativa na altitude da montanha.

Como está a situação política no Nepal?

A atual configuração política do Nepal é resultado da crise desencadeada pelos protestos da chamada Geração Z, em setembro de 2025. As manifestações começaram após o governo bloquear 26 plataformas de redes sociais e rapidamente ganharam força com reivindicações contra corrupção, nepotismo, falta de oportunidades econômicas e problemas de governança.

A repressão aos protestos deixou dezenas de mortos e provocou uma escalada da violência. Prédios públicos, incluindo o Parlamento nepalês, foram incendiados, assim como residências de autoridades.

Diante da crise, o primeiro-ministro Khadga Prasad Sharma Oli renunciou em 9 de setembro de 2025. A saída abriu caminho para a formação de um governo interino liderado pela ex-chefe da Suprema Corte Sushila Karki.

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A crise, porém, não terminou com a renúncia de Oli. O período de transição levou posteriormente à formação de um novo governo, comandado pelo atual primeiro-ministro Balendra Shah, que assumiu o cargo em 2026.

A queda de Oli, portanto, deve ser entendida como um dos episódios de uma transformação política mais ampla no Nepal, marcada pela mobilização de uma geração mais jovem e pela insatisfação com partidos tradicionais e instituições políticas.

Qual é a influência da China e as tensões no Himalaia?

A localização do Nepal confere ao país importância estratégica para China e Índia. As duas potências asiáticas compartilham uma longa fronteira com o Nepal e disputam influência política, econômica e estratégica no Sul da Ásia.

O Nepal é frequentemente descrito como um Estado-tampão entre China e Índia, duas potências nucleares que também mantêm disputas territoriais e rivalidades históricas na região do Himalaia.

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A disputa entre China e Índia inclui episódios como o impasse de Doklam, em 2017, quando tropas dos dois países permaneceram frente a frente durante meses em uma área disputada próxima à fronteira entre China, Índia e Butão. O episódio não envolve diretamente o Nepal, mas ilustra a importância estratégica e militar do Himalaia para as duas potências.

Outro ponto de tensão nas relações entre China e Índia é a questão do Tibete. A Índia abriga o Dalai Lama desde 1959, quando o líder religioso tibetano deixou o Tibete e se estabeleceu em território indiano. Pequim considera o Tibete parte da China e vê com preocupação atividades políticas ligadas ao governo tibetano no exílio.

Além da dimensão geopolítica, Nepal e Tibete mantêm vínculos históricos culturais e religiosos. Katmandu abriga importantes monumentos budistas, entre eles o Swayambhunath Stupa, um dos principais símbolos religiosos do Nepal e um local de importância para diferentes tradições do budismo, incluindo o budismo tibetano.

A posição do Nepal entre China e Índia faz do país um território de importância estratégica no Himalaia, ao mesmo tempo em que sua geografia montanhosa, sua história e seus vínculos culturais com o Tibete ajudam a explicar a relevância internacional da região.

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Mapa do Nepal
Foto: Imagem gerada por IA
Texto gerado com ajuda de Inteligência Artificial e editado pelo nosso time de jornalistas.
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