'Vingança é inevitável', diz novo líder supremo do Irã após sepultamento de Khamenei

O líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, afirmou, em uma mensagem datada de sexta-feira (10) e divulgada neste sábado (11), que a "vingança" é inevitável" após a morte de seu pai, o aiatolá Ali Khamenei. O líder iraniano, sepultado na sexta, foi morto em bombardeios israelenses e americanos em fevereiro, que desencadearam a guerra entre os EUA e o Irã.

11 jul 2026 - 11h13
(atualizado às 11h38)
O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, presta homenagem a Ali Khamenei durante cerimônia na capital iraniana; integrantes da delegação paquistanesa também participaram do tributo, em 3 de julho de 2026
O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, presta homenagem a Ali Khamenei durante cerimônia na capital iraniana; integrantes da delegação paquistanesa também participaram do tributo, em 3 de julho de 2026
Foto: RFI

A mensagem escrita do aiatolá foi divulgada pela TV estatal após o fim das cerimônias fúnebres de Khamenei, que duraram ses dias. "Juramos vingar seu sangue puro e o de todos os mártires dessas duas guerras, derramado por assassinos criminosos e desonrados", escreveu Mojtaba Khamenei, designado para o cargo em março, mas que nunca apareceu em público.

Segundo fontes de alto escalão, seu rosto estaria desfigurado e ele teria sofrido outros ferimentos durante os bombardeios de fevereiro. Ele não é visto pelos iranianos desde sua nomeação para o cargo de líder supremo, em 8 de março.

Publicidade

De acordo com a mensagem do novo aiatolá, a vingança "é a vontade de nossa nação" e deverá ser cumprida "inevitavelmente", mencionando uma lista de "criminosos" visados diretamente pelo regime. " Estejamos nós aqui ou não, isso será realizado em breve, e cada pessoa livre ao redor do mundo cumprirá uma parte dessa missão divina", acrescentou Mojtaba Khamenei.

A tensão entre os dois países voltou a crescer e, na sexta-feira, Donald Trump acusou o Irã de planejar seu assassinato. O presidente americano prometeu que "destruiria o país" e disse que o exército americano já está "pronto para devastar e destruir completamente todas as regiões do Irã".

Trump afirmou que cerca de mil mísseis estão prontos para disparo e apontados para o país, e que "milhares de outros" estão disponíveis. Os Estados Unidos bombardearam o Irã em duas noites consecutivas, desde terça-feira (7), após atribuírem a Teerã a responsabilidade por ataques contra três navios comerciais no estreito de Ormuz.

Segundo o Ministério da Saúde iraniano, 17 iranianos morreram e 115 ficaram feridos na ofensiva. Teerã acusa os EUA de terem atacado infraestruturas civis para impedir que a população participasse dos funerais de Khamenei.

Publicidade

As sanções contra o petróleo iraniano, suspensas pelo memorando de entendimento assinado em 17 de junho, também foram restabelecidas. Essa decisão constitui uma "violação" do cessar-fogo, segundo o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi.

Em represália, o Irã atingiu países vizinhos do Golfo: Kuwait, onde ao menos uma pessoa ficou ferida, Bahrein e Qatar. O chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional, Mohammad Bagher Zolghadr, declarou que o Irã responderá "a qualquer ataque" contra suas infraestruturas, inclusive atacando Israel.

Negociações

Diante dos novos combates, os mediadores tentam retomar as negociações. Uma delegação do Qatar chegou ao Irã na sexta-feira, segundo a imprensa local. O primeiro-ministro do Paquistão,, afirmou na rede X ter pedido ao presidente iraniano, Massoud Pezeshkian, que preserve a paz "conquistada com dificuldade".

Donald Trump aceitou dar continuidade às discussões, embora tenha declarado que o cessar-fogo estava "encerrado". Teerã afirma que cumpriu os compromissos assumidos em 17 de junho. Neste sábado, Abbas Araghchi escreveu na rede X que o país "honrou sua palavra".

Publicidade

"Nenhuma negociação ocorrerá enquanto a parte americana não revisar suas posições", declarou à agência Fars uma fonte próxima aos negociadores iranianos. Um dos pontos de divergência é "a questão da passagem pelo estreito nos termos desejados pelo Irã".

Araghchi deve discutir o tema, que está no centro da disputa com os Estados Unidos, com o chanceler de Omã, Badr al-Busaidi, que o recebeu neste sábado em Mascate. O Irã havia bloqueado o estreito, localizado entre águas iranianas e omanenses e por onde transitava cerca de um quinto do comércio mundial de hidrocarbonetos antes da guerra, em resposta à ofensiva de Israel e dos EUA.

Atualmente, o país autoriza apenas um corredor de navegação ao longo de seu litoral e pretende cobrar um pedágio pela passagem das embarcações. Segundo os veículos americanos Axios e Politico, os EUA deram um prazo que termina neste sábado para que Teerã assuma publicamente o compromisso de não voltar a atacar navios no estreito de Ormuz.

Com agências

A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
Curtiu? Fique por dentro das principais notícias através do nosso ZAP
Inscreva-se